NOVA REFORMA ORTOGRÁFICA VEM AÍ
Dependendo da ratificação pelos respectivos governos, houve, em 1990, um acordo ortográfico entre os países de língua portuguesa: Brasil, Portugal, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique. Quatro desses países ratificaram o acordo: Brasil, Portugal, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe. Aguarda-se, pois, a decisão de Guiné-Bissau, Angola e Moçambique para o acordo vigorar plenamente.
Não vamos entrar no mérito do assunto. Se é favorável ou não. Queremos, apenas, expor a nossos leitores as alterações que ocorrerão entre o modelo vigente e o proposto.
1. ALFABETO ¬ Nosso alfabeto passa a ter 26 letras, com a inclusão de “k”, “y” e “w”.
2. HÍFEN ¬ a) Não será mais usado, se o segundo elemento começar por “r” ou “s”. Em compensação, serão dobrados os erres e esses. Exemplos: Pseudorrevelação, ultrassensível.
b) O hífen também não será usado, se o primeiro elemento terminar em vogal e o segundo começar com uma vogal diferente daquela com que terminou o primeiro. Exemplo: autoeducação, extraoficial. Mas: pré-história, super-homem, micro-onda. Exceção: quando o “r” vem do prefixo (hiper, inter, super), o hífen é mantido.
3. ACENTO CIRCUNFLEXO ¬ a) Não será mais usado nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos crer (eles creem) dar (que eles deem), ver (eles veem) e seus derivados. Mas permanece para distinguir o singular do plural em: Ele tem ¬ eles têm; Ele vem - eles vêm.
b) Também não mais será usado o acento circunflexo em palavras terminadas com o ditongo oo. Exemplos de como vão ficar: eu enjoo, eu voo, o enjoo, o voo.
c) O acento circunflexo permanece em PÔDE e fica facultativo em “fôrma” (diferencial de forma = verbo) e “dêmos” (presente do subjuntivo) e desaparece em pera (fruta).
4. a) ACENTO AGUDO ¬ Não mais será usado nos ditongos abertos eia e oia. Vão ficar assim: plateia, joia, assembleia, ideia, jiboia, alcaloide.
b) Mas, permanece em lençóis, herói, ilhéu, farnéis, chapéus, corrói, papéis.
c) O “u” tônico dos verbos argüir e redargüir não levará acento.
Ex.: Arguem (e não argúem).
d) O acento agudo será facultativo em amámos (amamos ¬ verbo ¬ pretérito perfeito) e louvámos (louvamos ¬ verbo ¬ pretérito perfeito).
5. ACENTO AGUDO DIFERENCIAL ¬ Desaparece entre palavras paroxítonas homógrafas. Ex.: para (do verbo parar), pela (do verbo pelar), polo (substantivo).
6. TREMA ¬ Deixará de existir, a não ser em nomes próprios. Vão ficar assim: aguentar, eloquente. Mas, a pronúncia continua a mesma: “agüentar”, “eloqüente”.
7. MAIÚSCULAS ¬ É facultativo grafar os títulos com todas as iniciais em maiúscula (exceto monossílabas) ou apenas com o primeiro elemento e os substantivos próprios em maiúscula. Ex: O Menino de Caculé/ O menino de Caculé.
8. DIFERENÇAS ¬ Em Portugal, ainda se escreverá António (aberto).
E também fato (= roupa) e facto
(= acontecimento).
NOTA: Depois de ratificado o acordo por todos os países que o assinaram, cada um determinará o prazo a partir do qual entrará em vigor a nova ortografia oficial.
ATENÇÃO! Como foi dito, essas alterações não entraram em vigor e não se sabe quando entrarão. Por enquanto, tudo continua como dantes, no quartel de Abrantes...
PEGADINHAS:
“O professor incentiva os alunos a serem diligentes.” Está certo?
Resposta de domingo passado:
O certo é: “Ele vive à custa do pai”. A palavra custas, no plural, significa despesas processuais.
Gratos a todos pela colaboração.
Por hoje, é só.
Até o próximo domingo!
Albino de Brito Freire é juiz aposentado, da Academia Paranaense de Letras.
Leopoldo Scherner é da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.
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