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sábado, 26 de abril de 2008

Lacan: ficção e realidade na neurose

Lacan: ficção e realidade na neurose

Jacques Lacan (1901-1981) foi o responsável por retornar e dar continuidade à obra de Freud e por realizar o diálogo da Psicanálise com a Antropologia, a Lingüística, a Filosofia e a Psiquiatria. A Jorge Zahar Editor lança mais uma de suas obras no Brasil:uma coletânea contendo textos inéditos.O livro é composto por três importantes textos, produzidos nos primórdios do ensino de Jacques Lacan e que representam o momento em que este iniciava a sua valiosa elaboração dos registros do Simbólico, do Imaginário e do Real. Discutem temas como: a estrutura do mito e a função do símbolo.O primeiro desses textos é o de uma conferência proferida por ele no Collège Philosophique em 1952. Nessa conferência. intitulada ´O mito individual do neurótico ou poesia e verdade na neurose´, Lacan retoma as idéias freudianas acerca do romance familiar do neurótico e o conceito de mito, a partir da contribuição de Lévi-Strauss, como sendo a formulação discursiva daquilo que é intransmissível na definição da verdade.A partir disso, rediscute uma das cinco grandes psicanálises publicadas por Freud, que aborda um caso de neurose obsessiva tratado por Freud e que se tornou conhecido como ´Homem dos Ratos´, em referência ao relato de um suplício aplicado aos prisioneiros de guerra, que esse cliente ouvira de seu Capitão no campo de batalha e que o teria perturbado de modo a agravar a sua neurose. Tal suplício consistia em introduzir ratos famintos no anus de prisioneiros, o que ocasionava enormes dores e morte por asfixia e hemorragia.Nessa rediscussão, um importante tema acerca da relação entre neurose e decadência da função paterna é lançado, bem como sobre as transformações das funções simbólicas e de suas relações com as leis matemáticas. Além disso, importantes contribuições sobre o lugar desempenhado pela fantasia na neurose são abordadas com maestria.O segundo texto, de 1954, reproduz uma intervenção, feita por Lacan, acerca do conceito de símbolo e de sua função religiosa, num Congresso de Psicologia Religiosa. A relação entre símbolo e linguagem é central na argumentação desenvolvida. Evidencia a grande distância e incompatibilidade entre as concepções de símbolo na Psicanálise de Freud e na Psicologia Analítica de Jung.Nessa distinção, é fundamental tanto a idéia de que o símbolo não existe isoladamente; e sim, num mundo de símbolos, quanto a de que o mundo da imagem - embora exista - só interessa à clínica psicanalítica por sua utilização simbólica. Ainda nesse texto, podemos testemunhar um instigante e divertido debate travado entre Lacan e o célebre etnógrafo, de procedência romena, Mircea Eliade que estava presente na platéia naquele momento.O terceiro, reproduz uma intervenção feita por Jacques Lacan numa Conferência proferida por Lévi-Strauss, em 1956, e que teve por lugar a Sociedade Francesa de Filosofia. Nela, Jacque Lacan perscruta sobre a relação dos mitos coma a estrutura concreta das sociedades primitivas, bem como realiza uma verdadeira reverência ao amigo e antropólogo, ressaltando a importância da relação destacada por ele entre mito e linguagem.Nos três citados textos, prevalece a tese segundo a qual a estrutura simbólica é predominante e antecede ao imaginário. Ou seja, o simbólico pré-existe ao sujeito e, é responsável por reger o social. O que isso quer dizer, senão que ao nascermos já encontramos um mundo constituído à nossa revelia e no qual somos convocados a traçar nossos próprios roteiros? Roteiros estes que colorimos com as nuances de nossos mitos fundadores e fantasias, esses que erigimos nas origens de nosso mundo subjetivo e que nos servem à explicação do que é puro nonsense, o Real. Tal se apóia, no entanto, na estrutura simbólica, da qual estrutura de parentesco serve, evidentemente, de referência.

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