Brasil abre portas do teatro para outros países de língua portuguesa
RIO - Começa nesta quarta-feira, dia 4 de junho de 2008, no Rio, a primeira edição do Festlip, festival de teatro da língua portuguesa, que reunirá dez oficinas teatrais, duas de cada dos cinco países participantes do projeto: Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal. A organizadora do projeto, Tânia Pires, e o curador da exposição sobre a história do teatro brasileiro (uma das atividades paralelas do festival), Álvaro de Sá, conversaram com o JB Online sobre a escolha do Brasil como sede do evento, a cena teatral falada em português, as diferenças culturais dos países participantes, planos para as próximas edições, e a importância de um festival como esse para integração da cultura da língua portuguesa.
JB Online- Entre os cinco países envolvidos no festival, por que a escolha do Brasil como sede da primeira edição do evento?
Tânia Pires: Porque a Talu Produções, idealizadora e realizador do projeto, é uma produtora brasileira e acredito que o público daqui seja bastante receptivo. A proposta é que a cada ano o Festlip se torne itinerante e que os países de língua portuguesa participantes possam ser palco das próximas edições. No ano que vem, temos planos para fazer a abertura no Rio de Janeiro e em seguida partir para Portugal.
JB Online- Apesar da língua em comum, Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Angola apresentam muitas diferenças culturais. Qual a importância de um festival como esse para promover intercâmbio cultural entre os países participantes?
Tânia Pires: O Festlip surge com a idéia de unificar através do teatro as singularidades de cada país e conseguir formar uma linguagem própria das artes cênicas da língua portuguesa.
JB Online- A mostra reúne um histórico do teatro brasileiro. O que mudou em nossa arte desde as casas de ópera do séc. XVIII, em termos de técnicas e estruturas?
Álvaro de Sá (curador da exposição O teatro no Brasil e a chegada da família real): Houve uma enorme mudança com relação à produção das peças de teatro. Nas casas de ópera do século XVIII existia um ator empresário que gerenciava a companhia de teatro e conseguia manter os seus custos apenas com a bilheteria. Atualmente, as produções são em grande maioria sustentadas pelos patrocinadores. Também temos uma mudança na forma de expressão teatral, no passo que hoje em dia os gestos são muito mais sutis e subjetivos. No século XVIII, as interpretações eram muito mais móveis e extremamente expressivas.
JB Online- Os outros países são marcados por sotaque bem diferente do nosso; será que o público brasileiro não terá problemas para entender os atores?
Tânia Pires: No geral não, porque o teatro é uma arte que além da linguagem se comunica pela expressão corporal, o que anula essa possível dificuldade de compreensão da língua portuguesa que no todo tem muita semelhança. Assim como o português de cada país tem um sotaque particular, podemos encontrar essa diferença nos grupos de teatro brasileiro. Temos um grupo de teatro de Pernambuco e outro de Curitiba. Ambos falam literalmente a mesma língua, porém de maneiras completamente diferentes.
JB Online- Qual a importância da música e da gastronomia dentro de um festival de teatro?
Tânia Pires: É extremamente importante promover o intercâmbio cultural entre todas as formas de arte dos países de língua portuguesa. A culinária é uma arte de expressão que desperta curiosidade de todos e pode promover esse encontro. A música cria a possibilidade de um grupo interagir com o outro simultaneamente. Os músicos estarão livres no palco para suas apresentações.
JB Online- É possível afirmar que o teatro brasileiro tem uma receptividade maior em outros países de língua portuguesa do que estes têm por aqui?
Tânia Pires: Não. Esse intercâmbio existe, mas não é fomentado. Ainda não temos instrumentos e incentivos para trazer grupos estrangeiros de língua portuguesa para cá e vice-versa. O Festlip surge com essa iniciativa.
O Festival de teatro da língua portuguesa acontece no Rio até o dia 15 de junho. Além das diversas peças que serão apresentadas, a programação ainda inclui gastronomia, música, palestras e oficinas de teatro. A programação oficial está disponível no site oficial da companhia, o http://www.talu.com.br/festlip.
Países de língua portuguesa mostram sua cena teatral no Festlip
RIO - Com a proposta de promover intercâmbio cultural entre os falantes da quinta língua mais falada no mundo, e a terceira mais falada no mundo ocidental, começa nesta quarta-feira no Rio a primeira edição do Festlip, festival de teatro da língua portuguesa. O evento, que vai de 4 a 15 de junho, reunirá dez companhias de teatro, duas de cada um dos cinco países participantes que têm o português como idioma oficial: Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal.
Paralelamente às apresentações, marcadas para acontecer nos próximos dois finais de semana em teatros no Centro e em Copacabana, o festival ainda conta com festas no Circo Voador, degustação gastronômica na boate 00, mostra histórica no Sesc Copacabana (que conta às origens do teatro brasileiro, das casas de ópera do séc. XVIII até os dias atuais), palestras com profissionais do meio, oficinas teatrais para os atores do festival e aberto aos espectadores e uma leitura dramatizada do texto vencedor em 2007 do Prêmio Luso-Brasileiro de Dramaturgia Antônio José da Silva.
Marcado por interatividade, o festival dará aos espectadores a opção de votar em sua peça preferida e com isso eleger o grupo vencedor do festlip, que será anunciado na cerimônia de encerramento do festival, no domingo, dia 15.
O grupo pernambucano Tropa do Balaco Baco apresenta o primeiro espetáculo do festival, “A paixão e a sina de Mateus e Catirina”, no próximo dia 6. No mesmo dia também estréiam nos palcos do festival o grupo de Curitiba (o outro representante brasileiro) com a peça “Capitu Memória Editada” e o grupo Gungu, direto de Moçambique, com o espetáculo “Mulheres com H Maiúsculo”.
No sábado, dia 7, o primeiro espetáculo da noite fica por conta grupo Henrique Artes, de Angola, que traz a peça “Côncavo e Convexo”. Também estréiam no festival neste dia os grupos portugueses O Bando e o grupo da Garagem com os espetáculos “Luto Clandestino” e “A hora do arco-íris”, respectivamente.
No domingo, dia 8, diretamente de Cabo Verde, se apresentam o grupo teatral do Centro Cultural Português do Mindelo com o espetáculo “O doido e morte”, além do Grupo Raiz di Polon, com os espetáculos “Duas sem três” e “Dom Quixote das Ilhas”. Também na programação do dia está o grupo Etu-Lene, da Angola, com o espetáculo “Atiraram o velho Katy-Ngotè para sua última morada”. Na quinta-feira seguinte, dia 12, é a vez do Grupo Mutumbela Gogo, Moçambique, estreiar no festival com o espetáculo “As filhas de Nora”. Todas as peças serão reapresentadas em outros dias e horários para que os espectadores tenham a chance de assistir um maior número de espetáculos.
Com ingressos das peças a preços populares, e entrada franca para as outras atividades culturais o primeiro festival de teatro da língua portuguesa estima reunir um público de 12.000 pessoas e m 11 dias de evento. A programação completa do festival, com dias, horários, preços e locais, está disponível no site oficial do evento, http://www.talu.com.br/festlip.
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