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quinta-feira, 8 de maio de 2008

Pegos na mentira: especialista ensina a identificar dissimulações em jovens - Sinais corporais e de linguagem entregam os mentirosos

Pegos na mentira: especialista ensina a identificar dissimulações em jovens - Sinais corporais e de linguagem entregam os mentirosos

RIO - A cada quatro vezes que as pessoas entram em contato com as outras, em pelo menos uma contam uma mentira. Significa que mentimos em 25% do tempo. A descoberta está no livro "Como identificar a mentira", da psicóloga e professora Mônica Portela, recém-lançado pela editora Quality Mark. A especialista revela que pegar um mentiroso no flagrante não é assim tão difícil. Principalmente os mais jovens, que são mestres em dar pistas.
Dê um presente para uma criança e mate a charada: ela realmente gostou? É fácil descobrir. Basta analisar se seu sorriso é autêntico. E na sala de aula, consegue apontar os estudantes que estão colando na prova? Preste atenção aos seus movimentos e surpreenda o espertinho. A psicóloga explica que, na infância, ocorrem dois fenômenos: as crianças dão mais bandeira na hora de mentir, porém, são mais sensíveis para identificar a mentira nos adultos. Aprenda mais dicas na entrevista a seguir.
Crianças costumam ser rotuladas de autênticas, puras e ingênuas, mas não escapam da mentira. Qual a idade em que a dissimulação fica mais aparente?
Mônica Portella: Uma criança de 2 anos já mente, mas muito mal. Os mais novos dão mais pistas. Por exemplo, um menino que mente dizendo que sua irmã bateu nele começa a berrar, mas não consegue chorar. Ou, se não quer comer, fala que a comida está ruim. Na fase pré-escolar (3-4 anos), as crianças aprendem a ter um controle maior sobre seus gestos, posturas e expressões faciais. A partir dos 5, 6 anos, a maior parte delas já é capaz de relatar quando e por que precisa mentir sobre suas emoções e entende como isso afeta outras pessoas.
O comportamento dos pais pode incentivar uma criança a mentir?
À medida que elas são socializadas, aprendem o que devem ou não expressar nas várias situações, inibindo sua espontaneidade. Durante o ensinamento das regras de convivência, muitas vezes os pais fazem a criança esconder que está decepcionada. Se ela ganha um presente que não gostou e verbaliza isso, os pais logo rebatem: "Gostou sim, meu filho!". A partir daí, ela entende que tem que esconder o verdadeiro sentimento. E se tiver que dar um sorriso nestas circunstâncias - o que acontece mais com as meninas - vai soar falso.
O que é mais difícil: mentir com o rosto ou com as palavras?
Nos adultos, é mais fácil esconder a mentira com as palavras, depois com o rosto. O mais difícil é ter consciência de nossa postura corporal. As crianças têm menos controle, principalmente do rosto. A expressão fica torta: uma parte mostra raiva e a outra, tristeza. Isso acontece, por exemplo, quando ela morre de vontade de pular no pescocinho do irmãozinho, mas não é adequado mostrar para a mãe. No discurso mentiroso, um gesto muito usado é esconder a boca com as duas mãos. Em certos casos, ela começa a falar a verdade, se dá conta de que não pode e tenta corrigir. A emenda acaba saindo pior do que o soneto. Ou então ela revela o que não podia contar, mas aí já é tarde demais.
A mentira acaba se tornando uma necessidade?
As crianças geralmente mentem por medo de sofrer alguma sanção. As que são de família de nível socioeconômico mais baixo podem dizer que têm um brinquedo que na verdade não é delas, ou que moram num lugar diferente da realidade. Elas temem ser rejeitadas pelos amiguinhos.
No seu livro, há um trecho que diz que as crianças têm mais facilidade do que os adultos para perceber a mentira...
Parece que elas têm um sexto sentido. Não adianta papai e mamãe esconderem que estão se separando e contarem uma história da carochinha. Os filhos percebem e a dissimulação dos pais tende a gerar ainda mais insegurança nas crianças. Outra cena comum é a filha perguntar: "Mamãe, por que você está triste?". Se ela responder que não está, a filha certamente vai rebater: "Está sim!". Com 4, 5 anos, as crianças já sabem colocar os pais contra a parede. Elas não têm papas na língua.
Muitos adolescentes se acham espertos quando tentam colar nas provas. Que gestos poderiam denunciá-los?
Os professores já conhecem a personalidade de seus alunos. E podem identificar que um estudante quer colar quando ele olha muito para quem toma conta da prova, tende a se mexer mais na carteira e colocar a mão na cabeça. É preciso, no entanto, cuidado para não confundir os sinais típicos de quem está colando com os de um estudante que está apenas nervoso e ansioso com o exame.
Como os professores devem lidar com os estudantes que mentem em sala de aula?
É importante não expor o jovem na frente de seus colegas. Numa situação de furto, por exemplo, o professor deve conversar com o aluno e fazer com que ele devolva o objeto. Mostrando as conseqüências sim, mas sem expor a pessoa ao ridículo. Os pais também devem ficar atentos na hora de reprimir seus filhos. Em vez de afirmar "você é um mentiroso", diga que a criança errou naquele momento e que não deve mais mentir. Do contrário, a criança ficará rotulada como mentirosa e terá sua auto-imagem destruída. Por isso, devemos criticar o comportamento e não a pessoa.
Sinais corporais e de linguagem entregam os mentirosos
RIO - Após analisar mais de 80 vídeos durante quase cinco anos de pesquisas sobre mentira, a psicóloga Mônica Portella, que atualmente se dedica ao pós-doutorado sobre mentira na PUC-Rio, chegou às seguintes conclusões: todos mentimos e todos quando mentem "entregam" sua falsidade através de um padrão gestual que, inconscientemente, é repetido. Logo, sabendo identificar o comportamento corporal do mentiroso, é possível pegá-lo no primeiro deslize.
- Não é preciso ser especialista no assunto para desmascarar, durante uma conversa, uma pessoa que está mentindo. Qualquer um pode desenvolver essa capacidade, basta receber um treinamento simples - garante a psicóloga, que lançou este mês o livro "Como identificar a mentira - sinais não-verbais da dissimulação" (editora Qualitymark).
Mônica conta que nos Estados Unidos é muito comum as pessoas procurarem cursos de treinamento para detectar mentirosos, uma demanda que começa a crescer também por aqui.
- No Brasil, qualquer um pode fazer este tipo de curso em clínicas especializadas. O treinamento funciona. Pesquisas mostram que pessoas comuns, após o curso, são capazes de identificar mentiras com 80% de acerto - garante Mônica.
Para tristeza de quem pretende pegar na mentira o parceiro, ou parceira, esse índice de acerto cai para 20% quando as pessoas estão emocionalmente envolvidas na situação.
Segundo Mônica, as mulheres normalmente dão mais sinais de que estão mentindo. Ou seja, seriam piores mentirosas e mais vulneráveis a serem desmascaradas.
- Para compensar, os homens se saem bem pior do que as mulheres quando tentam detectar um mentiroso - brinca a pesquisadora.
Mentirosos compulsivos também cometem deslizes
Apesar de não haver, segundo Mônica, um tipo de personalidade que tenda a mentir mais, pessoas que precisam lidar muito com o público acabam desenvolvendo uma melhor habilidade para mentir, já que aprendem a controlar as emoções. Mesmo assim, até os mentirosos compulsivos - praticamente profissionais na arte de mentir - cometem seus deslizes.
- Apenas os psicopatas conseguem falar inverdades sem demonstrar qualquer sinal. É uma característica da doença. Fora esse caso específico, todos têm seu gestual de mentira - explica a psicóloga.
No livro, Mônica mostra como funciona a comunicação não-verbal na hora da mentira, diz que sinais são mais comumente usados por mentirosos e ensina formas de detectá-los sem fazer confusão com gestos que denotam ansiedade ou tensão, por exemplo.
- É importante saber fazer essa diferença porque um ansioso pode adotar certos padrões de comunicação não-verbal que se confundem com os da mentira. É importante analisar o comportamento como um todo, sem se prender a movimentos isolados - ensina.
Antes de sair à caça de mentirosos, vale a pena pesar se isso realmente trará benefícios. Porque, lembra Mônica, "se ficarmos preocupados em descobrir todas as pessoas que nos falam mentiras ao longo do dia corremos o risco de nos decepcionarmos muito".

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