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sábado, 3 de maio de 2008

Museu Nacional de Belas Artes (Rio). Nicolas-Antoine Taunay no Brasil - Uma Leitura dos Trópicos

03/05/2008 -
Grande retrospectiva reavalia Taunay
Redescoberto na França na segunda metade do século 20, reavaliado agora no Brasil, Nicolas-Antoine Taunay pode conquistar de fato uma posição de primeira ordem no panorama da pintura brasileira com a maior exposição já organizada no Brasil sobre sua obra, que abre nesta terça no Museu Nacional de Belas Artes (Rio).
O artista já havia integrado exposições esparsas ao longo do século 20 como membro da missão francesa, e 15 de suas telas haviam sido expostas na mostra "O Olhar Distante" (comemorações dos 500 anos), como destaque entre os pintores viajantes. Mas nada se compara à ambição da exposição "Nicolas-Antoine Taunay no Brasil -Uma Leitura dos Trópicos", que reúne 71 obras com curadoria de Lilia Moritz Schwarcz e co-curadoria de Rodrigo Naves e Elaine Dias. Além das telas que compõem o acervo do próprio museu e de outras instituições brasileiras, a produtora Maria Clara Rodrigues trouxe obras de Portugal, Inglaterra, EUA e França.
Os cinco módulos reproduzem as diferentes fases de produção do artista (França, Itália, Brasil e retorno à França), que chegou ao Brasil aos 60 anos já como um prestigiado membro do Instituto de França. E tratam dos diferentes aspectos de sua produção, em seções como "O Pintor de Paisagens e Gêneros", "O Pintor de História", "No Brasil" e "De Volta, mas com o Brasil na Bagagem".
As telas permitem acompanhar seu desenvolvimento dentro dos rígidos códigos do neoclassicismo, que foram consagrados na França revolucionária. Paisagista por vocação e pintor de telas pequenas, Taunay também transitou pelas grandes obras épicas ao gosto de Napoleão, sem deixar de matizá-las com comentários irônicos em pequenos personagens.
Representação idealizada
Ao vir ao Brasil, tentou seguir o cânone acadêmico, criando uma representação idealizada e rousseauniana da natureza e causando o estranhamento que o tornou uma figura ímpar, distante da repercussão conquistada por colegas como Rugendas, Clarac e Debret ao reproduzirem uma natureza exuberante. Uma exceção é o famoso quadro da Cascatinha da Tijuca (sua propriedade na época), em que se ironiza como personagem.
Mas isso não quer dizer que não tenha desenvolvido um importante e bem-sucedido esforço para incorporar e equilibrar a nova cena urbana, como aponta o crítico Rodrigo Naves em ensaio que integra o catálogo da exposição (org. de Lilia Schwarcz e Elaine Dias; ed. Sextante; 272 págs., R$ 98).
"Poucas vezes a natureza do país foi pintada de maneira tão recatada, absolutamente alheia à exuberância que se esperaria de um país exótico", diz Naves. Para Luciano Migliaccio, "a obra foi (...) importante para a recepção e reelaboração no Brasil de gêneros que deviam se tornar fundamentais para a formação da imagem do país, como a paisagem histórica".
Outros pontos interessantes evocados pela exposição são suas qualidades de retratista (na série das filhas de Carlota Joaquina, do Palácio de Queluz) e o curioso diálogo com Vermeer (no inusitado retrato de sua criada Jeanneton).
A partir de 17 de julho, a exposição se muda para São Paulo, na Pinacoteca do Estado, onde fica até 7 de setembro. O catálogo chega às livrarias nos próximos dias (além de Naves e Migliaccio, assinam os textos Claudine Lebrun Jouve, Luiz Marques, Pedro Xexéo, Raul de Taunay, Vera Beatriz Siqueira e Zuzana Paternostro).
Nicolas-Antoine Taunay no Brasil - Uma Leitura dos Trópicos
Quando: de 7/5 a 6/7/2008 (abertura na terça, para convidados); de ter. a sex., das 10h às 18h, sáb., dom. e feriados, das 12h às 17h
Onde: Museu Nacional de Belas Artes (av. Rio Branco, 199, Rio de Janeiro, tel. 0/xx/21/2240-0068)
Quanto: R$ 5 (ter. a sáb.), gratuita aos domingos

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