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quinta-feira, 15 de maio de 2008

Embarcação do séc. XVI na Namíbia

Embarcação do séc. XVI na Namíbia

Em vez de diamantes foi encontrada uma embarcação com 500 anos, que provavelmente seguia em direcção à Índia.
Quando as máquinas da Namdeb Diamond Corp. removiam areia a 12 km a norte de Oranjemund e a cerca de 200 m da costa, numa área previamente posta a seco, deu-se o achado.
Os geólogos da empresa mineira começaram por ver alguns lingotes e logo depois o arqueólogo da Namdeb, Dieter Noli, chamado ao local, encontrou o que pareciam ser canhões.
Depois foram aparecendo os outros vestígios do naufrágio: madeiras, moedas de ouro cunhadas em Portugal e na Espanha, canhões, lingotes de cobre, dentes de elefante, dois astrolábios...
Pela carga transportada, o navio seria provavelmente uma nau portuguesa que seguia para a Índia, embora estivesse fora da rota normal.
As naus da Carreira da Índia na viagem de ida seguiam pelo largo até ao Cabo da Boa Esperança e só no regresso navegavam paralelamente à costa africana, aproveitando os ventos favoráveis e a corrente de Benguela.
Windhoek toma conta
As moedas encontradas são já mais de duas mil e servem para uma datação muito aproximada da altura em que ocorreu o naufrágio, que terá sido o segundo quartel do século XVI.
O governo da Namíbia já chamou para si a responsabilidade directa da escavação tomando medidas para que o sítio arqueológico não seja perturbado e entrou em contacto com o governo português. No início do séc. XVI praticamente só os portugueses percorriam aquelas paragens, pelo que Windhoek contactou Lisboa para que enviasse especialistas para estudarem o achado.
O responsável pela arqueologia náutica portuguesa, Francisco Alves, considera que, se for uma nau da Carreira da Índia, se está perante uma descoberta de valor incalculável.
Francisco Alves, que dirige a Divisão de Arqueologia Náutica e Subaquática (DANS) do Ministério da Cultura, já fez um relatório com base nas notícias e fotos a que teve acesso.
O arqueólogo considera que neste momento é importante acautelar a hipótese do navio ser português e garantir que a peritagem no local possa ser acompanhada por especialistas nacionais.
Teorias
Entre os peritos, praticamente todos estão de acordo quanto à provável nacionalidade portuguesa do navio.
Mas há divergências quanto ao seu posicionamento quando naufragou: dirigia-se para a Índia ou efectuava a torna-viagem de regresso a Portugal? O historiador Francisco Contente Domingos, ainda na posse de poucos dados, disse que '... para ter naufragado ali, só podia ter vindo da Índia, porque os barcos que iam para lá não tomavam aquela rota'.
Mas Filipe Vieira de Castro, professor de arqueologia numa universidade americana, com base na carga encontrada defende uma posição contrária.
'Os lingotes de cobre costumavam ser trocados por pimenta e as presas de elefante podiam ter sido levadas de Lisboa para serem trabalhadas na Índia', sustenta Vieira de Castro.
Caçadores de tesouros
A embarcação encontrada na costa da Namíbia já sofreu bastante em resultado de 500 anos debaixo do mar e agora com a agressão das máquinas escavadoras.
Mas os destroços estão, para já, a salvo da acção dos grupos de caça ao tesouro que tanta destruição têm provocado.
São empresas que, sob a capa de uma actividade arqueológica e por vezes com arqueólogos de renome nos seus quadros, procuram nos navios naufragados tudo o que possa ter valor comercial. Nos últimos meses os media de todo o mundo têm noticiado a história da recuperação de uma enorme quantidade de moedas por uma empresa americana.
Calcula-se que esta empresa, a Odyssey Marine Exploration, tenha recuperado um tesouro avaliado em 500 milhões de dólares em moedas e outros artefactos de um local que mantem secreto.
A Espanha diz que se tratava de um navio espanhol, o Nuestra Señora de las Mercedes, afundado em 1804 ao largo do Cabo de Stª Maria, no Algarve, e exige a devolução de tudo.
Cabo Verde e Moçambique
Também as águas territoriais dos PALOPS têm sido alvo da cobiça dos caçadores de tesouros de uma empresa denominada Arqueonautas.
Primeiro em Cabo Verde, durante vários anos vasculharam as águas e dos achados destaca-se um astrolábio, exemplar único banhado a prata, que juntamente com outros artefactos foi vendido num leilão em Londres.
Depois as atenções viraram-se para Moçambique, onde celebraram um acordo com o governo para explorar uma vasta extensão de costa.
Desta actividade pouco é do conhecimento público para além dos objectos de ouro e porcelana chinesa Ming que foram leiloados na Holanda. Relativamente ao navio naufragado da Namíbia parecem estar a ser seguidos os procedimentos correctos tendo uma delegação do governo já visitado o sítio.
O local encontra-se numa zona diamantífera controlada pela Namdeb e com acesso interdito sem autorização especial.
Segundo a imprensa namibiana, as leis do patrimônio do país estipulam que os destroços do navio e a sua carga pertencem ao governo do país.

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