Caros,
Seguem detalhes sobre a construção de instrumentos que serão
entregues pelo Governador José Serra ao Príncipe Herdeiro Naruhito,
do Japão. Caso necessitem de fotos dos instrumentos, basta solicitar.
Obrigada,
Deise Juliana
(15) 32514573 - ramal 220
(15) 97826940
Príncipe japonês receberá instrumentos do Conservatório de Tatuí
Entrega será feita pelo Governador José Serra, durante celebração
do centenário da imigração japonesa
Um violino e uma viola construídos por alunos de luteria do
Conservatório de Tatuí serão entregues, como presentes especiais,
ao Príncipe Herdeiro Naruhito, que representará o Imperador do
Japão em visita oficial ao Brasil como parte das celebrações do
centenário da imigração japonesa. Os instrumentos serão entregues
pelo próprio Governador José Serra, na chegada do Príncipe Naruhito
ao país.
Sob supervisão dos luthiers Luigi Bertelli e Izaias de Oliveira,
alunos do cursos de luteria (um dos raros gratuitos no país)
produziram os instrumentos. Foram necessários quatro meses para
produzi-los, num total de 12 estudantes envolvidos.
O diferencial dos instrumentos é que ambos foram produzidos
exclusivamente com madeira brasileira. A utilização de madeira
brasileira na fabricação de instrumentos de cordas iniciou no
Conservatório de Tatuí, com estudos do já falecido luthier Enzo
Bertelli, italiano respeitadíssimo na profissão e citado na
“Bíblia dos Luthiers”, de Cremona (Itália).
Para a Sua Alteza Imperial será oferecida uma Viola cor mel, tamanho
40 (cm), tendo tampo produzido com Pinho Araucária (Araucária
angustifólia) e fundo produzido com Grumixaba (Eugenia brasiliensis).
Já a Princesa Aiko receberá um violino, tamanho 4/4, que também
teve tampo produzido com Pinho Araucária (Araucária angustifólia) e
fundo produzido com Grumixaba (Eugenia brasiliensis). A cor é
“pinhão”.
A visita oficial do Príncipe Herdeiro está sendo organizada pelo
Governo de São Paulo, pela missão precursora da Casa Imperial
Japonesa e Governo Japonês. Pelo governo brasileiro participam as
autoridades do Ministério das Relações Exteriores do Japão e do
Brasil (Itamaraty) e os consulados sediados em São Paulo. Foi esse
grupo que escolheu os instrumentos a serem produzidos. A viola é o
instrumento predileto do Imperador Japonês. O violino, que será
entregue à Princesa Aiko, de oito anos, simbolizará a continuidade
de músicos na Corte Imperial Japonesa.
O Conservatório
O Conservatório de Tatuí é uma Organização Social da Cultura
ligada à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Trata-se da
maior escola de música com ensino gratuito da América Latina, focada
na formação e difusão musical. Fundado há 53 anos, oferece 29
cursos distintos a mais de 3 mil alunos, além de manter grupos
artísticos e pedagógicos de nível profissional. Um de seus
diferenciais é o curso de luteria, fundado em 1982. Totalmente
gratuito, o curso forma alguns dos mais importantes luthiers
brasileiros.
O curso de luteria foi criado no Conservatório de Tatuí, em 25 de
agosto de 1980, tendo como professores Enzo e Luigi Bertelli. O
conteúdo teórico do curso (noções de física, acústica e desenho)
é ministrado juntamente com a parte prática, com duração de quatro
anos, além de um ano de preparatório.
Em 1983, o Conservatório de Tatuí solicitou do IPT (Instituto de
Pesquisas Tecnológicas) do Estado de São Paulo, o desenvolvimento de
um estudo das madeiras brasileiras em substituição às européias
tradicionais, que são utilizadas na construção de instrumentos
musicais da família do violino. O mesmo baseou-se na comparação das
propriedades anatômicas, físico-mecânicas e acústicas das
madeiras, resultando em uma lista de 10 madeiras com grande
potencialidade para substituir as importadas.
Entre estas, estão o Pinho do Paraná, a Grumixava e o Pau-ferro, as
quais são utilizadas para a construção dos primeiros violinos dos
alunos. Além das madeiras nacionais, são utilizadas também madeiras
importadas, tais como o acero balcânico, o abeto alemão e o ébano
africano. Os alunos do curso aprendem a construir violinos, violas,
violoncelos e os arcos destes instrumentos.
Os estudos que resultaram na bem sucedida substituição das madeiras
foram cercados de muitos cuidados. Inéditas no país, as pesquisas
foram subsidiadas pela Funarte (Fundação Nacional de Arte) e
capitaneadas pelo liutaio Enzo Bertelli. Italiano de renome
internacional, Bertelli tem trabalho catalogado no Dicionário
Universal dos Luiteres e na Enciclopédia da Tchecoslováquia –
espécies de Bíblias da profissão muito rara e que exige precisão e
dedicação.
Pronto para enfrentar o desafio de implantar o curso com a
utilização de novas madeiras, Enzo e o filho Luigi (então estudante
de engenharia que estava freqüentando o curso de luteria no Instituto
Professionale Internazionale per L’Artigianato Lutario e Del Legno,
de Cremona, sem similares no mundo) foram os responsáveis pelo
desenvolvimento da importantíssima arte e técnica da fabricação,
reparação e manutenção de instrumentos de arco no Estado, nos
moldes da mais famosa e tradicional escola do mundo.
Além da formação de liutaios, a implantação do curso no
Conservatório de Tatuí representou uma espécie de independência do
Brasil – à época, o país dependia de matéria-prima importada. A
importância do curso em Tatuí está representada na própria
história da liuteria no Brasil: Enzo Bertelli conseguiu provar que
era possível construir violinos de autoria brasileira em nada
inferiores aos importados e com um custo menor.
Hoje, o curso é ministrado por Luigi Bertelli e Izaias Batista de
Oliveira.
O estudante do curso de luteria forma-se com conhecimento completo e
domínio de uma das profissões mais raras no mundo.
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