Guerrilha - História de um líder do Araguaia
Movimento armado instalado no Sul do Pará a partir de 1968, a Guerrilha do Araguaia terminou de maneira trágica, com a morte da maioria dos 70 militantes enviados à região pelo PC do B (Partido Comunista do Brasil), para combater a ditadura militar, que comandava o país em 1964, depois de derrubar o presidente João Goulart. Embora tenha sido aniquilada pelo Exército brasileiro, que deslocou para combatê-la mais de 10 mil soldados, essa aventura até hoje suscita debates polêmicos e apaixonados, além de pairar no ar pergunta não-respondida pelas Forças Armadas, nem pelo governo: onde foram enterrados os corpos dos guerrilheiros e camponeses assassinados durante os combates, ou mesmo depois de terem sido capturados, quando não podiam oferecer mais nenhuma resistência?
Entre os militantes mortos, um dos que se tornou mais famoso foi um dos líderes da guerrilha, Oswaldo Orlando da Costa, o Oswaldão. Sete anos depois de ter chegado à região, com o objetivo de ir preparando o terreno para a luta, ele foi morto pelos militares, em 1972, dois anos antes de terminar a luta. Para desfazer sua fama de imortal, que circulava pelo Sul do Pará, inclusive entre alguns soldados, seu corpo foi exibido dependurado em um helicóptero do Exército, que sobrevoou boa parte da região. Oswaldão era negro, tinha cerca de 2 metros de altura, pesava mais de 100 quilos, calçava 48, e era atirador exímio. Com o tempo, aprendeu a conviver com os segredos da selva e fez amizade com os moradores.
Toda essa história está contada em detalhes no livro Oswaldão e a saga do Araguaia, que o jornalista Bernardo Joffily autografa segunda (dia 12), durante audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Minas Gerais para discutir o caso dos desaparecidos da guerrilha. Entre os debatedores, uma sobrinha de Oswaldão, Maria Elisa Orlando, e Sandra Brisolla, professora da Unicamp que estudou com o guerrilheiro na Universidade de Praga, na Tchecoslováquia, para onde ele teria ido, como bolsista, em 1961. Pouco antes disso, vivendo no Rio, chegou a ser campeão brasileiro de Box pelo Botafogo. De acordo com o autor, para realizar esse trabalho sobre Oswaldão, que nasceu em Passa Quatro, no Sul de Minas, em 1938, ele se baseou em reportagens, entrevistas, documentos e testemunho de pessoas que, de uma maneira ou outra estiveram envolvidas com o movimento, ou então conviveram com o guerrilheiro, antes ou depois de começar a luta. Joffily confessa também que, apenas no trecho inicial, “do bilhete, sucumbiu à tentação de usar a imaginação para dar vida às informações do livro Guerra de guerrilhas no Brasil, de Fernando Portela, e ao depoimento do ex-soldado Domingos Serafim de Souza”. No mais, tudo foi retirado da história ocorrida no Araguaia, cujos arquivos, segundo ele, “um dia serão abertos e virá à luz, de corpo inteiro, a guerrilha até hoje escondida como segredo infame do Estado ditatorial”.
OSWALDÃO E A SAGA DO ARAGUAIA - Livro de Bernardo Jofflily, Editora Expressão Popular, 128 páginas, R$ 12. Lançamento segundo (dia 12) de maio de 2008, a partir das 19h, no Auditório da Assembléia Legislativa, Rua Rodrigues Caldas, 30, Santo Agostinho. Entrada franca.
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