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sábado, 26 de abril de 2008

Um encontro especial - 100 anos da Imigração Japonesa no Brasil

Um encontro especial - 100 anos da Imigração Japonesa no Brasil

Um encontro especial - 100 anos da Imigração Japonesa no Brasil
Antigos integrantes da comunidade japonesa se reúnem todos os domingos há pelo menos quatro décadas
Os "Tesouros do Sol", como a comunidade japonesa chama seus mais antigos integrantes, fazem questão de se reunir todos os domingos. O local escolhido é um espaço com mirante, na frente do primeiro cartão-postal que viram ao chegar a Manaus de navio, há pelo menos quatro décadas: o encontro das águas do barrento Solimões com o Rio Negro.
"Não esperávamos um rio com água tão escura formando o Amazonas", conta Minoru Saito, de 80 anos, nascido na fria Okaido, no norte do Japão. Como ele, outros imigrantes guardam na memória histórias de uma cidade bem diferente, tomada pela densa mata e repleta de desafios. Basta encontrá-los no mirante para ouvir as revelações sobre aquele tempo.
Saito desembarcou em Manaus há 40 anos, depois de uma breve temporada em Campinas, no Interior Paulista. Trabalhou na agricultura assim que chegou, mas logo mudou de área. "Fiquei mais tempo na Moto Honda, cuidando do restaurante japonês." Mesmo aposentado, ele segue à frente do estabelecimento, com os filhos.
A ex-agricultora Some Kakimoto, de 72 anos, lembra de outro aspecto que causou estranhamento. "Ficamos assustados com a selva. Era preciso desmatar tudo com facões", diz.
Fuiko Ikuno, de 83, conta que cortou muito as mãos desmatando o terreno para plantar. "Tudo valeu a pena, não viemos para cá com medo de trabalho." Apesar do otimismo, a história de Fuiko é marcada por uma grande tristeza.
Dois dos seus seis filhos - justamente os que nasceram no Amazonas - morreram ainda crianças. Foi uma morte tão trágica quanto típica, infelizmente, naquela região: a canoa virou. "Eles só tinham 2 e 4 anos e não sabiam nadar." Os demais filhos constituíram família e, hoje, Fuiko se orgulha dos mais de 20 netos.
Shigueno Kawashima, de 80, veio de Nagasaki, uma terra mais quente. "Nunca estranhei o calor, só a selva." Sem intimidade com a agricultura, já que trabalhava em minas de carvão, ela sofreu para se acostumar com os mosquitos, conhecidos na região como carapanãs. "Era duro, mas ninguém veio obrigado", afirma. "Tomamos amor por esta terra tão fértil."
A mais velha integrante do grupo Tesouros do Sol, Setsuko Otsuka, de 86, é a que menos fala o português. "Me comunico com sorrisos e gestos." Setsuko também passou por momentos difíceis em Manaus, onde chegou em 1959, com o marido e quatro filhos pequenos. Três anos depois de se instalar, ela ficou viúva. "Mas a comunidade daqui é muito unida", conta. "Todos me ajudaram.
Foi esse sentimento de colônia, segundo ela, que fez todos sobreviverem e se sentirem tão em casa a ponto de dizer que não trocariam a selva por lugar nenhum no mundo.
Comunidade tem 6 mil pessoas
Maioria dos imigrantes japoneses no Amazonas está concentrada entre Manaus e a cidade-ilha de Parintins
A comunidade nipônica no Amazonas tem hoje cerca de 6 mil pessoas, a maioria concentrada entre Manaus e a cidade-ilha de Parintins, a 325 quilômetros da capital. Mas foi outra cidade, Maués, a receber a primeira leva de imigrantes japoneses, que chegaram ao Brasil para se dedicar ao cultivo do guaraná. Isso no distante ano de 1928. Nessa localidade a 267 quilômetros de Manaus, o número de descendentes ainda é expressivo - Maués está em terceiro lugar na lista das cidades amazonenses com mais nikkeis. Poderia ter ainda mais, se na década de 1940 uma epidemia de malária não tivesse dizimado várias famílias e forçado outras a se mudar para a colônia de Parintins.
"No início, a agricultura era a principal atividade da comunidade", explica a vice-cônsul do Japão em Manaus, Reiko Nakamura. "Mas, hoje, eles se dividem entre trabalhadores do distrito industrial e do comércio."
A capital do Estado e o município vizinho de Iranduba (a 35 km de lá) reúnem as maiores colônias voltadas para a agricultura e a avicultura. Manaus, inclusive, tem uma escola exclusiva para a comunidade, onde japoneses e descendentes aprendem o idioma oriental e também português.
Nos momentos de lazer, o beisebol, um dos esportes mais praticados no Japão, está entre os preferidos da juventude.

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