Agradecimento da visita ao Blog

Caro Visitante
Muito obrigado por visitar e participar do meu Blog.
Atenciosamente
Navegador Brasileiro Walter

domingo, 11 de maio de 2008

Corredor político e cultural

Corredor político e cultural

A República do Benfica. Assim era conhecido o Centro de Humanidades da UFC naquela época

O espaço localizado no cruzamento das avenidas 13 de Maio com a da Universidade, se estendendo até à Faculdade de Direito, concentrava grande parte das atividades e cursos da instituição nos anos 60.

´Era o centro das atividades políticas´, lembra Messias Pontes, ganhando destaque ainda maior no ano de 1968, considerado o auge do movimento estudantil no Brasil. O Clube dos Estudantes Universitários (CEU) fez história também no Ceará.

Não apenas por suas concentrações políticas, mas por suas festas também. Merece destaque também a Faculdade de Arquitetura. A Avenida da Universidade foi palco de passeatas históricas, sobretudo, durante o ano de 1968. As concentrações aconteciam na Praça José de Alencar, onde as lideranças falavam, seguindo para a Praça do Ferreira. Antes, uma parada também na Praça da Bandeira. No Centro, as pessoas jogavam papel picado, apoiando os estudantes que, nem sempre, eram compreendidos pela repressão política.

De mãos dadas, portando faixas e cartazes, com frases: ´Não ao Imperialismo´; ´O povo unido jamais será vencido´, entre outras, e cantando ´Pra não dizer que não falei de flores´, assim os estudantes do maio de 68 cearense escreveram a sua história naquele importante período.

A luta era diferente, mas a causa era única e justa: mais liberdade. E em todos os sentidos. Mais vagas nas universidades e melhores condições de ensino, bandeiras que continuam até hoje. Na realidade, eles tinham razão: ´A luta continua´.

O professor Edmilson Alves Júnior, cita as famosas passeatas dos bichos que saíram nos anos de 1960. A última foi em 1968. ´Eles escolhiam as rainhas dos cursos e transformavam numa grande festa´. Mas nem todos concordavam com esse pensamento, gerando conflitos, já que a ala mais engajada não gostava do clima de festa.

O professor compara as passeatas dos bichos com as calouradas de hoje. Alguns aproveitavam apenas para se divertir, outros, para protestar. Hoje, a grande questão é o que fazer com essa memória, diz, afirmando que o auditório da UFC se chama Castello Branco, o primeiro presidente militar.

Olhar para 68, hoje, só faz sentido se for sem saudosismo ou crítica. Assim, os estudantes de 68 não podem ser tachados de inconseqüentes ou anarquistas, nem tampouco ver o que deu errado. ´Isso não faz sentido´, diz Edmilson Alves Júnior.

A época era outra e o 68 não deve ser copiado, repetido e nem visto com uma aura de idealização. Hoje, as lutas são outras. Assim como nos anos 1970 a revolução cultural vai aparecer com mais força, passando pela discoteca, até chegar ao Rock dos anos 80, a luta do movimentos estudantil e social ganhou outras bandeiras.

Negros, homossexuais, mulheres, entre outras. ´Estamos todos no mesmo barco. Até mesmo no berço do maio de 68, a França, surgem hoje outros atores, como os migrantes. Não são mais apenas os operários franceses e nem os estudantes da Sorbonne que estão insatisfeitos na atual conjuntura mundial.

No embalo das utopias

Na França, os estudantes lutavam contra uma instituição educacional considerada retrógrada, levando em conta também a questão comportamental e da sexualidade. No Brasil, essas reivindicações vão se misturar a uma outra: a luta contra a ditadura, explica o mestre em História e professor do curso de História da Universidade Federal do Ceará (UFC), Edmilson Alves Júnior.

A derrota dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã(1959-1975), a Revolução Cubana e a luta das ex-colônias européias serviram de modelo para o movimento estudantil no Brasil e no Ceará. Embora o principal objetivo fosse lutar contra o regime autoritário, os estudantes eram influenciados por novas formas de comportamento.

A pílula anticoncepcional, por exemplo, era um componente, como lembra um dos representantes do nosso maio de 68 cearense, o arquiteto e compositor, Fausto Nilo, preso pela primeira vez no Congresso da Une, em Ibiúna, São Paulo. Fausto Nilo lembra que, naquela épocas, cada garota andava com a sua caixa de pílula anticoncepcional na bolsa.

Isso provocou uma mudança no comportamento das famílias. Muitas garotas passavam a noite fora com os namorados, sem precisar ter que casar depois, conta. Essas transformações provocaram choque cultural entre pais e filhos. ´Muitos pais colocavam as filhas para fora de casa´, lembra Fausto Nilo, que foi vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) na gestão de José Genoíno, em 1968.

O sonho embalado pelos jovens na primavera do maio de 68, chega ao fim no Brasil em dezembro, com o AI-5. As entidades estudantis foram colocadas na clandestinidade. Ou seja, não existia mais DCE, Centro Acadêmico (CA) e essas entidades só voltariam a funcionar em 1978. É quando os estudantes radicalizam. Alguns partem para a luta armada, as guerrilhas urbanas e outros se embrenham sertão adentro para participar da guerrilha do Araguaia.

Conforme Edmilson Alves Júnior, eles acreditavam que a construção de uma sociedade justa só seria possível através da revolução. Neste aspecto, não havia muito espaço para essa nova esquerda que só encontraria terreno propício nos anos 1970. A arte tinha que ser engajada, daí o movimento da Jovem Guarda e Roberto Carlos não serem vistos com bons olhos pelos jovens do nosso maio de 68.

´Eles preferiam Geraldo Vandré´ cuja música ´Pra não dizer que não falei de flores´ era o hino das passeatas do movimento estudantil. ´Eles tinham dificuldade para analisar´, afirma, vendo em Roberto Carlos um pouco da rebeldia dos anos 60. ´Ele usava cabelão´, diz, acrescentando que as músicas falavam de velocidade e algumas erampacifistas. Mas os estudantes não gostavam dele

Nenhum comentário: