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sábado, 26 de abril de 2008

Os Irmãos Villas Boas - Apresentação por Cristina Müller

Os Irmãos Villas Boas - Apresentação
Cristina Müller
Quem melhor que Orlando Villas Bôas, último sobrevivente dos quatro famosos irmãos indigenistas, para contar a história da ocupação territorial do País e o contato com sua população aborígene. Líder de fato da Expedição Roncador-Xingu, lançada por Getúlio Vargas no final da Segunda Guerra para desbravar o Centro Oeste, percorridos mais de 3 mil quilômetros pelo sertão, até o norte do Mato Grosso e sul do Pará, a convivência com mais de 13 grupos nativos levou Orlando, acompanhado de seus irmãos Cláudio, Leonardo e Álvaro, a relançar a base humanista da política indigenista brasileira.De sua casa no Alto da Lapa, em São Paulo, Orlando Villas Bôas vem acompanhando as discussões em torno da ocupação da Amazônia, vis á vis a pecuária extensiva, a biotecnologia, indústria da madeira e o comércio de drogas. Preocupado com o futuro do parque do Xingu e das inúmeras tribos que permanecem isoladas, ou semi-isoladas, da sociedade ocidental, ao procurar a melhor maneira de chamar a atenção ao assunto, Orlando deparou-se com a nova fronteira da tecnologia on-line."Nem imagino o que significa isso", comentou durante uma visita à redação da Agência Estado, quando soube que teríamos milhões de page-views por mês. "Mas quanto mais gente vir isso melhor," completou com seu habitual bom humor.Para nós na Agência Estado, voar com os Villas Bôas à década de 40 e ao início da Expedição Roncador-Xingu tem sido repleto de boas surpresas. Descobrimos em nossos arquivos o acompanhamento da expedição pelos jornais da casa O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde: matérias e artigos que acompanhavam o seu dia a dia, desde a sua idealização.A medida em que vasculhamos arquivos de fotos e textos, conversando com veteranos e amigos da causa indígena, embarcamos no universo mágico do Parque Indígena do Xingu, com seus cerca de quatro mil habitantes divididos entre 13 nações assentadas em 2.800.704,3343 hectares - mais ou menos o tamanho da França e Inglaterra juntas.Aos poucos, mesmo dada a surpreendente ausência de estudos detalhados sobre as comunidades que vivem no parque, com a ajuda de Orlando e Marina Villas Bôas, constatamos extraordinárias diferenças no acervo cultural vivo que é o Xingu. Alguns dos nossos índios, por exemplo, amam a guerra. Os Kayapós vivem da tensão provocada pelo conflito, traduzem ser humano em intrigas. Outros não. Para o povo Waurá, por exemplo, vizinhos de reserva, nos faz gente a capacidade de refletir e respeitar o espaço dos outros animais. Tradicionalmente, os waurás comem pouca carne, deixando o consumo de proteína animal para as crianças e mulheres grávidas.Mas enquanto conversamos, expande a fronteira agrícola amazônica, aproximando o Brasil urbano desses grupos de gente, que há muito conhecem - e procuram rejeitar - seu modo de vida. Entretanto, mesmo renegando a civilização do branco, os indígenas permanecem fascinados pelas facilidades da tecnologia: anzóis, panelas fáceis de carregar e inquebráveis, entre tantos outros. Cresce a dificuldade de preservar os hábitos ancestrais.Para tanto, e principalmente para que possa fabricar sua própria identidade, é urgente que o nativo do Brasil adote atividades econômicas de valor agregado. Melhor para ele, áreas até pouco tempo inexploradas ou inacessíveis como a biotecnologia, indústria eletrônica, e mesmo a pecuária de larga escala, incluem necessariamente a exploração do vasto território indígena e de seu conhecimento milenar dos elementos da floresta.Guiados pela voz de Orlando, convido o internauta a mergulhar conosco no coração do Brasil. Voltando ao passado, refazemos a Expedição Roncador-Xingu, que pode ser acompanhada através de artigos e matérias publicadas no jornal O Estado de S. Paulo desde seu lançamento. Uma galeria de fotos e e-books demonstram o espanto de fotógrafos, artistas, antropólogos e jornalistas diante do espetáculo da vida na selva. Partimos então para o mosaico do Parque Indígena do Xingu, descrevendo seus povos, suas guerras e um universo de assuntos de interesse geral pertinentes às nações xinguanas e seus brasileiros.

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