Caro Senhor
Informo nossa participação no programa Globo Repórter, Walter e Jóca no dia 19 de setembro de 2008. Veja a gravação e informe os amigos.
http://globoreporter.globo.com/Globoreporter/0,19125,VGC0-2703-20190-4-329033,00.html
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Walter e Jóca
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Guarulhos - São Paulo – Brasil
terça-feira, 23 de setembro de 2008
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
O que seria escrever "sem dificuldade"?
O que seria escrever "sem dificuldade"
Odilons Soares Leme
Especial para a Folha de S. Paulo
Em recente edição, uma revista de circulação nacional afirmou, a respeito de programas de alfabetização de jovens e adultos, que "a maior parte dos alunos logra pouco mais que aprender a traçar o próprio nome, pois não segue estudando". Isso ajuda a entender um dado estatístico apresentado na mesma matéria: "Para a maioria dos brasileiros, ler o nome de uma rua ou escrever uma lista de compras são tarefas impossíveis. (...) apenas 26% da população com idade entre 15 e 64 anos consegue ler e escrever sem dificuldades".
Pode ser problemático estabelecer os limites do que se considera "ler e escrever sem dificuldade". De qualquer modo, aferir se o candidato está ou não dentro desses limites é a finalidade da prova de língua portuguesa, com destaque para a redação, nos exames vestibulares.
O que constrange, porém, é verificar, nos meios de comunicação, sinais claros de "dificuldades" inadmissíveis em quem tem o falar e escrever como profissão. Daí a declaração enfática do poeta Ferreira Gullar em recente crônica (Ilustrada, 9/10): "Decididamente, não aceito que se dê como certo escrever nos jornais e falar na televisão coisas como "as milhões de pessoas" ou "um dos que fez"." É sintomático que as duas expressões dadas como "exemplos" derrapem exatamente no terrenos da concordância. O gênero masculino do substantivo milhão exigiria os milhões de pessoas; o plural de dos (= daqueles) exigiria um dos que fizeram.
Mas há exemplos mais dolorosos, porque mais graves e canhestros, como "(...): executivos da montadora são acusados de pagar prostitutas brasileiras para participarem de festas, na qual políticos alemães também estariam presentes". Festas, na qual?!
Se há uma questão de concordância em que os professores se esmeram é a que focaliza a construção da voz passiva sintética. O famoso "vende-se casas" é devidamente execrado e corrigido. Como o verbo vender é transitivo direto e o se é pronome apassivador, o sujeito é casas.
Portanto o correto é vendem-se casas, equivalente da passiva analítica casas são vendidas. Mas parece que alguns faltaram a essa aula, e então encontramos num jornal "Os moradores da rua Manuel Morais Pontes estão comovidos. Por lá, só se ouve elogios ao clã". Se por lá só são ouvidos elogios, então por lá só se ouvem elogios.
Será que se pode dizer que quem escreve assim escreve sem dificuldade?
publicado no http://vestibular.uol.com.br/ultnot/resumos/ult2772u65.jhtm
Odilons Soares Leme
Especial para a Folha de S. Paulo
Em recente edição, uma revista de circulação nacional afirmou, a respeito de programas de alfabetização de jovens e adultos, que "a maior parte dos alunos logra pouco mais que aprender a traçar o próprio nome, pois não segue estudando". Isso ajuda a entender um dado estatístico apresentado na mesma matéria: "Para a maioria dos brasileiros, ler o nome de uma rua ou escrever uma lista de compras são tarefas impossíveis. (...) apenas 26% da população com idade entre 15 e 64 anos consegue ler e escrever sem dificuldades".
Pode ser problemático estabelecer os limites do que se considera "ler e escrever sem dificuldade". De qualquer modo, aferir se o candidato está ou não dentro desses limites é a finalidade da prova de língua portuguesa, com destaque para a redação, nos exames vestibulares.
O que constrange, porém, é verificar, nos meios de comunicação, sinais claros de "dificuldades" inadmissíveis em quem tem o falar e escrever como profissão. Daí a declaração enfática do poeta Ferreira Gullar em recente crônica (Ilustrada, 9/10): "Decididamente, não aceito que se dê como certo escrever nos jornais e falar na televisão coisas como "as milhões de pessoas" ou "um dos que fez"." É sintomático que as duas expressões dadas como "exemplos" derrapem exatamente no terrenos da concordância. O gênero masculino do substantivo milhão exigiria os milhões de pessoas; o plural de dos (= daqueles) exigiria um dos que fizeram.
Mas há exemplos mais dolorosos, porque mais graves e canhestros, como "(...): executivos da montadora são acusados de pagar prostitutas brasileiras para participarem de festas, na qual políticos alemães também estariam presentes". Festas, na qual?!
Se há uma questão de concordância em que os professores se esmeram é a que focaliza a construção da voz passiva sintética. O famoso "vende-se casas" é devidamente execrado e corrigido. Como o verbo vender é transitivo direto e o se é pronome apassivador, o sujeito é casas.
Portanto o correto é vendem-se casas, equivalente da passiva analítica casas são vendidas. Mas parece que alguns faltaram a essa aula, e então encontramos num jornal "Os moradores da rua Manuel Morais Pontes estão comovidos. Por lá, só se ouve elogios ao clã". Se por lá só são ouvidos elogios, então por lá só se ouvem elogios.
Será que se pode dizer que quem escreve assim escreve sem dificuldade?
publicado no http://vestibular.uol.com.br/ultnot/resumos/ult2772u65.jhtm
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LÍNGUA PORTUGUESA
Bibliotecas do Mundo
Bibliotecas do Mundo
Biblioteca Apostólica Vaticana - biblioteca que possui um arquivo
secreto: bav.vatican. va
Biblioteca Central - localize os livros das bibliotecas da UFRGS:
www.biblioteca. ufrgs.br
Biblioteca del Congreso - item Expo Virtual mostra alguns tesouros
dessa biblioteca argentina: www.bcnbib.gov. ar
Biblioteca Digital Andina - Bolívia, Colômbia, Equador e Peru estão
representados: www.comunidadandina .org/bda <
http://www.comunida dandina.org/ bda>
Biblioteca Digital de Obras Raras - livros completos digitalizados,
como um de Lavoisier editado no século 19: www.obrasraras. usp.br <
http://www.obrasrar as.usp.br/>
Biblioteca do Hospital do Câncer - índice desse acervo especializado em
oncologia: www.hcanc.org. br/outrasinfs/ biblio/biblio1. html <
http://www.hcanc. org.br/outrasinf s/biblio/ biblio1.html>
Biblioteca do Senado Federal - sistema de busca nos 150 mil títulos da
biblioteca: www.senado.gov. br/biblioteca <
http://www.senado. gov.br/bibliotec a>
Biblioteca Mário de Andrade - acervo, eventos e história da principal
biblioteca de São Paulo: www.prefeitura. sp.gov.br/ mariodeandrade <
http://www.prefeitu ra.sp.gov. br/mariodeandrad e>
Biblioteca Nacional de Portugal - apresenta páginas especiais com
reproduções relacionadas a Eça de Queirós e a Giuseppe Verdi, entre outros:
www.bn.pt
Biblioteca Nacional de España - entre as exposições virtuais, uma
interessante coleção cartográfica do século 16 ao 19: www.bne.es <
http://www.bne. es/>
Biblioteca Nacional de la República Argentina - biblioteca, mapoteca
e fototeca: www.bibnal.edu. ar
Biblioteca Nacional de Maestros - biblioteca argentina voltada para a
comunidade educativa: www.bnm.me.gov. ar
Biblioteca Nacional del Perú - alguns livros eletrônicos, mapas e
imagens: www.binape.gob. pe
Biblioteca Nazionale Centrale di Roma - expõe detalhes de obras antigas
de seu catálogo: www.bncrm.librari. beniculturali. it <
http://www.bncrm. librari.benicult urali.it/>
Biblioteca Româneasca - textos em romeno e dados sobre autores do país:
biblioteca.euroweb. ro
Biblioteca Virtual Galega - textos em língua galega, parecida com o
português: bvg.udc.es
Bibliotheca Alexandrina - conheça a instituição criada à sombra da
famosa biblioteca, que sumiu há mais de 1.600 anos: www.bibalex. org/website<
http://www.bibalex. org/website>
California Digital Library - imagens e e-livros oferecidos pela
Universidade da Califórnia: californiadigitalli brary.org <
http://californiadi gitallibrary. org/>
Celtic Digital Library - história e literatura celtas: celtdigital. org<
http://celtdigital. org/>
Círculo Psicanalítico de Minas Gerais - acervo especializado em
psicanálise: www.cpmg.org. br/n_biblioteca. asp <
http://www.cpmg. org.br/n_ biblioteca. asp>
Cornell Library Digital Collections - compilações variadas, sobre
agricultura e matemática, por exemplo: moa.cit.cornell. edu <
http://moa.cit. cornell.edu/>
Corpus of Electronic Texts - história, literatura e política
irlandesas: www.ucc.ie/celt
Crime Library - histórias reais de criminosos, espiões e terroristas:
www.crimelibrary. com
Educ.ar Biblioteca Digital - em espanhol, apresenta
livros e revistas de "todas as disciplinas" :
www.educ.ar/ educar/superior/ biblioteca_ digital <
http://www.educ. ar/educar/ superior/ biblioteca_ digital>
Gallica - Bibliothèque Numérique - volumes da Biblioteca Nacional da
França digitalizados: gallica.bnf. fr
Human Rights Library - mais de 14 mil documentos relacionados aos
direitos humanos: www1.umn.edu/ humanrts
IDRC Library - textos e imagens desse centro de estudos do
desenvolvimento internacional: www.idrc.ca/ library <
http://www.idrc. ca/library>
Internet Ancient History Sourcebook - página dedicada à difusão de
documentos da Antiguidade: www.fordham. edu/halsall/ ancient/asbook. html <
http://www.fordham. edu/halsall/ ancient/asbook. html>
Internet Archive - guarda páginas da internet em seus diversos estágios
de evolução: www.archive. org
Internet Public Library - indica páginas em que se podem ler documentos
sobre áreas específicas do conhecimento: www.ipl.org
John F. Kennedy Library - sobre o presidente americano John F. Kennedy,
morto em 1963: www.cs.umb.edu/ jfklibrary
LibDex - índice para localizar mais de 18 mil bibliotecas do mundo todo
e seus sites: www.libdex.com
Lib-web-cats - enumera bibliotecas de mais de 60 países, mas o foco são
os EUA e o Canadá: www.librarytechnolo gy.org/libwebcat s <
http://www.libraryt echnology. org/libwebcats>
Libweb - outro site de busca de instituições, com 6.600 links de 115
países: sunsite.berkeley. edu/Libweb
Mosteiro São Geraldo - livros e periódicos sobre história e literatura
húngara, filosofia, teologia e religião: www.msg.org. br <
http://www.msg. org.br/>
National Library of Australia - divulga periódicos australianos da
década de 1840: www.nla.gov. au
Oxford Digital Library - centraliza acesso a projetos digitais das
bibliotecas da Universidade de Oxford: www.odl.ox.ac. uk <
http://www.odl. ox.ac.uk/>
Perseus Digital Library - dedicado a estudos sobre os gregos e romanos
antigos: www.perseus. tufts.edu
Servei de Biblioteques - bibliotecas da Universidade Autônoma de
Barcelona: www.bib.uab. es
The Aerial Reconnaissance Archives - recém-lançado, site promete
divulgar 5 milhões de fotos aéreas da Segunda Guerra Mundial:
www.evidenceincamer a.co.uk
The British Library - além de busca no catálogo, tem coleções virtuais
separadas por região geográfica: www.bl.uk
The Digital Library - diversas coleções temáticas, como a de escritoras
negras americanas do século 19: digital.nypl. org <
http://digital. nypl.org/>
The Digital South Asia Library - periódicos, fotos e estatísticas que
contam a história do Sul da Ásia: dsal.uchicago. edu <
http://dsal. uchicago. edu/>
The Huntington - grande quantidade de obras raras em arte e botânica:
www.huntington. org
The Math Forum - textos que se propõem a auxiliar no ensino da
matemática: mathforum.org/ library
The New Zealand Digital Library - destaque para os arquivos sobre
questões humanitárias: www.sadl.uleth. ca/nz/cgi- bin/library <
http://www.sadl. uleth.ca/ nz/cgi-bin/ library>
Treasures of Keyo University - um dos destaques é a reprodução da
Bíblia de Gutenberg: www.humi.keio. ac.jp/treasures <
http://www.humi. keio.ac.jp/ treasures>
Unesco Libraries Portal - informações sobre bibliotecas e projetos
voltados para a preservação da memória: www.unesco.org/ webworld/ portal_bib<
http://www.unesco. org/webworld/ portal_bib>
UOL Biblioteca - dicionários, guias de turismo e especiais noticiosos:
www.uol.com. br/bibliot
UT Library Online - possui uma ampla coleção de mapas:
www.lib.utexas. edu
Bibliotecas virtuais
Alexandria Virtual - acervo variado, de literatura a humor:
www.alexandriavirtu al.com.br
Bartleby.com - importantes textos, como os 70
volumes da "Harvard Classics" e a obra completa de Shakespeare:
www.bartleby. com
Bibliomania - 2.000 textos clássicos e guias de estudo em inglês:
www.bibliomania. com
Biblioteca dei Classici Italiani - literatura italiana, dos "duecento"
aos "novecento": www.fausernet. novara.it/ fauser/biblio <
http://www.fauserne t.novara. it/fauser/ biblio>
Biblioteca Electrónica Cristiana - teologia e humanidades vistas por
religiosos: www.multimedios. org
Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro - especializada em
literatura em língua portuguesa: www.bibvirt. futuro.usp. br <
http://www.bibvirt. futuro.usp. br/>
Biblioteca Virtual - Literatura - pretende reunir grandes obras
literárias: www.biblio.com. br
Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes - cultura hispano-americana:
www.cervantesvirtua l.com
Biblioteca Virtual Universal - textos infanto-juvenis, literários e
técnicos: www.biblioteca. org.ar
Contos Completos de Machado de Assis - mais de 200 contos de Machado de
Assis: www.uol.com. br/machadodeassi s
Cultvox - serviço que oferece alguns e-livros gratuitamente e vende
outros: www.cultvox. com.br
Dearreader.com - clube virtual que envia por
e-mail trechos de livros: www.dearreader. com
eBooksbrasil - livros eletrônicos gratuitos em diversos formatos:
www.ebooksbrasil. com
iGLer - acesso rápido a duas centenas de obras literárias em português:
www.ig.com.br/ paginas/novoigle r/download. html <
http://www.ig. com.br/paginas/ novoigler/ download. html>
International Children's Digital Library - pretende oferecer e-livros
infantis em cem línguas: www.icdlbooks. org
IntraText - textos completos em diversas línguas, entre elas o latim:
www.intratext. com
Jornal da Poesia - importante acervo de poesia em língua portuguesa,
com textos de mais de 3.000 autores: www.secrel.com. br/jpoesia <
http://www.secrel. com.br/jpoesia>
Net eBook Library - biblioteca virtual com parte do acervo restrito a
assinantes do site: netlibrary.net
Nuovo Rinascimento - especializado em documentos do Renascimento
italiano: www.nuovorinascimen to.org/n- rinasc/homepage. htm <
http://www.nuovorin ascimento. org/n-rinasc/ homepage. htm>
Online Literature Library - pequena coleção para ler diretamente no
navegador: www.literature. org
Progetto Manuzio - textos em italiano para download, incluindo óperas:
www.liberliber. it/biblioteca
Project Gutenberg - mantido por voluntários, importante site com obras
integrais disponíveis gratuitamente: www.gutenberg. net <
http://www.gutenber g.net/>
Proyecto Biblioteca Digital Argentina - obras consideradas
representativas da literatura argentina: www.biblioteca. clarin.com <
http://www.bibliote ca.clarin. com/>
Romanzieri.com - livros eletrônicos em italiano
compatíveis com o programa Microsoft Reader: www.romanzieri. com <
http://www.romanzie ri.com/>
Sololiteratura. com - textos sobre autores
hispano-americanos: www.sololiteratura. com
Textos de Literatura Galega Medieval - pequena seleção de poesias e
histórias medievais:
www.usc.es/~ ilgas/escolma. html
<
http://www.usc. es/~ilgas/ escolma.html
>
The Literature Network - poemas, contos e romances de aproximadamente
90 autores: www.online-literatu re.com
The Online Books Page - afirma ter mais de 20 mil livros on-line:
digital.library. upenn.edu/ books
The Online Medieval and Classical Library - obras literárias clássicas
e medievais: sunsite.berkeley. edu/OMACL
Usina de Letras - divulga a produção de escritores independentes:
www.usinadeletras. com.br
Virtual Book Store - literatura do Brasil e estrangeira, biografias e
resumos: www.vbookstore. com.br
Virtual Books Online - e-livros gratuitos em português, inglês,
francês, espanhol, alemão e italiano: virtualbooks. terra.com. br <
http://virtualbooks .terra.com. br/>
Científicos
Banco de Teses - resumos de teses e dissertações apresentadas no Brasil
desde 1987: www.capes.gov. br
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações - textos integrais de parte
das teses e dissertações apresentadas na USP: www.teses.usp. br <
http://www.teses. usp.br/>
Biblioteca Virtual em Saúde - revistas científicas e dados de pesquisas
sobre adolescência, ambiente e saúde : www.bireme.br >
Digital Library of MIT Theses - algumas teses do Instituto de
Tecnologia de Massachusetts; a mais antiga é de 1888: theses.mit.edu <
http://theses. mit.edu/>
Great Images in Nasa - imagens históricas da agência espacial
americana: grin.hq.nasa. gov
ProQuest Digital Dissertations - sistema para pesquisar resumos de
teses e de dissertações: wwwlib.umi.com/ dissertations <
http://wwwlib. umi.com/disserta tions>
Public Health Image Library - fotos, ilustrações e animações voltadas
para o esclarecimento de questões de saúde pública: phil.cdc.gov <
http://phil. cdc.gov/>
PubMed - referências a 14 milhões de artigos biomédicos:
www.ncbi.nlm. nih.gov/entrez/ query.fcgi <
http://www.ncbi. nlm.nih.gov/ entrez/query. fcgi>
SciELO - biblioteca eletrônica com periódicos científicos brasileiros:
www.scielo.br
ScienceDirect - mais de 1.800 revistas, de "ACC Current Journal Review"
a "Zoological Journal": www.sciencedirect. com <
http://www.scienced irect.com/>
Universia Brasil - busca teses nas universidades públicas paulistas e
na PUC-PR: www.universiabrasil .net/busca_ teses.jsp <
http://www.universi abrasil.net/ busca_teses. jsp>
Associações
American Library Association - sobre o sistema de bibliotecas dos EUA:
www.ala.org
Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas
- publicações indicadas e agenda de eventos da área: www.apbad.pt <
http://www.apbad. pt/>
Association des Bibliothécaires Français - dossiês sobre o sistema
francês de bibliotecas e temas correlatos: www.abf.asso. fr <
http://www.abf. asso.fr/>
Conselho Federal de Biblioteconomia - atualidades e links de interesse
da área: www.cfb.org. br
Conselho Regional de Biblioteconomia de São Paulo - legislação e
eventos da biblioteconomia: www.crb8.org. br
Council on Library and Information Resources - organização que se
preocupa com a preservação de informações: www.clir.org <
http://www.clir. org/>
European Bureau of Library, Information and Documentation Associations
- entidade européia dedicada à promoção da ciência da informação: <
http://www.eblida. org/>
Biblioteca Apostólica Vaticana - biblioteca que possui um arquivo
secreto: bav.vatican. va
Biblioteca Central - localize os livros das bibliotecas da UFRGS:
www.biblioteca. ufrgs.br
Biblioteca del Congreso - item Expo Virtual mostra alguns tesouros
dessa biblioteca argentina: www.bcnbib.gov. ar
Biblioteca Digital Andina - Bolívia, Colômbia, Equador e Peru estão
representados: www.comunidadandina .org/bda <
http://www.comunida dandina.org/ bda>
Biblioteca Digital de Obras Raras - livros completos digitalizados,
como um de Lavoisier editado no século 19: www.obrasraras. usp.br <
http://www.obrasrar as.usp.br/>
Biblioteca do Hospital do Câncer - índice desse acervo especializado em
oncologia: www.hcanc.org. br/outrasinfs/ biblio/biblio1. html <
http://www.hcanc. org.br/outrasinf s/biblio/ biblio1.html>
Biblioteca do Senado Federal - sistema de busca nos 150 mil títulos da
biblioteca: www.senado.gov. br/biblioteca <
http://www.senado. gov.br/bibliotec a>
Biblioteca Mário de Andrade - acervo, eventos e história da principal
biblioteca de São Paulo: www.prefeitura. sp.gov.br/ mariodeandrade <
http://www.prefeitu ra.sp.gov. br/mariodeandrad e>
Biblioteca Nacional de Portugal - apresenta páginas especiais com
reproduções relacionadas a Eça de Queirós e a Giuseppe Verdi, entre outros:
www.bn.pt
Biblioteca Nacional de España - entre as exposições virtuais, uma
interessante coleção cartográfica do século 16 ao 19: www.bne.es <
http://www.bne. es/>
Biblioteca Nacional de la República Argentina - biblioteca, mapoteca
e fototeca: www.bibnal.edu. ar
Biblioteca Nacional de Maestros - biblioteca argentina voltada para a
comunidade educativa: www.bnm.me.gov. ar
Biblioteca Nacional del Perú - alguns livros eletrônicos, mapas e
imagens: www.binape.gob. pe
Biblioteca Nazionale Centrale di Roma - expõe detalhes de obras antigas
de seu catálogo: www.bncrm.librari. beniculturali. it <
http://www.bncrm. librari.benicult urali.it/>
Biblioteca Româneasca - textos em romeno e dados sobre autores do país:
biblioteca.euroweb. ro
Biblioteca Virtual Galega - textos em língua galega, parecida com o
português: bvg.udc.es
Bibliotheca Alexandrina - conheça a instituição criada à sombra da
famosa biblioteca, que sumiu há mais de 1.600 anos: www.bibalex. org/website<
http://www.bibalex. org/website>
California Digital Library - imagens e e-livros oferecidos pela
Universidade da Califórnia: californiadigitalli brary.org <
http://californiadi gitallibrary. org/>
Celtic Digital Library - história e literatura celtas: celtdigital. org<
http://celtdigital. org/>
Círculo Psicanalítico de Minas Gerais - acervo especializado em
psicanálise: www.cpmg.org. br/n_biblioteca. asp <
http://www.cpmg. org.br/n_ biblioteca. asp>
Cornell Library Digital Collections - compilações variadas, sobre
agricultura e matemática, por exemplo: moa.cit.cornell. edu <
http://moa.cit. cornell.edu/>
Corpus of Electronic Texts - história, literatura e política
irlandesas: www.ucc.ie/celt
Crime Library - histórias reais de criminosos, espiões e terroristas:
www.crimelibrary. com
Educ.ar
livros e revistas de "todas as disciplinas" :
www.educ.ar/ educar/superior/ biblioteca_ digital <
http://www.educ. ar/educar/ superior/ biblioteca_ digital>
Gallica - Bibliothèque Numérique - volumes da Biblioteca Nacional da
França digitalizados: gallica.bnf. fr
Human Rights Library - mais de 14 mil documentos relacionados aos
direitos humanos: www1.umn.edu/ humanrts
IDRC Library - textos e imagens desse centro de estudos do
desenvolvimento internacional: www.idrc.ca/ library <
http://www.idrc. ca/library>
Internet Ancient History Sourcebook - página dedicada à difusão de
documentos da Antiguidade: www.fordham. edu/halsall/ ancient/asbook. html <
http://www.fordham. edu/halsall/ ancient/asbook. html>
Internet Archive - guarda páginas da internet em seus diversos estágios
de evolução: www.archive. org
Internet Public Library - indica páginas em que se podem ler documentos
sobre áreas específicas do conhecimento: www.ipl.org
John F. Kennedy Library - sobre o presidente americano John F. Kennedy,
morto em 1963: www.cs.umb.edu/ jfklibrary
LibDex - índice para localizar mais de 18 mil bibliotecas do mundo todo
e seus sites: www.libdex.com
Lib-web-cats - enumera bibliotecas de mais de 60 países, mas o foco são
os EUA e o Canadá: www.librarytechnolo gy.org/libwebcat s <
http://www.libraryt echnology. org/libwebcats>
Libweb - outro site de busca de instituições, com 6.600 links de 115
países: sunsite.berkeley. edu/Libweb
Mosteiro São Geraldo - livros e periódicos sobre história e literatura
húngara, filosofia, teologia e religião: www.msg.org. br <
http://www.msg. org.br/>
National Library of Australia - divulga periódicos australianos da
década de 1840: www.nla.gov. au
Oxford Digital Library - centraliza acesso a projetos digitais das
bibliotecas da Universidade de Oxford: www.odl.ox.ac. uk <
http://www.odl. ox.ac.uk/>
Perseus Digital Library - dedicado a estudos sobre os gregos e romanos
antigos: www.perseus. tufts.edu
Servei de Biblioteques - bibliotecas da Universidade Autônoma de
Barcelona: www.bib.uab. es
The Aerial Reconnaissance Archives - recém-lançado, site promete
divulgar 5 milhões de fotos aéreas da Segunda Guerra Mundial:
www.evidenceincamer a.co.uk
The British Library - além de busca no catálogo, tem coleções virtuais
separadas por região geográfica: www.bl.uk
The Digital Library - diversas coleções temáticas, como a de escritoras
negras americanas do século 19: digital.nypl. org <
http://digital. nypl.org/>
The Digital South Asia Library - periódicos, fotos e estatísticas que
contam a história do Sul da Ásia: dsal.uchicago. edu <
http://dsal. uchicago. edu/>
The Huntington - grande quantidade de obras raras em arte e botânica:
www.huntington. org
The Math Forum - textos que se propõem a auxiliar no ensino da
matemática: mathforum.org/ library
The New Zealand Digital Library - destaque para os arquivos sobre
questões humanitárias: www.sadl.uleth. ca/nz/cgi- bin/library <
http://www.sadl. uleth.ca/ nz/cgi-bin/ library>
Treasures of Keyo University - um dos destaques é a reprodução da
Bíblia de Gutenberg: www.humi.keio. ac.jp/treasures <
http://www.humi. keio.ac.jp/ treasures>
Unesco Libraries Portal - informações sobre bibliotecas e projetos
voltados para a preservação da memória: www.unesco.org/ webworld/ portal_bib<
http://www.unesco. org/webworld/ portal_bib>
UOL Biblioteca - dicionários, guias de turismo e especiais noticiosos:
www.uol.com. br/bibliot
UT Library Online - possui uma ampla coleção de mapas:
www.lib.utexas. edu
Bibliotecas virtuais
Alexandria Virtual - acervo variado, de literatura a humor:
www.alexandriavirtu al.com.br
Bartleby.com
volumes da "Harvard Classics" e a obra completa de Shakespeare:
www.bartleby. com
Bibliomania - 2.000 textos clássicos e guias de estudo em inglês:
www.bibliomania. com
Biblioteca dei Classici Italiani - literatura italiana, dos "duecento"
aos "novecento": www.fausernet. novara.it/ fauser/biblio <
http://www.fauserne t.novara. it/fauser/ biblio>
Biblioteca Electrónica Cristiana - teologia e humanidades vistas por
religiosos: www.multimedios. org
Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro - especializada em
literatura em língua portuguesa: www.bibvirt. futuro.usp. br <
http://www.bibvirt. futuro.usp. br/>
Biblioteca Virtual - Literatura - pretende reunir grandes obras
literárias: www.biblio.com. br
Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes - cultura hispano-americana:
www.cervantesvirtua l.com
Biblioteca Virtual Universal - textos infanto-juvenis, literários e
técnicos: www.biblioteca. org.ar
Contos Completos de Machado de Assis - mais de 200 contos de Machado de
Assis: www.uol.com. br/machadodeassi s
Cultvox - serviço que oferece alguns e-livros gratuitamente e vende
outros: www.cultvox. com.br
Dearreader.com
e-mail trechos de livros: www.dearreader. com
eBooksbrasil - livros eletrônicos gratuitos em diversos formatos:
www.ebooksbrasil. com
iGLer - acesso rápido a duas centenas de obras literárias em português:
www.ig.com.br/ paginas/novoigle r/download. html <
http://www.ig. com.br/paginas/ novoigler/ download. html>
International Children's Digital Library - pretende oferecer e-livros
infantis em cem línguas: www.icdlbooks. org
IntraText - textos completos em diversas línguas, entre elas o latim:
www.intratext. com
Jornal da Poesia - importante acervo de poesia em língua portuguesa,
com textos de mais de 3.000 autores: www.secrel.com. br/jpoesia <
http://www.secrel. com.br/jpoesia>
Net eBook Library - biblioteca virtual com parte do acervo restrito a
assinantes do site: netlibrary.net
Nuovo Rinascimento - especializado em documentos do Renascimento
italiano: www.nuovorinascimen to.org/n- rinasc/homepage. htm <
http://www.nuovorin ascimento. org/n-rinasc/ homepage. htm>
Online Literature Library - pequena coleção para ler diretamente no
navegador: www.literature. org
Progetto Manuzio - textos em italiano para download, incluindo óperas:
www.liberliber. it/biblioteca
Project Gutenberg - mantido por voluntários, importante site com obras
integrais disponíveis gratuitamente: www.gutenberg. net <
http://www.gutenber g.net/>
Proyecto Biblioteca Digital Argentina - obras consideradas
representativas da literatura argentina: www.biblioteca. clarin.com <
http://www.bibliote ca.clarin. com/>
Romanzieri.com
compatíveis com o programa Microsoft Reader: www.romanzieri. com <
http://www.romanzie ri.com/>
Sololiteratura. com
hispano-americanos: www.sololiteratura. com
Textos de Literatura Galega Medieval - pequena seleção de poesias e
histórias medievais:
www.usc.es/~ ilgas/escolma. html
<
http://www.usc. es/~ilgas/ escolma.html
>
The Literature Network - poemas, contos e romances de aproximadamente
90 autores: www.online-literatu re.com
The Online Books Page - afirma ter mais de 20 mil livros on-line:
digital.library. upenn.edu/ books
The Online Medieval and Classical Library - obras literárias clássicas
e medievais: sunsite.berkeley. edu/OMACL
Usina de Letras - divulga a produção de escritores independentes:
www.usinadeletras. com.br
Virtual Book Store - literatura do Brasil e estrangeira, biografias e
resumos: www.vbookstore. com.br
Virtual Books Online - e-livros gratuitos em português, inglês,
francês, espanhol, alemão e italiano: virtualbooks. terra.com. br <
http://virtualbooks .terra.com. br/>
Científicos
Banco de Teses - resumos de teses e dissertações apresentadas no Brasil
desde 1987: www.capes.gov. br
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações - textos integrais de parte
das teses e dissertações apresentadas na USP: www.teses.usp. br <
http://www.teses. usp.br/>
Biblioteca Virtual em Saúde - revistas científicas e dados de pesquisas
sobre adolescência, ambiente e saúde : www.bireme.br
Digital Library of MIT Theses - algumas teses do Instituto de
Tecnologia de Massachusetts; a mais antiga é de 1888: theses.mit.edu <
http://theses. mit.edu/>
Great Images in Nasa - imagens históricas da agência espacial
americana: grin.hq.nasa. gov
ProQuest Digital Dissertations - sistema para pesquisar resumos de
teses e de dissertações: wwwlib.umi.com/ dissertations <
http://wwwlib. umi.com/disserta tions>
Public Health Image Library - fotos, ilustrações e animações voltadas
para o esclarecimento de questões de saúde pública: phil.cdc.gov <
http://phil. cdc.gov/>
PubMed - referências a 14 milhões de artigos biomédicos:
www.ncbi.nlm. nih.gov/entrez/ query.fcgi <
http://www.ncbi. nlm.nih.gov/ entrez/query. fcgi>
SciELO - biblioteca eletrônica com periódicos científicos brasileiros:
www.scielo.br
ScienceDirect - mais de 1.800 revistas, de "ACC Current Journal Review"
a "Zoological Journal": www.sciencedirect. com <
http://www.scienced irect.com/>
Universia Brasil - busca teses nas universidades públicas paulistas e
na PUC-PR: www.universiabrasil .net/busca_ teses.jsp <
http://www.universi abrasil.net/ busca_teses. jsp>
Associações
American Library Association - sobre o sistema de bibliotecas dos EUA:
www.ala.org
Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas
- publicações indicadas e agenda de eventos da área: www.apbad.pt <
http://www.apbad. pt/>
Association des Bibliothécaires Français - dossiês sobre o sistema
francês de bibliotecas e temas correlatos: www.abf.asso. fr <
http://www.abf. asso.fr/>
Conselho Federal de Biblioteconomia - atualidades e links de interesse
da área: www.cfb.org. br
Conselho Regional de Biblioteconomia de São Paulo - legislação e
eventos da biblioteconomia: www.crb8.org. br
Council on Library and Information Resources - organização que se
preocupa com a preservação de informações: www.clir.org <
http://www.clir. org/>
European Bureau of Library, Information and Documentation Associations
- entidade européia dedicada à promoção da ciência da informação: <
http://www.eblida. org/>
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Bibliotecas do Mundo
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Bahia terá Festival de Teatro Infantil
Bahia terá Festival de Teatro Infantil
Estão abertas, até o dia 15 de agosto de 2008, as inscrições para o 1º Festival Nacional de Teatro Infantil de Feira de Santana (Fenatifs), na Bahia. Grupos teatrais profissionais e amadores de todo país podem participar do festival, que será realizado entre 6 e 12 de outubro deste ano, na cidade de Feira de Santana (BA). A iniciativa é da Companhia Cuca de Teatro, em parceria institucional com a Universidade Estadual de Feira de Santana, através do Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca). “Queremos fazer de Feira de Santana um grande pólo de discussão do teatro infantil, não só incentivando a apresentação de montagens, como fomentando o debate sobre nossa arte”, comenta a produtora da Cia Cuca de Teatro e coordenadora do Fenatifs, Elizete Destéffani.
A programação do festival inclui uma Mostra Nacional (MN) e uma Mostra de Teatro do Interior Baiano (MIB), ambas não competitivas, além de debates, mesas-redondas, workshops e Mostra de Talentos Mirins, com alunos de Feira de Santana. As inscrições devem ser feitas, conforme edital, exclusivamente através dos Correios. Além da ajuda de custo, os participantes serão premiados com o Troféu Luiz Carlos Tourinho, uma homenagem ao ator falecido recentemente e ao Teatro Tablado, de Maria Clara Machado. Para ler o edital e obter mais informações, os interessados devem acessar o site. http://www.ciacucadeteatro.com.br/
Estão abertas, até o dia 15 de agosto de 2008, as inscrições para o 1º Festival Nacional de Teatro Infantil de Feira de Santana (Fenatifs), na Bahia. Grupos teatrais profissionais e amadores de todo país podem participar do festival, que será realizado entre 6 e 12 de outubro deste ano, na cidade de Feira de Santana (BA). A iniciativa é da Companhia Cuca de Teatro, em parceria institucional com a Universidade Estadual de Feira de Santana, através do Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca). “Queremos fazer de Feira de Santana um grande pólo de discussão do teatro infantil, não só incentivando a apresentação de montagens, como fomentando o debate sobre nossa arte”, comenta a produtora da Cia Cuca de Teatro e coordenadora do Fenatifs, Elizete Destéffani.
A programação do festival inclui uma Mostra Nacional (MN) e uma Mostra de Teatro do Interior Baiano (MIB), ambas não competitivas, além de debates, mesas-redondas, workshops e Mostra de Talentos Mirins, com alunos de Feira de Santana. As inscrições devem ser feitas, conforme edital, exclusivamente através dos Correios. Além da ajuda de custo, os participantes serão premiados com o Troféu Luiz Carlos Tourinho, uma homenagem ao ator falecido recentemente e ao Teatro Tablado, de Maria Clara Machado. Para ler o edital e obter mais informações, os interessados devem acessar o site. http://www.ciacucadeteatro.com.br/
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TEATRO
1º Festival de Cinema dos Povos Indígenas
1º Festival de Cinema dos Povos Indígenas
Realizar-se-á entre Cinco e Nove de agosto de 2008 o 1º Festival de Cinema dos Povos Indígenas. O evento tem o objetivo de fomentar o valor das culturas originárias, divulgar as realidades indígenas da América Latina e promover o acesso ao uso de meios audiovisuais por parte das comunidades qom, wichí e mocoví da província argentina do Chaco e na região. Trata-se de uma iniciativa promovida pelo Departamento de Cinema e Espaço Audiovisual (DeCEA). O Festival tem como característica fundamental o fato de ser multi-sede e itinerante.
Baseado na infra-estrutura oferecida por cinco unidades de cine-móveis que chegam desde Formosa, Corrientes, Entre Ríos, Tucumán e Chaco, se realizou um projeto de projeções em 45 localidades e paradas onde existe uma maior concentração de comunidades originárias. Estas projeções serão de filmes latino-americanos realizados por cineastas indígenas e não-indígenas, porém que abordam sua problemática. Cada uma das projeções será completada com um espaço para a reflexão e análise que será coordenado por professores bilíngües, em uma articulação feita com o Ministério de Educação provincial.
Ao longo de três dias de projeções itinerantes, no dia 9 de agosto se realizará uma jornada de encerramento que consistirá em uma maratona de filmes no Complexo Cultural Guido Miranda, de Resistência. Nesta jornada se pretende mostrar todos os filmes recebidos para o Festival, com o propósito de aproximar a sociedade branca e o universo audiovisual dos Povos Indígenas de América Latina, pelo conhecimento de suas realidades e suas culturas. Também nessa jornada se formará uma mesa-redonda onde participarão, além de referentes locais, o realizador boliviano Milton Guzmán; o realizador Fernando Molnar (diretor de Povos Originários, enviado pelo Canal Encontro); e Pablo Wright (antropólogo especializado em cultura qom).
Realizar-se-á entre Cinco e Nove de agosto de 2008 o 1º Festival de Cinema dos Povos Indígenas. O evento tem o objetivo de fomentar o valor das culturas originárias, divulgar as realidades indígenas da América Latina e promover o acesso ao uso de meios audiovisuais por parte das comunidades qom, wichí e mocoví da província argentina do Chaco e na região. Trata-se de uma iniciativa promovida pelo Departamento de Cinema e Espaço Audiovisual (DeCEA). O Festival tem como característica fundamental o fato de ser multi-sede e itinerante.
Baseado na infra-estrutura oferecida por cinco unidades de cine-móveis que chegam desde Formosa, Corrientes, Entre Ríos, Tucumán e Chaco, se realizou um projeto de projeções em 45 localidades e paradas onde existe uma maior concentração de comunidades originárias. Estas projeções serão de filmes latino-americanos realizados por cineastas indígenas e não-indígenas, porém que abordam sua problemática. Cada uma das projeções será completada com um espaço para a reflexão e análise que será coordenado por professores bilíngües, em uma articulação feita com o Ministério de Educação provincial.
Ao longo de três dias de projeções itinerantes, no dia 9 de agosto se realizará uma jornada de encerramento que consistirá em uma maratona de filmes no Complexo Cultural Guido Miranda, de Resistência. Nesta jornada se pretende mostrar todos os filmes recebidos para o Festival, com o propósito de aproximar a sociedade branca e o universo audiovisual dos Povos Indígenas de América Latina, pelo conhecimento de suas realidades e suas culturas. Também nessa jornada se formará uma mesa-redonda onde participarão, além de referentes locais, o realizador boliviano Milton Guzmán; o realizador Fernando Molnar (diretor de Povos Originários, enviado pelo Canal Encontro); e Pablo Wright (antropólogo especializado em cultura qom).
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CINEMA BRASILEIRO
domingo, 3 de agosto de 2008
1922: Transmissão da primeira peça radiofônica
1922: Transmissão da primeira peça radiofônica
M: – Jack! Jack, o que está acontecendo?
J: – As lâmpadas se apagaram
M: – Onde você está?
J: – Aqui!
M: – Onde? Não consigo te achar!
Mary e Jack estão soterrados numa mina de carvão.
M: – Por que as lâmpadas se apagaram de repente?
J: – Sei lá! Com certeza vão acender de novo.
M: – Você acha?
Danger (Perigo) é o nome dessa peça radiofônica de Richard Hughes, levada ao ar, pela primeira vez, em janeiro de 1924, em Londres. O rádio estava apenas engatinhando, mas já se havia descoberto o potencial dramático dessa nova mídia.
Disputa pelo pioneirismo
Há uma controvérsia sobre qual foi de fato a primeira peça radiofônica da história. Uns dizem que foi O Lobo, transmitida no dia 3 de agosto de 1922, nos Estados Unidos. Outros consideram que foi Perigo, peça da qual foram realizadas, posteriormente, várias novas produções.
O jovem casal Mary e Jack e o velho Bax estão numa velha mina, semi-soterrados:
M: Isto é água! A mina está sendo inundada, vamos morrer afogados! Jack!
B: Queria ter tanta fé em Deus como esses mineiros. Droga, assim seria mais fácil morrer.
M: Jack, Jack, não! Não, não quero morrer. Não quero! Não quero! Não quero!
B: Precisamos todos acreditar, minha jovem!
Quando Perigo foi levada ao ar pela primeira vez, em 1924, os atores falavam ao vivo, no estúdio da rádio, vestindo inclusive figurinos. Na época, não existia gravação. Logo as peças radiofônicas alcançaram enorme popularidade.
No fim da década de 30 tornaram-se uma nova forma de entretenimento. Artistas de renome, como o alemão Bertolt Brecht, escreveram obras especialmente para o rádio. Os temas prediletos, ao lado de adaptações de livros famosos, eram as histórias dramáticas, como a da peça Perigo.
(Um estrondo.)
M: Jack!
J: Meu Deus, Mary!
M: Jack, Jack, o que foi?
(Estrondo, ruído de desabamento, tosse.)
M: A poeira, estou com falta de ar. Não posso mais respirar. Jack!
J: Pare de berrar. Como é que você pode respirar se fica berrando?
M: Jack!
J: Agüente, Mary. Não aconteceu nada. Ninguém ficou ferido.
Entre literatura e teatro
Nas décadas de 40 e 50, a peça radiofônica amadureceu como gênero artístico. Foi o período áureo das novelas de rádio brasileiras, por exemplo. A dramaturgia era tradicional, a linguagem radiofônica não se distanciava da literatura nem do teatro.
A revolução estética ocorreu em meados da década de 60, com o surgimento das peças de rádio experimentais, não mais baseadas numa estrutura linear de narração. O rádio deixou de contar estórias e começou a explorar o potencial dramático da reprodução sonora.
Na Alemanha, o chamado "Hörspiel" (tradução literal: peça para ser ouvida) abriu um novo campo de experiências, ligadas à música eletrônica que surgiu na década de 50, desenvolvendo-se paralelamente ao gênero dramático.
O conceito de "arte acústica" define hoje a convergência de diversas tendências, que têm em comum o fato de estarem explorando as possibilidades artísticas e dramáticas do som e voz falada. Por exemplo: as paisagens sonoras (soundscapes), a ecologia sonora, a poesia acústica (e radiofônica), as instalações sonoras, música concreta e eletrônica.
Narrativas emocionantes são padrão
Ao lado de todas essas novas tendências, o rádio continua criando peças mais tradicionais, que contam estórias narrativas e provocam emoções, como o medo, alegria, saudade, tristeza, enfim, tudo o que a imaginação radiofônica foi capaz de suscitar no ouvinte, desde a década de 20.
J: Alguém está batendo!
(Batidas.)
M: A água já chegou até a minha cintura, Jack!
J: Estamos aqui! Aqui! Aqui em baixo. Vão nos salvar, talvez.
B: Socorro! Depressa, seus desgraçados. Vai, depressa, estamos nos afogando! Depressa, depressa!!
(Abre-se uma saída.)
M: Conseguimos.
Resgatadores: Segurem a corda aí em baixo.
B: Segurem!
(Os resgatadores puxam Mary e Jack para cima.)
Resgatadores: Agora o terceiro. Segurem aí em baixo!
(Silêncio.)
J: Bax! Bax! ... Bax?
M: – Jack! Jack, o que está acontecendo?
J: – As lâmpadas se apagaram
M: – Onde você está?
J: – Aqui!
M: – Onde? Não consigo te achar!
Mary e Jack estão soterrados numa mina de carvão.
M: – Por que as lâmpadas se apagaram de repente?
J: – Sei lá! Com certeza vão acender de novo.
M: – Você acha?
Danger (Perigo) é o nome dessa peça radiofônica de Richard Hughes, levada ao ar, pela primeira vez, em janeiro de 1924, em Londres. O rádio estava apenas engatinhando, mas já se havia descoberto o potencial dramático dessa nova mídia.
Disputa pelo pioneirismo
Há uma controvérsia sobre qual foi de fato a primeira peça radiofônica da história. Uns dizem que foi O Lobo, transmitida no dia 3 de agosto de 1922, nos Estados Unidos. Outros consideram que foi Perigo, peça da qual foram realizadas, posteriormente, várias novas produções.
O jovem casal Mary e Jack e o velho Bax estão numa velha mina, semi-soterrados:
M: Isto é água! A mina está sendo inundada, vamos morrer afogados! Jack!
B: Queria ter tanta fé em Deus como esses mineiros. Droga, assim seria mais fácil morrer.
M: Jack, Jack, não! Não, não quero morrer. Não quero! Não quero! Não quero!
B: Precisamos todos acreditar, minha jovem!
Quando Perigo foi levada ao ar pela primeira vez, em 1924, os atores falavam ao vivo, no estúdio da rádio, vestindo inclusive figurinos. Na época, não existia gravação. Logo as peças radiofônicas alcançaram enorme popularidade.
No fim da década de 30 tornaram-se uma nova forma de entretenimento. Artistas de renome, como o alemão Bertolt Brecht, escreveram obras especialmente para o rádio. Os temas prediletos, ao lado de adaptações de livros famosos, eram as histórias dramáticas, como a da peça Perigo.
(Um estrondo.)
M: Jack!
J: Meu Deus, Mary!
M: Jack, Jack, o que foi?
(Estrondo, ruído de desabamento, tosse.)
M: A poeira, estou com falta de ar. Não posso mais respirar. Jack!
J: Pare de berrar. Como é que você pode respirar se fica berrando?
M: Jack!
J: Agüente, Mary. Não aconteceu nada. Ninguém ficou ferido.
Entre literatura e teatro
Nas décadas de 40 e 50, a peça radiofônica amadureceu como gênero artístico. Foi o período áureo das novelas de rádio brasileiras, por exemplo. A dramaturgia era tradicional, a linguagem radiofônica não se distanciava da literatura nem do teatro.
A revolução estética ocorreu em meados da década de 60, com o surgimento das peças de rádio experimentais, não mais baseadas numa estrutura linear de narração. O rádio deixou de contar estórias e começou a explorar o potencial dramático da reprodução sonora.
Na Alemanha, o chamado "Hörspiel" (tradução literal: peça para ser ouvida) abriu um novo campo de experiências, ligadas à música eletrônica que surgiu na década de 50, desenvolvendo-se paralelamente ao gênero dramático.
O conceito de "arte acústica" define hoje a convergência de diversas tendências, que têm em comum o fato de estarem explorando as possibilidades artísticas e dramáticas do som e voz falada. Por exemplo: as paisagens sonoras (soundscapes), a ecologia sonora, a poesia acústica (e radiofônica), as instalações sonoras, música concreta e eletrônica.
Narrativas emocionantes são padrão
Ao lado de todas essas novas tendências, o rádio continua criando peças mais tradicionais, que contam estórias narrativas e provocam emoções, como o medo, alegria, saudade, tristeza, enfim, tudo o que a imaginação radiofônica foi capaz de suscitar no ouvinte, desde a década de 20.
J: Alguém está batendo!
(Batidas.)
M: A água já chegou até a minha cintura, Jack!
J: Estamos aqui! Aqui! Aqui em baixo. Vão nos salvar, talvez.
B: Socorro! Depressa, seus desgraçados. Vai, depressa, estamos nos afogando! Depressa, depressa!!
(Abre-se uma saída.)
M: Conseguimos.
Resgatadores: Segurem a corda aí em baixo.
B: Segurem!
(Os resgatadores puxam Mary e Jack para cima.)
Resgatadores: Agora o terceiro. Segurem aí em baixo!
(Silêncio.)
J: Bax! Bax! ... Bax?
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LITERATURA
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Nassau, um humanista nos trópicos
Nassau, um humanista nos trópicos
Quando os holandeses precisaram de um governador para suas possessões no Brasil, a Nieuw Holland, que tentaram construir no Nordeste, a escolha logo caiu sobre Maurício de Nassau, que já prestara excelentes serviços ao país, principalmente como militar.
O documento da nomeação de Maurício de Nassau pela Companhia das Índias Ocidentais em 1637 e um dos 12 anuários da companhia sobre os acontecimentos no Brasil são alguns dos objetos expostos no Museu de Arte Moderna de Siegen, onde se encontra a parte brasileira da exposição "Partida para novos mundos – Johann Moritz von Nassau-Siegen, o Brasileiro".
Os livros de História do Brasil ressaltam a regência humana, a tolerância e o impulso que Nassau deu ao Nordeste até 1646. Essa visão positiva é a base das comemorações do quarto centenário de seu nascimento, este ano. Mas não apenas no Brasil: a Universidade de Siegen, região alemã onde ele nasceu, realizou um simpósio de 18 a 20 de fevereiro com participação de cientistas do Brasil, Holanda e Alemanha.
Obras que traçaram imagem do Brasil na Europa
Maurício de Nassau embarcou com uma comitiva de pintores, artistas e cientistas, 150 anos antes das expedições de Alexander von Humboldt pela América Latina. O resultado foram quadros, gravuras e desenhos únicos, mapas e levantamentos da fauna e flora brasileiras ricamente ilustrados.
Eles ajudaram a formar a imagem do Novo Mundo na Europa, numa época em que só havia relatos mais ou menos fantasiosos sobre os nossos índios canibais. Entre os livros preciosos expostos em Siegen está o que Jean de Léry escreveu sobre os dez meses vividos entre os tupinambás, publicado em 1586 em Genebra – um dos poucos com visão etnográfica.
Muitas dessas obras de Georg Markgraf e Willem Piso, autores da Historia Naturalis Brasiliae (Amsterdã, 1648), a primeira obra científica sobre a natureza brasileira serviram de referência a estudiosos por mais de um século. Desenhos da nossa flora e fauna feitos durante os anos de Nassau foram copiados, mesmo 100 ou 200 anos depois, como os peixes brasileiros magistralmente coloridos por Marcus Elieser Bloch, incluídos na "História Natural dos Peixes Estrangeiros", publicada em Berlim no século 18.
Curioso é ver original e cópia, lado a lado, como as lindas cartas de Olinda de Markgraf e suas reproduções por José e Oliveira Barbosa no século 19. Se algumas delas traçam apenas poucas linhas dos contornos geográficos, outras estão repletas de desenhos detalhados com cenas de índios, lutas, guerras e engenhos de cana.
Visão, diplomacia e tolerância
A produção de açúcar desempenhou um importante papel na regência de Nassau. Após uma tentativa frustrada de tomar Salvador e evitar a retomada de Pernambuco pelos portugueses, Nassau se dedicou a consolidar o domínio holandês e a recuperar a indústria açucareira, que sofrera os efeitos da guerra e da fuga de escravos e donos de moinhos.
Quando os holandeses precisaram de um governador para suas possessões no Brasil, a Nieuw Holland, que tentaram construir no Nordeste, a escolha logo caiu sobre Maurício de Nassau, que já prestara excelentes serviços ao país, principalmente como militar.
O documento da nomeação de Maurício de Nassau pela Companhia das Índias Ocidentais em 1637 e um dos 12 anuários da companhia sobre os acontecimentos no Brasil são alguns dos objetos expostos no Museu de Arte Moderna de Siegen, onde se encontra a parte brasileira da exposição "Partida para novos mundos – Johann Moritz von Nassau-Siegen, o Brasileiro".
Os livros de História do Brasil ressaltam a regência humana, a tolerância e o impulso que Nassau deu ao Nordeste até 1646. Essa visão positiva é a base das comemorações do quarto centenário de seu nascimento, este ano. Mas não apenas no Brasil: a Universidade de Siegen, região alemã onde ele nasceu, realizou um simpósio de 18 a 20 de fevereiro com participação de cientistas do Brasil, Holanda e Alemanha.
Obras que traçaram imagem do Brasil na Europa
Maurício de Nassau embarcou com uma comitiva de pintores, artistas e cientistas, 150 anos antes das expedições de Alexander von Humboldt pela América Latina. O resultado foram quadros, gravuras e desenhos únicos, mapas e levantamentos da fauna e flora brasileiras ricamente ilustrados.
Eles ajudaram a formar a imagem do Novo Mundo na Europa, numa época em que só havia relatos mais ou menos fantasiosos sobre os nossos índios canibais. Entre os livros preciosos expostos em Siegen está o que Jean de Léry escreveu sobre os dez meses vividos entre os tupinambás, publicado em 1586 em Genebra – um dos poucos com visão etnográfica.
Muitas dessas obras de Georg Markgraf e Willem Piso, autores da Historia Naturalis Brasiliae (Amsterdã, 1648), a primeira obra científica sobre a natureza brasileira serviram de referência a estudiosos por mais de um século. Desenhos da nossa flora e fauna feitos durante os anos de Nassau foram copiados, mesmo 100 ou 200 anos depois, como os peixes brasileiros magistralmente coloridos por Marcus Elieser Bloch, incluídos na "História Natural dos Peixes Estrangeiros", publicada em Berlim no século 18.
Curioso é ver original e cópia, lado a lado, como as lindas cartas de Olinda de Markgraf e suas reproduções por José e Oliveira Barbosa no século 19. Se algumas delas traçam apenas poucas linhas dos contornos geográficos, outras estão repletas de desenhos detalhados com cenas de índios, lutas, guerras e engenhos de cana.
Visão, diplomacia e tolerância
A produção de açúcar desempenhou um importante papel na regência de Nassau. Após uma tentativa frustrada de tomar Salvador e evitar a retomada de Pernambuco pelos portugueses, Nassau se dedicou a consolidar o domínio holandês e a recuperar a indústria açucareira, que sofrera os efeitos da guerra e da fuga de escravos e donos de moinhos.
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História do Brasil
1576: Morre Hans Staden, autor de relato de viagem sobre Brasil
1576: Morre Hans Staden, autor de relato de viagem sobre Brasil
Em 30 de junho de 1576, o alemão Hans Staden, autor de um importante relato de viagem sobre o Brasil pós-descobrimento, morria em seu país natal.
Em Wahrhaftige Historia, o alemão Hans Staden relata duas viagens que realizou ao Brasil entre os anos de 1548 e 1555. Quatrocentos e cinqüenta anos depois de sua primeira edição, o livro permanece um dos mais curiosos documentos sobre a cultura dos índios brasileiros, especialmente os tupinambás, que aprisionaram o navegante e mercenário alemão e quase o devoraram em seus rituais canibalescos.
Os homens do outro lado do Atlântico
O relato de Hans Staden (1525–1579) está para os alemães assim como a carta de Pero Vaz de Caminha para os reis de Portugal. Em Verdadeira História dos Selvagens, Nus e Devoradores de Homens, Encontrados no Novo Mundo, A América, a reportagem feita por Staden é a descrição de um homem simples, de forte fervor religioso, sobre a natureza e a paisagem do Brasil e os costumes de seus habitantes.
Uma aventura onde se revelam também as questionáveis formas de colonização empregadas pelos europeus na conquista de outros continentes e o inevitável choque cultural entre os chamados "selvagens" e "civilizados".
Segundo a Brasiliana da Biblioteca Nacional, de 2001, o livro de Staden foi determinante para os europeus: "A sua influência no meio culto da época ajudou a criar, no imaginário europeu quinhentista, a idéia da terra brasílica como o país dos canibais, devido às ilustrações com cenas de antropofagia".
Monteiro Lobato foi taxativo ao estimar o valor dos escritos do autor alemão: "É obra que devia entrar nas escolas, pois nenhuma dará melhor aos meninos a sensação da terra que foi o Brasil em seus primórdios".
Em suas próprias palavras, Staden não pretendia se vangloriar de suas experiências junto a um povo tão exótico para ele. "O porquê de ter escrito este livrinho foi enfatizado por mim em diversos trechos. Todos nós devemos louvar e agradecer a Deus por ter-nos protegido desde o nascimento até os dias de hoje, ao longo de uma vida inteira."
"Assim como os portugueses, franceses, espanhóis e holandeses, os alemães também participaram da exploração do Brasil no início do século 16. Minha primeira viagem para a América foi em uma nau portuguesa. Éramos três alemães a bordo, Heinrich Brant von Bremen, Hans von Bruchhausen e eu. A segunda viagem ia de Sevilha, na Espanha, para o Rio de La Plata", conta o autor, que na segunda expedição era o único alemão presente. "Acabamos sofrendo um naufrágio em São Vicente. Trata-se de uma ilha que fica bem próxima à terra firme brasileira e é habitada por portugueses."
O livro revisitado
Os nove meses em que Hans Staden ficou em poder dos tupinambás renderam um relato impressionante em nível antropológico, sociológico, lingüístico e cultural que é constantemente revisitado. O livro, que é considerado um sucesso editorial, já inspirou montagens teatrais pelo mundo afora, semeando a imaginação dos modernistas Raul Bopp e Oswald de Andrade na criação da Revista de Antropofagia, de 1928, onde foi publicado o substancial Manifesto Antropofágico, de Oswald: "Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comi-o". Cartaz do filme 'Hans Staden'
A aventura de Hans Staden acabou sendo levada às telas pelas mãos do cineasta brasileiro Luiz Alberto Pereira em Hans Staden, um dos poucos filmes na história do cinema em que a língua falada pelos atores é, predominantemente, a tupi, e que conquistou diversos prêmios no Brasil e nos Estados Unidos.
O livro ganhou em 1998 uma primorosa edição da Dantes Editora e Livraria, do Rio de Janeiro, em tradução de Pedro Süssekind, que traz, além das ilustrações originais, desenhos e gravuras de Theodoro de Bry, Roque Gameiro, Van Stolk, entre outros.
Em 30 de junho de 1576, o alemão Hans Staden, autor de um importante relato de viagem sobre o Brasil pós-descobrimento, morria em seu país natal.
Em Wahrhaftige Historia, o alemão Hans Staden relata duas viagens que realizou ao Brasil entre os anos de 1548 e 1555. Quatrocentos e cinqüenta anos depois de sua primeira edição, o livro permanece um dos mais curiosos documentos sobre a cultura dos índios brasileiros, especialmente os tupinambás, que aprisionaram o navegante e mercenário alemão e quase o devoraram em seus rituais canibalescos.
Os homens do outro lado do Atlântico
O relato de Hans Staden (1525–1579) está para os alemães assim como a carta de Pero Vaz de Caminha para os reis de Portugal. Em Verdadeira História dos Selvagens, Nus e Devoradores de Homens, Encontrados no Novo Mundo, A América, a reportagem feita por Staden é a descrição de um homem simples, de forte fervor religioso, sobre a natureza e a paisagem do Brasil e os costumes de seus habitantes.
Uma aventura onde se revelam também as questionáveis formas de colonização empregadas pelos europeus na conquista de outros continentes e o inevitável choque cultural entre os chamados "selvagens" e "civilizados".
Segundo a Brasiliana da Biblioteca Nacional, de 2001, o livro de Staden foi determinante para os europeus: "A sua influência no meio culto da época ajudou a criar, no imaginário europeu quinhentista, a idéia da terra brasílica como o país dos canibais, devido às ilustrações com cenas de antropofagia".
Monteiro Lobato foi taxativo ao estimar o valor dos escritos do autor alemão: "É obra que devia entrar nas escolas, pois nenhuma dará melhor aos meninos a sensação da terra que foi o Brasil em seus primórdios".
Em suas próprias palavras, Staden não pretendia se vangloriar de suas experiências junto a um povo tão exótico para ele. "O porquê de ter escrito este livrinho foi enfatizado por mim em diversos trechos. Todos nós devemos louvar e agradecer a Deus por ter-nos protegido desde o nascimento até os dias de hoje, ao longo de uma vida inteira."
"Assim como os portugueses, franceses, espanhóis e holandeses, os alemães também participaram da exploração do Brasil no início do século 16. Minha primeira viagem para a América foi em uma nau portuguesa. Éramos três alemães a bordo, Heinrich Brant von Bremen, Hans von Bruchhausen e eu. A segunda viagem ia de Sevilha, na Espanha, para o Rio de La Plata", conta o autor, que na segunda expedição era o único alemão presente. "Acabamos sofrendo um naufrágio em São Vicente. Trata-se de uma ilha que fica bem próxima à terra firme brasileira e é habitada por portugueses."
O livro revisitado
Os nove meses em que Hans Staden ficou em poder dos tupinambás renderam um relato impressionante em nível antropológico, sociológico, lingüístico e cultural que é constantemente revisitado. O livro, que é considerado um sucesso editorial, já inspirou montagens teatrais pelo mundo afora, semeando a imaginação dos modernistas Raul Bopp e Oswald de Andrade na criação da Revista de Antropofagia, de 1928, onde foi publicado o substancial Manifesto Antropofágico, de Oswald: "Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comi-o". Cartaz do filme 'Hans Staden'
A aventura de Hans Staden acabou sendo levada às telas pelas mãos do cineasta brasileiro Luiz Alberto Pereira em Hans Staden, um dos poucos filmes na história do cinema em que a língua falada pelos atores é, predominantemente, a tupi, e que conquistou diversos prêmios no Brasil e nos Estados Unidos.
O livro ganhou em 1998 uma primorosa edição da Dantes Editora e Livraria, do Rio de Janeiro, em tradução de Pedro Süssekind, que traz, além das ilustrações originais, desenhos e gravuras de Theodoro de Bry, Roque Gameiro, Van Stolk, entre outros.
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História do Brasil
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Rio International Cello Encounter em Tatuí
Caros,
Tatuí receberá, pela primeira vez, atrações do importante Rio
International Cello Encounter. Abaixo, mais detalhes.
Obrigada,
Deise Juliana
(15) 32514573 - ramal 220
(15) 97826940
Rio International Cello Encounter em Tatuí
Atrações do evento realizado tradicionalmente no Rio de Janeiro
apresentam-se no Conservatório
O Teatro “Procópio Ferreira” recebe neste mês de agosto algumas
das atrações do Rio International Cello Encounter - RICE, o encontro
internacional de violoncelos que é realizado anualmente, desde 1995,
no Rio de Janeiro. O evento, que está em sua 14ª edição sem
interrupções e foi idealizado pelo violoncelista David Chew, será
estendido ao Estado de São Paulo pela primeira vez.
Em Tatuí, artistas brasileiros e internacionais se apresentarão nos
dias 18, 19 e 21 de agosto - uma semana depois do evento em solo
carioca que terá como tema “Dos Clássicos ao Choro”.
Entre os destaques que passarão por Tatuí estão a americana Minna
Chung (violoncelista, professora da Universidade do Alaska Fairbanks),
o violinista Haroutune Bedelian (nascido no Chipre e professor da
Universidade California Irvine), a americana Lorna Griffit (pianista,
professora da Universidade Califórnia Irvine) e Jaunelle Celaire,
soprano americana que leciona na Universidade do Alaska Fairbanks.
Também se apresentarão a violoncelista tatuiana Tânia Lisboa, que
hoje leciona no Royal College of Music de Londres, e as pianistas
Elizabeth Mucha e Tamara Ujakova.
Todas as apresentações acontecerão a partir das 20h30, no teatro
“Procópio Ferreira”, no Conservatório de Tatuí.
Atrações
No dia 18, segunda-feira, o recital de violino e piano trará ao
palco do “Procópio Ferreira” Haroutune Bedelian (violino) e Lorna
Griffit (piano). No programa estão obras de J.S. Bach (Sonata para
Violino e Piano em Si Menor, BWV 1014), R. Schumann (Sonata para
Violino e Piano n° 2 em Ré Menor, op.121), Elgar (La Capricieuse),
S.S. Rachmaninov (Margaridas, Canção Para Violino e Piano, op.38/3),
M. de Falla (6 Canções Folclóricas Espanholas) e J. Brahms:
(Scherzo para Violino e Piano em Dó Menor).
No dia 19, terça-feira, o recital será da violoncelista Tania
Lisboa e da pianista Elizabeth Mucha. O programa terá obras de
Beethoven (Sonata para Violoncelo e Piano n° 3 em Lá maior, op.69),
C. Debussy (Sonata para Violoncelo e Piano em Ré Menor) e B. Britten
(Sonata para Piano e Violoncelo Dó Maior).
Já na quinta-feira, 21, o teatro “Procópio Ferreira” receberá
recital de canto, violoncelo e piano, tendo como atrações a soprano
Jaunelle Celaire, a violoncelista Minna Chung e a pianista Tamara
Ujakova. O programa conta com Schubert (O Pastor no Rochedo, para
canto, violoncelo e piano), Tan-Dun (Intercurso de fogo e água, para
violoncelo solo), Brahms (Sonata para Violoncelo e Piano n° 1 em mi
menor), Bernstein (Dream with Me, para canto, violoncelo e piano e
Somewhere, para canto e piano); e Villa-Lobos (Aria da Bachianas
Brasileiras n°5, para canto, violoncelo e piano).
Tatuí receberá, pela primeira vez, atrações do importante Rio
International Cello Encounter. Abaixo, mais detalhes.
Obrigada,
Deise Juliana
(15) 32514573 - ramal 220
(15) 97826940
Rio International Cello Encounter em Tatuí
Atrações do evento realizado tradicionalmente no Rio de Janeiro
apresentam-se no Conservatório
O Teatro “Procópio Ferreira” recebe neste mês de agosto algumas
das atrações do Rio International Cello Encounter - RICE, o encontro
internacional de violoncelos que é realizado anualmente, desde 1995,
no Rio de Janeiro. O evento, que está em sua 14ª edição sem
interrupções e foi idealizado pelo violoncelista David Chew, será
estendido ao Estado de São Paulo pela primeira vez.
Em Tatuí, artistas brasileiros e internacionais se apresentarão nos
dias 18, 19 e 21 de agosto - uma semana depois do evento em solo
carioca que terá como tema “Dos Clássicos ao Choro”.
Entre os destaques que passarão por Tatuí estão a americana Minna
Chung (violoncelista, professora da Universidade do Alaska Fairbanks),
o violinista Haroutune Bedelian (nascido no Chipre e professor da
Universidade California Irvine), a americana Lorna Griffit (pianista,
professora da Universidade Califórnia Irvine) e Jaunelle Celaire,
soprano americana que leciona na Universidade do Alaska Fairbanks.
Também se apresentarão a violoncelista tatuiana Tânia Lisboa, que
hoje leciona no Royal College of Music de Londres, e as pianistas
Elizabeth Mucha e Tamara Ujakova.
Todas as apresentações acontecerão a partir das 20h30, no teatro
“Procópio Ferreira”, no Conservatório de Tatuí.
Atrações
No dia 18, segunda-feira, o recital de violino e piano trará ao
palco do “Procópio Ferreira” Haroutune Bedelian (violino) e Lorna
Griffit (piano). No programa estão obras de J.S. Bach (Sonata para
Violino e Piano em Si Menor, BWV 1014), R. Schumann (Sonata para
Violino e Piano n° 2 em Ré Menor, op.121), Elgar (La Capricieuse),
S.S. Rachmaninov (Margaridas, Canção Para Violino e Piano, op.38/3),
M. de Falla (6 Canções Folclóricas Espanholas) e J. Brahms:
(Scherzo para Violino e Piano em Dó Menor).
No dia 19, terça-feira, o recital será da violoncelista Tania
Lisboa e da pianista Elizabeth Mucha. O programa terá obras de
Beethoven (Sonata para Violoncelo e Piano n° 3 em Lá maior, op.69),
C. Debussy (Sonata para Violoncelo e Piano em Ré Menor) e B. Britten
(Sonata para Piano e Violoncelo Dó Maior).
Já na quinta-feira, 21, o teatro “Procópio Ferreira” receberá
recital de canto, violoncelo e piano, tendo como atrações a soprano
Jaunelle Celaire, a violoncelista Minna Chung e a pianista Tamara
Ujakova. O programa conta com Schubert (O Pastor no Rochedo, para
canto, violoncelo e piano), Tan-Dun (Intercurso de fogo e água, para
violoncelo solo), Brahms (Sonata para Violoncelo e Piano n° 1 em mi
menor), Bernstein (Dream with Me, para canto, violoncelo e piano e
Somewhere, para canto e piano); e Villa-Lobos (Aria da Bachianas
Brasileiras n°5, para canto, violoncelo e piano).
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MÚSICA
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Cardeal-Patriarca apela à celebração dos mártires do Brasil
http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=62241&seccaoid=3&tipoid=42
Cardeal-Patriarca apela à celebração dos mártires do Brasil
O Cardeal-Patriarca enviou uma carta aos párocos da Cidade de Lisboa a respeito da celebração da memória litúrgica do Beato Inácio de Azevedo e companheiros mártires, que tem lugar no próximo dia 17 de Julho de 2008.
Na missiva, D. José Policarpo recorda que “está em curso a intensificação do processo de canonização destes mártires missionários, que, idos de Lisboa, foram martirizados a caminho do Brasil, destino do seu envio missionário”. Um deles, o Beato João Fernandes, era natural de Lisboa.
O Patriarca recorda que “o Pe. João Caniço, SJ, Vice-Postulador da Causa, tem vindo a sugerir o suscitar do interesse da nossa Cidade por este Mártir de Lisboa, tornando-o conhecido, porventura pondo-o em relevo naquela memória litúrgica, despertando a veneração dos fiéis que podem encontrar nele um intercessor celeste”.
Nota histórica
No próximo dia 17 de Julho, celebra a Igreja a Festa do Beato Inácio de Azevedo e seus 39 Companheiros Mártires, conhecidos como os "Mártires do Brasil", por terem sido martirizados a caminho da terra que iam evangelizar, no ano de 1570. Entre essas quatro dezenas de mártires, encontrava-se o Beato João Fernandes, um jovem de 19 anos, natural de Lisboa.
A evangelização do Brasil tinha começado logo após a sua descoberta (1500). A Ordem Religiosa dos Jesuítas, fundada em 1540, enviou para lá alguns dos seus primeiros missionários. Decorridos alguns anos, para ajudar na escolha do melhor caminho a seguir, foi enviado de Lisboa o Padre Inácio de Azevedo, homem activo, empreendedor e muito experiente como reitor dos primeiros colégios de jesuítas em Lisboa, Coimbra e Braga.
Inácio de Azevedo
Do Brasil, foi enviado a Roma, em 1565, como Procurador das Missões da Índia e do Brasil. Ali recebeu grande apoio do Papa Pio V e do Superior Geral da Companhia de Jesus, São Francisco de Borja. Este, impressionado pelas palavras e carisma de Inácio de Azevedo e consciente da urgência de enviar mais pessoas para o Brasil, escreveu aos Superiores de Espanha e Portugal para que lhe facultassem a recolha quer de recursos materiais. quer de missionários.
João Fernandes ouviu o apelo do Padre Inácio de Azevedo e ofereceu-se para o acompanhar no sonho missionário. Era muito importante aumentar o número de catequistas. E foi assim que ele veio a integrar o grupo de jovens que Inácio de Azevedo reuniu na Quinta de Val’ do Rosal (Charneca de Caparica), a Sul do Tejo. Durante seis meses, quase 80 jovens se prepararam ali, para a viagem e para a missão futura, participando, estudando, discutindo, apreciando e ouvindo testemunhos sobre os novos povos e os novos mundos a quem se propunham levar o nome de Jesus. Mantinham-se inspirados por Inácio de Azevedo, que os orientava para a ascese e para o zelo da vida missionária.
Partida em Missão
A 5 de Junho de 1570, João Fernandes parte do Tejo, com Inácio de Azevedo e mais 73 jovens, rumo à Ilha da Madeira, repartidos por três naus. No Funchal, a primeira etapa da viagem, ficaram alojados na Quinta do Pico do Cardo. A 30 de Junho, pressentindo o perigo que iriam correr, dada a aproximação de corsários, Inácio de Azevedo convocou a comitiva antes do embarque. "Queria apenas voluntários da morte por Cristo". Alguns hesitaram e não quiseram seguir, sendo logo substituídos por outros. E chegaram rapidamente às Canárias, onde permaneceram cinco dias.
O martírio
Retomando o caminho do Brasil, deixaram Tazacorte, a 15 de Julho de 1570. Logo de seguida, são rodeados por uma frota de cinco navios de piratas huguenotes (protestantes), comandados pelo temido Jacques Sória. Perante a insuficiência de soldados para defender a nau, o comandante pediu voluntários a Azevedo. Contudo, a sua condição de religiosos consagrados não lhes permitia pegar em armas e atentar contra a vida. Porém, sempre que havia feridos, assistiam-nos, animavam os combatentes e rezavam sempre.
Estando já a nau ocupada pelos calvinistas, e, apercebendo-se eles que se tratava de católicos e missionários, investiram com as armas contra todos aqueles jovens, que foram maltratados, feridos e lançados ao mar, alguns deles ainda com vida.
João Caniço, sj
Cardeal-Patriarca apela à celebração dos mártires do Brasil
O Cardeal-Patriarca enviou uma carta aos párocos da Cidade de Lisboa a respeito da celebração da memória litúrgica do Beato Inácio de Azevedo e companheiros mártires, que tem lugar no próximo dia 17 de Julho de 2008.
Na missiva, D. José Policarpo recorda que “está em curso a intensificação do processo de canonização destes mártires missionários, que, idos de Lisboa, foram martirizados a caminho do Brasil, destino do seu envio missionário”. Um deles, o Beato João Fernandes, era natural de Lisboa.
O Patriarca recorda que “o Pe. João Caniço, SJ, Vice-Postulador da Causa, tem vindo a sugerir o suscitar do interesse da nossa Cidade por este Mártir de Lisboa, tornando-o conhecido, porventura pondo-o em relevo naquela memória litúrgica, despertando a veneração dos fiéis que podem encontrar nele um intercessor celeste”.
Nota histórica
No próximo dia 17 de Julho, celebra a Igreja a Festa do Beato Inácio de Azevedo e seus 39 Companheiros Mártires, conhecidos como os "Mártires do Brasil", por terem sido martirizados a caminho da terra que iam evangelizar, no ano de 1570. Entre essas quatro dezenas de mártires, encontrava-se o Beato João Fernandes, um jovem de 19 anos, natural de Lisboa.
A evangelização do Brasil tinha começado logo após a sua descoberta (1500). A Ordem Religiosa dos Jesuítas, fundada em 1540, enviou para lá alguns dos seus primeiros missionários. Decorridos alguns anos, para ajudar na escolha do melhor caminho a seguir, foi enviado de Lisboa o Padre Inácio de Azevedo, homem activo, empreendedor e muito experiente como reitor dos primeiros colégios de jesuítas em Lisboa, Coimbra e Braga.
Inácio de Azevedo
Do Brasil, foi enviado a Roma, em 1565, como Procurador das Missões da Índia e do Brasil. Ali recebeu grande apoio do Papa Pio V e do Superior Geral da Companhia de Jesus, São Francisco de Borja. Este, impressionado pelas palavras e carisma de Inácio de Azevedo e consciente da urgência de enviar mais pessoas para o Brasil, escreveu aos Superiores de Espanha e Portugal para que lhe facultassem a recolha quer de recursos materiais. quer de missionários.
João Fernandes ouviu o apelo do Padre Inácio de Azevedo e ofereceu-se para o acompanhar no sonho missionário. Era muito importante aumentar o número de catequistas. E foi assim que ele veio a integrar o grupo de jovens que Inácio de Azevedo reuniu na Quinta de Val’ do Rosal (Charneca de Caparica), a Sul do Tejo. Durante seis meses, quase 80 jovens se prepararam ali, para a viagem e para a missão futura, participando, estudando, discutindo, apreciando e ouvindo testemunhos sobre os novos povos e os novos mundos a quem se propunham levar o nome de Jesus. Mantinham-se inspirados por Inácio de Azevedo, que os orientava para a ascese e para o zelo da vida missionária.
Partida em Missão
A 5 de Junho de 1570, João Fernandes parte do Tejo, com Inácio de Azevedo e mais 73 jovens, rumo à Ilha da Madeira, repartidos por três naus. No Funchal, a primeira etapa da viagem, ficaram alojados na Quinta do Pico do Cardo. A 30 de Junho, pressentindo o perigo que iriam correr, dada a aproximação de corsários, Inácio de Azevedo convocou a comitiva antes do embarque. "Queria apenas voluntários da morte por Cristo". Alguns hesitaram e não quiseram seguir, sendo logo substituídos por outros. E chegaram rapidamente às Canárias, onde permaneceram cinco dias.
O martírio
Retomando o caminho do Brasil, deixaram Tazacorte, a 15 de Julho de 1570. Logo de seguida, são rodeados por uma frota de cinco navios de piratas huguenotes (protestantes), comandados pelo temido Jacques Sória. Perante a insuficiência de soldados para defender a nau, o comandante pediu voluntários a Azevedo. Contudo, a sua condição de religiosos consagrados não lhes permitia pegar em armas e atentar contra a vida. Porém, sempre que havia feridos, assistiam-nos, animavam os combatentes e rezavam sempre.
Estando já a nau ocupada pelos calvinistas, e, apercebendo-se eles que se tratava de católicos e missionários, investiram com as armas contra todos aqueles jovens, que foram maltratados, feridos e lançados ao mar, alguns deles ainda com vida.
João Caniço, sj
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Religião
quinta-feira, 10 de julho de 2008
1578: Nasce Ferdinando 2º, sacro imperador romano-germânico
1578: Nasce Ferdinando 2º, sacro imperador romano-germânico
A 9 de julho de 1578, nasceu o futuro imperador Ferdinando, na Áustria. Obstinado pelo catolicismo, acabou sendo um dos protagonistas da Guerra dos Trinta Anos, com o soberano protestante Frederico V.
Natural de Graz, na Áustria, Ferdinando foi educado num colégio jesuíta em Ingolstadt, no sul da Alemanha. Em 1617, tornou-se rei da Boêmia, e, no ano seguinte, da Hungria. Em 1619, sucedeu o imperador Matthias no Sacro Império Romano de Nação Germânica.
Chamado "Imperador da Contra-Reforma", foi radical inimigo dos protestantes. Casou com Maria Ana da Baviera. Seu objetivo era impor o absolutismo católico romano em seus domínios.
No chamado Sacro Império Romano do Ocidente, um dos reis alemães era eleito pelos príncipes e bispos, sendo coroado pelo papa como Imperador da Cristandade. Todos os outros reis deviam respeitá-lo como tal. Mas com a Reforma protestante, instalou-se um conflito entre os príncipes eleitores.
Na Boêmia, os grupos protestantes se rebelaram contra o imperador católico, construíram uma igreja evangélica num reduto católico e entronizaram o príncipe eleitor calvinista Frederico 5º, que estendia seu poder até o Palatinado e era o chefe da União Protestante contra os católicos.
Guerra dos Trinta Anos
Os principais adversários foram, do lado católico, Ferdinando 2º, e do lado protestante, Frederico 5º. O recém-coroado Ferdinando mandou as tropas de seu aliado, o duque Maximiliano da Baviera, para a Boêmia. Era a eclosão da Guerra dos Trinta Anos, a primeira grande guerra européia. Na primeira batalha, Maximiliano conseguiu controlar os revoltosos rapidamente.
Frederico do Palatinado teve de fugir. Em Praga, o imperador vingou-se dos revoltosos com a execução pública de 27 nobres, líderes do levante. Para reprimir a insatisfação popular, enviou para a Boêmia tropas comandadas por Albrecht von Wallenstein, um comandante alemão sedento de guerra.
Na década de 1620, parecia que Wallenstein iria impor a paz na Boêmia, mas então outros países europeus entraram no conflito. Os holandeses invadiram a Renânia para enfrentar os exércitos da Espanha e dos Habsburgos, comandados pelo poderoso general Spinosa. Em 1626, uma força dinamarquesa comandada pelo monarca Cristiano 4º invadiu a Alemanha pelo norte, para apoiar os protestantes.
Wallenstein ofereceu-se a Ferdinando 2º para expulsar os dinamarqueses com um exército organizado por conta própria – e teve sucesso. Como prêmio, tornou-se príncipe imperial. Em 1630, o exército do influente rei sueco Gustavo Adolfo 2º (1611–1632), protestante, invadiu o norte da Alemanha e avançou para a Renânia e Baviera no ano seguinte. As tropas comandadas por Ferdinando 2º conseguiram expulsá-lo.
Diplomacia
Os protestantes alemães procuraram soluções pacíficas para o conflito, o que culminou no chamado Acordo de Paz de Praga, de 30 de maio de 1635. Esse acordo, porém, foi de pouca duração. A França e a Espanha intervieram, desencadeando mais uma série de lutas, que só terminaram em 1648, com a Paz de Vestfália, na qual foi reconhecida a liberdade religiosa dos calvinistas e dos demais protestantes.
Ferdinando 2º casou-se pela segunda vez com Eleonora Gonzaga de Mântua, em 1622, morrendo em Viena em 15 de fevereiro de 1637. Além das razões religiosas, entretanto, outros motivos haviam levado à guerra, inclusive disputas sucessórias e territoriais, bem como questões comerciais
A 9 de julho de 1578, nasceu o futuro imperador Ferdinando, na Áustria. Obstinado pelo catolicismo, acabou sendo um dos protagonistas da Guerra dos Trinta Anos, com o soberano protestante Frederico V.
Natural de Graz, na Áustria, Ferdinando foi educado num colégio jesuíta em Ingolstadt, no sul da Alemanha. Em 1617, tornou-se rei da Boêmia, e, no ano seguinte, da Hungria. Em 1619, sucedeu o imperador Matthias no Sacro Império Romano de Nação Germânica.
Chamado "Imperador da Contra-Reforma", foi radical inimigo dos protestantes. Casou com Maria Ana da Baviera. Seu objetivo era impor o absolutismo católico romano em seus domínios.
No chamado Sacro Império Romano do Ocidente, um dos reis alemães era eleito pelos príncipes e bispos, sendo coroado pelo papa como Imperador da Cristandade. Todos os outros reis deviam respeitá-lo como tal. Mas com a Reforma protestante, instalou-se um conflito entre os príncipes eleitores.
Na Boêmia, os grupos protestantes se rebelaram contra o imperador católico, construíram uma igreja evangélica num reduto católico e entronizaram o príncipe eleitor calvinista Frederico 5º, que estendia seu poder até o Palatinado e era o chefe da União Protestante contra os católicos.
Guerra dos Trinta Anos
Os principais adversários foram, do lado católico, Ferdinando 2º, e do lado protestante, Frederico 5º. O recém-coroado Ferdinando mandou as tropas de seu aliado, o duque Maximiliano da Baviera, para a Boêmia. Era a eclosão da Guerra dos Trinta Anos, a primeira grande guerra européia. Na primeira batalha, Maximiliano conseguiu controlar os revoltosos rapidamente.
Frederico do Palatinado teve de fugir. Em Praga, o imperador vingou-se dos revoltosos com a execução pública de 27 nobres, líderes do levante. Para reprimir a insatisfação popular, enviou para a Boêmia tropas comandadas por Albrecht von Wallenstein, um comandante alemão sedento de guerra.
Na década de 1620, parecia que Wallenstein iria impor a paz na Boêmia, mas então outros países europeus entraram no conflito. Os holandeses invadiram a Renânia para enfrentar os exércitos da Espanha e dos Habsburgos, comandados pelo poderoso general Spinosa. Em 1626, uma força dinamarquesa comandada pelo monarca Cristiano 4º invadiu a Alemanha pelo norte, para apoiar os protestantes.
Wallenstein ofereceu-se a Ferdinando 2º para expulsar os dinamarqueses com um exército organizado por conta própria – e teve sucesso. Como prêmio, tornou-se príncipe imperial. Em 1630, o exército do influente rei sueco Gustavo Adolfo 2º (1611–1632), protestante, invadiu o norte da Alemanha e avançou para a Renânia e Baviera no ano seguinte. As tropas comandadas por Ferdinando 2º conseguiram expulsá-lo.
Diplomacia
Os protestantes alemães procuraram soluções pacíficas para o conflito, o que culminou no chamado Acordo de Paz de Praga, de 30 de maio de 1635. Esse acordo, porém, foi de pouca duração. A França e a Espanha intervieram, desencadeando mais uma série de lutas, que só terminaram em 1648, com a Paz de Vestfália, na qual foi reconhecida a liberdade religiosa dos calvinistas e dos demais protestantes.
Ferdinando 2º casou-se pela segunda vez com Eleonora Gonzaga de Mântua, em 1622, morrendo em Viena em 15 de fevereiro de 1637. Além das razões religiosas, entretanto, outros motivos haviam levado à guerra, inclusive disputas sucessórias e territoriais, bem como questões comerciais
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Religião
segunda-feira, 7 de julho de 2008
UFPB realiza o I Encontro de História do Império Brasileiro
06/07/2008
UFPB realiza o I Encontro de História do Império Brasileiro
O Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal da Paraíba vai promover o I Encontro de História do Império Brasileiro, que tem como tema Múltiplas Visões: Cultura Histórica no Oitocentos. O evento será realizado de 24 a 27 de setembro de 2008, ano em que completa 200 anos da chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil.
O evento tem como objetivo reunir pesquisadores e grupos de pesquisa brasileiros, particularmente das regiões Norte e Nordeste, que se dedicam à História imperial do Brasil a fim de debater os temas, problemas e abordagens de pesquisa que estão sendo discutidos dentre estes pesquisadores sobre a História do Império Brasileiro.
As inscrições para participação como ouvinte no evento são feitas através do envio em anexo da ficha de inscrição preenchida e do comprovante de depósito para o e-mail imperio2008@uol.com.br. As inscrições nos mini-cursos vão estar abertas a partir do dia 21 de julho.
Mais informações são obtidas na página do evento ou pelo telefone 55 (83) 3216-7915.
Fonte: UFPB
UFPB realiza o I Encontro de História do Império Brasileiro
O Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal da Paraíba vai promover o I Encontro de História do Império Brasileiro, que tem como tema Múltiplas Visões: Cultura Histórica no Oitocentos. O evento será realizado de 24 a 27 de setembro de 2008, ano em que completa 200 anos da chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil.
O evento tem como objetivo reunir pesquisadores e grupos de pesquisa brasileiros, particularmente das regiões Norte e Nordeste, que se dedicam à História imperial do Brasil a fim de debater os temas, problemas e abordagens de pesquisa que estão sendo discutidos dentre estes pesquisadores sobre a História do Império Brasileiro.
As inscrições para participação como ouvinte no evento são feitas através do envio em anexo da ficha de inscrição preenchida e do comprovante de depósito para o e-mail imperio2008@uol.com.br. As inscrições nos mini-cursos vão estar abertas a partir do dia 21 de julho.
Mais informações são obtidas na página do evento ou pelo telefone 55 (83) 3216-7915.
Fonte: UFPB
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História do Brasil
domingo, 6 de julho de 2008
Aromas e Sabores da Boa Lembrança, Crustáceos.
A série pocket dos livros Aromas e Sabores da Boa Lembrança, lançou mais uma novidade: Crustáceos.
Crustáceos- versão compacta
Texto: Danusia Barbara
Fotos: Sergio Pagano
Ed. SENAC Rio
180 páginas, R$ 29,50
Crustáceos- versão compacta
Texto: Danusia Barbara
Fotos: Sergio Pagano
Ed. SENAC Rio
180 páginas, R$ 29,50
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CULINÁRIA RECEITAS de Crustáceos - LIVRO
Esqueceu?
Esqueceu?
O volume 11 da Ipotesi, revisada de estudos literários editada pela Universidade Federal de Juiz de Fora, é dedicado ao tema da memória e do esquecimento. Em torno dele, reúnem-se ensaios que abordam a questão pela ótica do gênero autobiográfico, suas variantes e desdobramentos. Entre os autores estudados estão Rétif de La Bretonne, cujas inscrições deixadas nos muro de Paris no século 18 nos levam às origens do diário íntimo. A obra memorialística de Pedro Nava, maior brasileiro a cultivar o gênero, também é estudada.
O volume 11 da Ipotesi, revisada de estudos literários editada pela Universidade Federal de Juiz de Fora, é dedicado ao tema da memória e do esquecimento. Em torno dele, reúnem-se ensaios que abordam a questão pela ótica do gênero autobiográfico, suas variantes e desdobramentos. Entre os autores estudados estão Rétif de La Bretonne, cujas inscrições deixadas nos muro de Paris no século 18 nos levam às origens do diário íntimo. A obra memorialística de Pedro Nava, maior brasileiro a cultivar o gênero, também é estudada.
Carlos Lyra faz poema de Machado de Assis virar Bossa Nova
Carlos Lyra faz poema de Machado de Assis virar Bossa Nova
PARATY - O músico Carlos Lyra participou da Festa Literária de Paraty, a Flip, nesta quinta-feira 3/7/2008, e falou sobre sua estréia na literatura com o livro Eu e a Bossa - Uma história da Bossa Nova. No trabalho ele mostra um novo olhar sobre a Bossa Nova, além de contar algumas de suas histórias publicáveis, como ele mesmo faz questão de afirmar. Além disso, ele falou sobre o poema de Machado de Assis que transformou em música.
Na mesa de debates, Lyra começou pelo significado da expressão Bossa Nova e afirmou que seu livro é para desmitificar de vez as lendas criadas em torno do que o cantor e compositor chama de "surto cultural". Lyra se destacou em todos os momentos da mesa e arrancava risos da platéia.
Simpático, carismático e sarcástico em alguns momentos, o autor-músico diz que a Bossa Nova foi um "surto cultural" e não um movimento como algumas pessoas teimam em dizer. Conta que quem deu esse título ao estilo musical foi um judeu da Sociedade Hebraica, no Rio, em 1957, quando ele com outros músicos foram se apresentar lá e que acabou ficando assim batizado.
Eu e a Bossa - Uma história da Bossa Nova são memórias de dez anos que ele reuniu, escreveu e transformou agora em CD Book e que surgiu desde que Ruy Castro escreveu Chega de Saudade, disse Carlos Lyra.
E nasceu da necessidade de rapazes de classe média de ter de criar a própria música, já que o único que os agradava era o jazz que não era brasileiro, mas sempre buscando essa forma: letra e música elaboradas com intenção poética, uma música sofisticada e assim nasceu a Bossa Nova.
E uma surpresa que todos poderão ouvir no CD Book de Carlos Lyra é a sua mais nova parceria com ninguém menos do que o saudoso e celebrado Bruxo do Cosme Velho. Isso mesmo, Lyra musicou o poema Quando ela fala de Machado de Assis, e acrescentou que na falta de bons parceiros antigos ou novos, apela para os mortos.
PARATY - O músico Carlos Lyra participou da Festa Literária de Paraty, a Flip, nesta quinta-feira 3/7/2008, e falou sobre sua estréia na literatura com o livro Eu e a Bossa - Uma história da Bossa Nova. No trabalho ele mostra um novo olhar sobre a Bossa Nova, além de contar algumas de suas histórias publicáveis, como ele mesmo faz questão de afirmar. Além disso, ele falou sobre o poema de Machado de Assis que transformou em música.
Na mesa de debates, Lyra começou pelo significado da expressão Bossa Nova e afirmou que seu livro é para desmitificar de vez as lendas criadas em torno do que o cantor e compositor chama de "surto cultural". Lyra se destacou em todos os momentos da mesa e arrancava risos da platéia.
Simpático, carismático e sarcástico em alguns momentos, o autor-músico diz que a Bossa Nova foi um "surto cultural" e não um movimento como algumas pessoas teimam em dizer. Conta que quem deu esse título ao estilo musical foi um judeu da Sociedade Hebraica, no Rio, em 1957, quando ele com outros músicos foram se apresentar lá e que acabou ficando assim batizado.
Eu e a Bossa - Uma história da Bossa Nova são memórias de dez anos que ele reuniu, escreveu e transformou agora em CD Book e que surgiu desde que Ruy Castro escreveu Chega de Saudade, disse Carlos Lyra.
E nasceu da necessidade de rapazes de classe média de ter de criar a própria música, já que o único que os agradava era o jazz que não era brasileiro, mas sempre buscando essa forma: letra e música elaboradas com intenção poética, uma música sofisticada e assim nasceu a Bossa Nova.
E uma surpresa que todos poderão ouvir no CD Book de Carlos Lyra é a sua mais nova parceria com ninguém menos do que o saudoso e celebrado Bruxo do Cosme Velho. Isso mesmo, Lyra musicou o poema Quando ela fala de Machado de Assis, e acrescentou que na falta de bons parceiros antigos ou novos, apela para os mortos.
Museu Marítimo Internacional é nova atração de Hamburgo
Museu Marítimo Internacional é nova atração de Hamburgo
Foi inaugurado em Hamburgo um museu que faz jus à importante cidade portuária da Alemanha. O acervo exposto no prédio de 10 andares narra a história de 3 mil anos de navegação.
Nada mais justo que Hamburgo, também chamada "portão da Alemanha para o mundo", devido a sua importância portuária, sediar um museu marítimo internacional. O patrono do novo museu é Peter Tamm, de 80 anos, ex-presidente do conglomerado Axel Springer. A maior parte do acervo, que conta a história de 3 mil anos de navegação marítima, é propriedade privada. A água é o elixir da vida. O fato de a Terra ser como é, nós devemos à água. Oitenta por cento do planeta é composto por água, e se quisermos ir de um continente a outro precisamos de um barco", ressalta Tamm, ao explicar sua fascinação por navios.
Sua paixão pela navegação marítima começou muito cedo. Já seus ancestrais eram navegadores. O primeiro objeto de sua coleção foi um pequeno modelo de cargueiro, que ganhou da mãe quando tinha seis anos de idade.
Com o passar do tempo, Tamm acumulou 36 mil miniaturas de navios, 5 mil pinturas, gravuras e mapas, 500 mil fotos, 120 mil livros, instrumentos de astronavegação e outros objetos originais, como cardápios de bordo, decorações, uniformes e inclusive um submarino para duas pessoas e cartas do almirante inglês Horatio Nelson. Para abrigar o acervo, teve de alugar um antigo hotel.
De Colombo ao Nordeste brasileiro
As peças mais antigas têm mais de 4 mil anos de idade. Seu valor é calculado em mais de 100 milhões de euros. Outra peça de destaque é uma miniatura em ouro do navio Santa Maria, de Cristóvão Colombo, usado no descobrimento da América. O Brasil também está presente no museu, seja através da história do Tratado de Tordesilhas, seja na miniatura de uma jangada. O sonho de Tamm de construir um museu tomou contornos em 2004, quando a administração de Hamburgo concedeu 30 milhões de euros à fundação Tamm e permitiu o uso gratuito, por 99 anos, de um dos prédios históricos do cais do porto. O armazém, antigamente usado como depósito de café e chá, foi completamente restaurado e cada um dos 10 andares tornou-se um mundo temático.
Do descobrimento do mundo: navegação e comunicação, que é o tema do primeiro andar, o visitante chega à seção de caravelas e veleiros, no segundo pavimento. Até atingir o topo do prédio, aprende-se sobre a construção de navios, rotinas militares a bordo, a importância da Marinha em tempos de guerra e paz, e a pesquisa nas profundezas dos oceanos. Um andar especial foi reservado a objetos de arte e 36 mil modelos de navios, entre os quais o Santa Maria, com 25 cm de comprimento e 35 cm de altura. "O importante para a forma de apresentação do museu é contar histórias", disse o responsável pela disposição das peças e organização do museu, Holger von Neuhoff.
"Nossa intenção foi encontrar o equilíbrio exato e a linguagem adequada para atingir todas as gerações e não um público-alvo específico", complementa.
Foi inaugurado em Hamburgo um museu que faz jus à importante cidade portuária da Alemanha. O acervo exposto no prédio de 10 andares narra a história de 3 mil anos de navegação.
Nada mais justo que Hamburgo, também chamada "portão da Alemanha para o mundo", devido a sua importância portuária, sediar um museu marítimo internacional. O patrono do novo museu é Peter Tamm, de 80 anos, ex-presidente do conglomerado Axel Springer. A maior parte do acervo, que conta a história de 3 mil anos de navegação marítima, é propriedade privada. A água é o elixir da vida. O fato de a Terra ser como é, nós devemos à água. Oitenta por cento do planeta é composto por água, e se quisermos ir de um continente a outro precisamos de um barco", ressalta Tamm, ao explicar sua fascinação por navios.
Sua paixão pela navegação marítima começou muito cedo. Já seus ancestrais eram navegadores. O primeiro objeto de sua coleção foi um pequeno modelo de cargueiro, que ganhou da mãe quando tinha seis anos de idade.
Com o passar do tempo, Tamm acumulou 36 mil miniaturas de navios, 5 mil pinturas, gravuras e mapas, 500 mil fotos, 120 mil livros, instrumentos de astronavegação e outros objetos originais, como cardápios de bordo, decorações, uniformes e inclusive um submarino para duas pessoas e cartas do almirante inglês Horatio Nelson. Para abrigar o acervo, teve de alugar um antigo hotel.
De Colombo ao Nordeste brasileiro
As peças mais antigas têm mais de 4 mil anos de idade. Seu valor é calculado em mais de 100 milhões de euros. Outra peça de destaque é uma miniatura em ouro do navio Santa Maria, de Cristóvão Colombo, usado no descobrimento da América. O Brasil também está presente no museu, seja através da história do Tratado de Tordesilhas, seja na miniatura de uma jangada. O sonho de Tamm de construir um museu tomou contornos em 2004, quando a administração de Hamburgo concedeu 30 milhões de euros à fundação Tamm e permitiu o uso gratuito, por 99 anos, de um dos prédios históricos do cais do porto. O armazém, antigamente usado como depósito de café e chá, foi completamente restaurado e cada um dos 10 andares tornou-se um mundo temático.
Do descobrimento do mundo: navegação e comunicação, que é o tema do primeiro andar, o visitante chega à seção de caravelas e veleiros, no segundo pavimento. Até atingir o topo do prédio, aprende-se sobre a construção de navios, rotinas militares a bordo, a importância da Marinha em tempos de guerra e paz, e a pesquisa nas profundezas dos oceanos. Um andar especial foi reservado a objetos de arte e 36 mil modelos de navios, entre os quais o Santa Maria, com 25 cm de comprimento e 35 cm de altura. "O importante para a forma de apresentação do museu é contar histórias", disse o responsável pela disposição das peças e organização do museu, Holger von Neuhoff.
"Nossa intenção foi encontrar o equilíbrio exato e a linguagem adequada para atingir todas as gerações e não um público-alvo específico", complementa.
sábado, 5 de julho de 2008
Universidade Federal de São João Del Rei realiza 21º Inverno Cultural
Universidade Federal de São João Del Rei realiza 21º Inverno Cultural
Evento reúne oficinas, exposições, shows e peças teatrais
De 12 a 26 de julho de 2008, a cidade mineira São João Del-Rei será palco do 21º Inverno Cultural. O evento, organizado pela UFSJ (Universidade Federal de São João Del-Rei) promove atividades nas mais variadas linguagens da cultura e da arte.
Nesta edição, a personalidade homenageada será a cantora Clara Nunes. A escolha, segundo os organizadores, se justifica pelo fato do samba fazer parte da marca cultural da região. Assim, muitas das atrações serão embasadas na temática. Entre os destaques está a Exposição Brasil Mestiço de Clara Nunes. Sob curadoria da artista plástica Liliane Dardor, a mostra fará uma leitura poética da obra da cantora, por meio de seu acervo pessoal.
O leque de atrações do 21º Inverno Cultural integra também outras exposições, exibições de filmes, espetáculos musicais e teatrais. O público poderá conferir o show de Demônios da Garoa, Maria Rita, NX Zero, Toni Garrido e Biquíni Cavadão.
Mas além de tornar a arte acessível a todas as camadas sociais, o evento também possui caráter educacional. Por isso, oferece oficinas nas áreas de artes cênicas, plásticas e visuais, educação, música e literatura. Este ano, haverá mais de 60 opções, entre elas os cursos classificados com especiais. Para participar os interessados precisam fazer uma inscrição prévia. As vagas são limitadas.
A programação completa do evento está disponível no endereço www.invernocultural.ufsj.edu.br.
Evento reúne oficinas, exposições, shows e peças teatrais
De 12 a 26 de julho de 2008, a cidade mineira São João Del-Rei será palco do 21º Inverno Cultural. O evento, organizado pela UFSJ (Universidade Federal de São João Del-Rei) promove atividades nas mais variadas linguagens da cultura e da arte.
Nesta edição, a personalidade homenageada será a cantora Clara Nunes. A escolha, segundo os organizadores, se justifica pelo fato do samba fazer parte da marca cultural da região. Assim, muitas das atrações serão embasadas na temática. Entre os destaques está a Exposição Brasil Mestiço de Clara Nunes. Sob curadoria da artista plástica Liliane Dardor, a mostra fará uma leitura poética da obra da cantora, por meio de seu acervo pessoal.
O leque de atrações do 21º Inverno Cultural integra também outras exposições, exibições de filmes, espetáculos musicais e teatrais. O público poderá conferir o show de Demônios da Garoa, Maria Rita, NX Zero, Toni Garrido e Biquíni Cavadão.
Mas além de tornar a arte acessível a todas as camadas sociais, o evento também possui caráter educacional. Por isso, oferece oficinas nas áreas de artes cênicas, plásticas e visuais, educação, música e literatura. Este ano, haverá mais de 60 opções, entre elas os cursos classificados com especiais. Para participar os interessados precisam fazer uma inscrição prévia. As vagas são limitadas.
A programação completa do evento está disponível no endereço www.invernocultural.ufsj.edu.br.
Bienal do Livro acontece de 14 a 24 de agosto de 2008
Bienal do Livro acontece de 14 a 24 de agosto de 2008
São Paulo reúne 900 selos editoriais nacionais e internacionais
A 20ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo já tem data marcada. O evento, que será realizado pela CBL (Câmara Brasileira do Livro), acontece entre os dias 14 e 24 de agosto de 2008, no Pavilhão de Exposições do Anhembi.
Nesta edição, haverá cerca de 350 expositores nacionais e estrangeiros que irão representar mais de 900 selos editoriais. A expectativa, segundo os organizadores, é receber a visita de no mínimo 800 mil pessoas, entre elas estudantes, profissionais e demais interessados na cultura de livros.
A exposição, este ano, coincide com o bicentenário da chegada da família real portuguesa ao País, fato que marcou o início da indústria gráfica e do livro no Brasil, da criação da imprensa e da Biblioteca Nacional.
20ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Data: de 14 a 24 de agosto de 2008
Horário: das 10h às 22h
Local: Pavilhão de Exposições do Anhembi - São Paulo - SP
Mais informações: www.bienaldolivrosp.com.br
São Paulo reúne 900 selos editoriais nacionais e internacionais
A 20ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo já tem data marcada. O evento, que será realizado pela CBL (Câmara Brasileira do Livro), acontece entre os dias 14 e 24 de agosto de 2008, no Pavilhão de Exposições do Anhembi.
Nesta edição, haverá cerca de 350 expositores nacionais e estrangeiros que irão representar mais de 900 selos editoriais. A expectativa, segundo os organizadores, é receber a visita de no mínimo 800 mil pessoas, entre elas estudantes, profissionais e demais interessados na cultura de livros.
A exposição, este ano, coincide com o bicentenário da chegada da família real portuguesa ao País, fato que marcou o início da indústria gráfica e do livro no Brasil, da criação da imprensa e da Biblioteca Nacional.
20ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Data: de 14 a 24 de agosto de 2008
Horário: das 10h às 22h
Local: Pavilhão de Exposições do Anhembi - São Paulo - SP
Mais informações: www.bienaldolivrosp.com.br
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Turismo ferroviário cresce no Brasil
Turismo ferroviário cresce no Brasil
O Brasil conta hoje com 30 trens de categoria turismo em operação, que só em 2007 transportaram três milhões de passageiros, e atingiram um faturamento superior a R$ 10 milhões. Até o próximo ano a expectativa da Associação Brasileira de Operadoras de Trens Turísticos (ABOTTC) é a de que outros 15 trens entrem em operação. Além de novos roteiros, trechos que estavam desativados devem voltar a operar. Como é o caso do Trem do Pantanal, que será administrado pela paranaense Serra Verde Express, responsável pelo trecho ferroviário entre Curitiba e Paranaguá.
E para difundir todos os roteiros ferroviários existentes no País foi criado o site www.amantesdaferrovia.com.br. Através dele, o turista pode conhecer as opções existentes de passeios, assim como novidades no setor, e até comprar pacotes turísticos. O anúncio do site foi feito em Curitiba pelo presidente da ABOTTC, Sávio Neves, que esteve na capital participando do 1.º Workshop Latino-Americano de Trens Turísticos, realizado de 26 a 28 de junho, evento que aconteceu paralelo ao seminário internacional “O Transporte ferroviário na América Latina: atualidade e futuro”.
De acordo com Sávio Neves, o Brasil vive um momento de resgate das ferrovias, que hoje são apontadas como alternativas para o transporte de cargas e passageiros, em função das péssimas condições das rodovias e problemas no sistema aéreo. No entanto, ele avalia que ainda há muito o que se fazer para atingir o desenvolvimento pleno do setor. Segundo ele, há 50 anos o País tinha cerca de 43 mil quilômetros de trilhos sendo operados, hoje utiliza apenas 27 mil quilômetros e menos de 10% com o transporte de passageiros. “Temos muito para crescer”, disse.
E como forma de apoiar os trens de turismo no Brasil foi decidido pela Associação Latino Americana de Estradas de Ferro (Alaf) a criação de um grupo envolvendo empresas do setor. A Alaf opera hoje em 22 países com 28 empresas, das quais 17 são empresas de trens de turismo. De acordo com o secretário geral da Alaf, Jaime Valêncio Valência, o Brasil tem um potencial muito grande para se expandir no turismo ferroviário e, a partir da criação de grupo, serão feitos eventos técnicos para a troca de experiências com diversos países que operam na área.
O Brasil conta hoje com 30 trens de categoria turismo em operação, que só em 2007 transportaram três milhões de passageiros, e atingiram um faturamento superior a R$ 10 milhões. Até o próximo ano a expectativa da Associação Brasileira de Operadoras de Trens Turísticos (ABOTTC) é a de que outros 15 trens entrem em operação. Além de novos roteiros, trechos que estavam desativados devem voltar a operar. Como é o caso do Trem do Pantanal, que será administrado pela paranaense Serra Verde Express, responsável pelo trecho ferroviário entre Curitiba e Paranaguá.
E para difundir todos os roteiros ferroviários existentes no País foi criado o site www.amantesdaferrovia.com.br. Através dele, o turista pode conhecer as opções existentes de passeios, assim como novidades no setor, e até comprar pacotes turísticos. O anúncio do site foi feito em Curitiba pelo presidente da ABOTTC, Sávio Neves, que esteve na capital participando do 1.º Workshop Latino-Americano de Trens Turísticos, realizado de 26 a 28 de junho, evento que aconteceu paralelo ao seminário internacional “O Transporte ferroviário na América Latina: atualidade e futuro”.
De acordo com Sávio Neves, o Brasil vive um momento de resgate das ferrovias, que hoje são apontadas como alternativas para o transporte de cargas e passageiros, em função das péssimas condições das rodovias e problemas no sistema aéreo. No entanto, ele avalia que ainda há muito o que se fazer para atingir o desenvolvimento pleno do setor. Segundo ele, há 50 anos o País tinha cerca de 43 mil quilômetros de trilhos sendo operados, hoje utiliza apenas 27 mil quilômetros e menos de 10% com o transporte de passageiros. “Temos muito para crescer”, disse.
E como forma de apoiar os trens de turismo no Brasil foi decidido pela Associação Latino Americana de Estradas de Ferro (Alaf) a criação de um grupo envolvendo empresas do setor. A Alaf opera hoje em 22 países com 28 empresas, das quais 17 são empresas de trens de turismo. De acordo com o secretário geral da Alaf, Jaime Valêncio Valência, o Brasil tem um potencial muito grande para se expandir no turismo ferroviário e, a partir da criação de grupo, serão feitos eventos técnicos para a troca de experiências com diversos países que operam na área.
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A Nova Arte de Ensinar de Wolfgang Ratke (1571 – 1635)
lançamento do livro RATKE: Escritos sobre A Nova Arte de Ensinar de Wolfgang Ratke (1571 – 1635):
textos escolhidos.
Apresentação, tradução e notas de
Sandino Hoff.
Data: 07/07/2008
A partir das 17h
Local: Livraria EdUFSCAR
Campus São Carlos
textos escolhidos.
Apresentação, tradução e notas de
Sandino Hoff.
Data: 07/07/2008
A partir das 17h
Local: Livraria EdUFSCAR
Campus São Carlos
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LIVROS
Paróquia Cristo Rei completa dia 10 de julho 70 anos de existência em Cornélio Procópio
Paróquia Cristo Rei completa dia 10 de julho 70 anos de existência em Cornélio Procópio
Ismael Reghin, Santo de Conti e Anézio Pires de Godoy vivenciaram o nascimento da paróquia Cristo Rei
A criação da paróquia Cristo Rei deu-se oficialmente em 10 de julho de 1938. Portanto, no próximo dia 10 a primeira paróquia de Cornélio Procópio completa 70 anos de existência. Já a construção da então Matriz, hoje Catedral Cristo Rei (foto) com 600 metros quadrados, iniciou-se no dia 31 de outubro de 1943 e foi concluída em maio de 1948, com arquitetura em estilo neo-românico e influências bizantinas. A 1ª missa na nova igreja foi celebrada no dia 13 de junho de 1948. A missa foi celebrada no padrão conservador da Igreja Católica, em Latim. O primeiro padre foi o alemão Antonio Loch que está sepultado no jazigo dos padres palotinos do Cemitério Municipal da Saudade de Cornélio Procópio. No governo de Eduardo Trevisan, o primeiro padre de nossa cidade foi homenageado levando seu nome em uma escola pública construída no Jardim Figueira. O atual pároco é o padre diocesano procopense Orisvaldo José Calandro. Na celebração de missas, ele conta com apoio dos padres palotinos Antonio Fernando Rossini e Valdeci Antônio de Almeida, do seminário Rainha da Paz, Vila Independência. Entre as ilustres personalidades que vivenciaram o nascimento da paróquia Cristo Rei estão Ismael Reghin, Santo de Conti e Anézio Pires de Godoy.
Em 70 anos de existência, a paróquia Cristo Rei administra as seguintes capelas na periferia e bairros rurais de Cornélio Procópio: Nossa Senhora Aparecida (Jardim Progresso); Imaculada Conceição (Conjunto João XXIII); São José (Vila América); São Marcos em processo de construção (Jardim Veneza); São Benedito (Vila Nova); Nossa Senhora de Fátima (Vila Mariana); Nossa Senhora Aparecida (Jerusalém); Santo Antônio (Macuco); Sagrado Coração de Jesus (Pedregulho) e Nossa Senhora das Graças (Fazenda Santa Maria). Mais de 30 padres já trabalharam nos 70 anos de existência da paróquia Cristo Rei, fundada pelos palotinos em Cornélio Procópio. No dia 10 de julho, o bispo da Diocese de Cornélio Procópio, dom Getúlio Teixeira Guimarães celebra missa em Ação de Graças, às 19h30m., pelos 70 anos de criação da paróquia Cristo Rei em nossa cidade.
DIOCESE - Já a Diocese de Cornélio Procópio foi criada em 13 de maio de 1973, através de decreto do então Papa Paulo VI. O primeiro Bispo foi Dom José Joaquim Gonçalves, que está sepultado em Jaboticabal, no interior de São Paulo. O segundo foi Dom Domingos Gabriel Wisniewcki, hoje bispo emérito de Apucarana e Dom Getúlio Teixeira Guimarães que está no comando da Igreja Católica desde maio de 1984. A Diocese de Cornélio Procópio agrega 19 municípios e 25 paróquias. São mais de trinta padres diocesanos e palotinos que atendem as comunidades nessas 19 localidades da região. Hoje, Cornélio Procópio tem seis paróquias: Cristo Rei (centro da cidade); São Vicente Pallotti/Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (centro da cidade); São José Operário (Vila Popular); São Miguel Arcanjo (Jardim Bela Vista); Rainha dos Apóstolos (Jardim Primavera) e São Francisco de Assis (Jardim Panorama).
CIDADE FORMADORA DE PADRES – A cidade de Cornélio Procópio orgulha-se em formar sacerdotes para a Igreja Católica. Mais de oito estão trabalhando hoje fora do município que conta apenas com o padre Orisvaldo José Calandro, na Catedral Cristo Rei. Em São Paulo, por exemplo, estão trabalhando os padres palotinos procopenses Silvio Andrei Rodrigues e Renato Vieira. No Maranhão trabalha na evangelização o padre Arlindo José Severiano, que foi o fundador da paróquia Rainha dos Apóstolos, no Jardim Primavera. O padre Reinaldo Picoloto, cuja família é tradicional na Vila Independência, trabalha na casa provincial dos palotinos em São Paulo. O padre Denilson Pelissari Mauro, está se especializando em direito canônico no Vaticano e o padre Luiz Severino de Andrade, que trabalha em Xavantes. Há também os padres Almir Aureliano, que trabalha em Rancho Alegre, Márcio Aparecido Gonçalves, em Leópolis e José Carlos Bueno, que trabalha fora do país. Atualmente, o padre Heleno Adnaldo Araújo, da paróquia São Vicente Pallotti/Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é o que está há mais tempo trabalhando na evangelização de nossa cidade. A referida paróquia é a segunda criada na cidade de Cornélio Procópio. A criação deu-se em 22 de janeiro de 1976 e o primeiro pároco foi João Vicente Hennig, sepultado no jazigo dos padres palotinos no Cemitério Municipal da Saudade. O religioso também foi homenageado no governo de Eduardo Trevisan levando seu nome em uma creche localizada no distrito de Congonhas.
Ismael Reghin, Santo de Conti e Anézio Pires de Godoy vivenciaram o nascimento da paróquia Cristo Rei
A criação da paróquia Cristo Rei deu-se oficialmente em 10 de julho de 1938. Portanto, no próximo dia 10 a primeira paróquia de Cornélio Procópio completa 70 anos de existência. Já a construção da então Matriz, hoje Catedral Cristo Rei (foto) com 600 metros quadrados, iniciou-se no dia 31 de outubro de 1943 e foi concluída em maio de 1948, com arquitetura em estilo neo-românico e influências bizantinas. A 1ª missa na nova igreja foi celebrada no dia 13 de junho de 1948. A missa foi celebrada no padrão conservador da Igreja Católica, em Latim. O primeiro padre foi o alemão Antonio Loch que está sepultado no jazigo dos padres palotinos do Cemitério Municipal da Saudade de Cornélio Procópio. No governo de Eduardo Trevisan, o primeiro padre de nossa cidade foi homenageado levando seu nome em uma escola pública construída no Jardim Figueira. O atual pároco é o padre diocesano procopense Orisvaldo José Calandro. Na celebração de missas, ele conta com apoio dos padres palotinos Antonio Fernando Rossini e Valdeci Antônio de Almeida, do seminário Rainha da Paz, Vila Independência. Entre as ilustres personalidades que vivenciaram o nascimento da paróquia Cristo Rei estão Ismael Reghin, Santo de Conti e Anézio Pires de Godoy.
Em 70 anos de existência, a paróquia Cristo Rei administra as seguintes capelas na periferia e bairros rurais de Cornélio Procópio: Nossa Senhora Aparecida (Jardim Progresso); Imaculada Conceição (Conjunto João XXIII); São José (Vila América); São Marcos em processo de construção (Jardim Veneza); São Benedito (Vila Nova); Nossa Senhora de Fátima (Vila Mariana); Nossa Senhora Aparecida (Jerusalém); Santo Antônio (Macuco); Sagrado Coração de Jesus (Pedregulho) e Nossa Senhora das Graças (Fazenda Santa Maria). Mais de 30 padres já trabalharam nos 70 anos de existência da paróquia Cristo Rei, fundada pelos palotinos em Cornélio Procópio. No dia 10 de julho, o bispo da Diocese de Cornélio Procópio, dom Getúlio Teixeira Guimarães celebra missa em Ação de Graças, às 19h30m., pelos 70 anos de criação da paróquia Cristo Rei em nossa cidade.
DIOCESE - Já a Diocese de Cornélio Procópio foi criada em 13 de maio de 1973, através de decreto do então Papa Paulo VI. O primeiro Bispo foi Dom José Joaquim Gonçalves, que está sepultado em Jaboticabal, no interior de São Paulo. O segundo foi Dom Domingos Gabriel Wisniewcki, hoje bispo emérito de Apucarana e Dom Getúlio Teixeira Guimarães que está no comando da Igreja Católica desde maio de 1984. A Diocese de Cornélio Procópio agrega 19 municípios e 25 paróquias. São mais de trinta padres diocesanos e palotinos que atendem as comunidades nessas 19 localidades da região. Hoje, Cornélio Procópio tem seis paróquias: Cristo Rei (centro da cidade); São Vicente Pallotti/Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (centro da cidade); São José Operário (Vila Popular); São Miguel Arcanjo (Jardim Bela Vista); Rainha dos Apóstolos (Jardim Primavera) e São Francisco de Assis (Jardim Panorama).
CIDADE FORMADORA DE PADRES – A cidade de Cornélio Procópio orgulha-se em formar sacerdotes para a Igreja Católica. Mais de oito estão trabalhando hoje fora do município que conta apenas com o padre Orisvaldo José Calandro, na Catedral Cristo Rei. Em São Paulo, por exemplo, estão trabalhando os padres palotinos procopenses Silvio Andrei Rodrigues e Renato Vieira. No Maranhão trabalha na evangelização o padre Arlindo José Severiano, que foi o fundador da paróquia Rainha dos Apóstolos, no Jardim Primavera. O padre Reinaldo Picoloto, cuja família é tradicional na Vila Independência, trabalha na casa provincial dos palotinos em São Paulo. O padre Denilson Pelissari Mauro, está se especializando em direito canônico no Vaticano e o padre Luiz Severino de Andrade, que trabalha em Xavantes. Há também os padres Almir Aureliano, que trabalha em Rancho Alegre, Márcio Aparecido Gonçalves, em Leópolis e José Carlos Bueno, que trabalha fora do país. Atualmente, o padre Heleno Adnaldo Araújo, da paróquia São Vicente Pallotti/Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é o que está há mais tempo trabalhando na evangelização de nossa cidade. A referida paróquia é a segunda criada na cidade de Cornélio Procópio. A criação deu-se em 22 de janeiro de 1976 e o primeiro pároco foi João Vicente Hennig, sepultado no jazigo dos padres palotinos no Cemitério Municipal da Saudade. O religioso também foi homenageado no governo de Eduardo Trevisan levando seu nome em uma creche localizada no distrito de Congonhas.
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Religião
sábado, 28 de junho de 2008
1530: Confissão de Augsburg
1530: Confissão de Augsburg
O reformador Martinho Lutero
Em 25 de junho de 1530, os príncipes que haviam aderido à Reforma foram convidados a explicar-se no Parlamento alemão. Na ocasião, Philipp Melanchton, amigo de Lutero, apresentou a proclamação da fé luterana.
Para melhor compreender a importância da Confissão de Augsburg, é necessário apresentar a situação histórica no contexto da Reforma da Igreja, impulsionada pelo estudioso Martinho Lutero, da Ordem dos Monges Agostinianos. Ele se aprofundou na teoria da religião a partir de 1510, quando retornou de uma viagem a Roma, decepcionado com a corrupção que constatara no alto clero.
Aprofundando seus estudos, concluiu que o homem só se pode salvar pela fé incondicional em Deus, não pelas obras praticadas ou pela indulgência comprada. A fim de arrecadar fundos para financiar a reconstrução da Basílica de São Pedro, o papa Leão 10 havia permitido o perdão dos pecados a todos que contribuíssem financeiramente com a Igreja.
Escandalizado com essa salvação comprada a dinheiro, Lutero afixou na porta da igreja de Wittenberg, no leste da Alemanha, um manifesto público (as 95 teses), em que protestou contra a atitude do papa e expôs os elementos de sua doutrina. Iniciava-se, desta maneira, uma longa discussão entre Lutero e as autoridades eclesiásticas, culminando com sua excomunhão pelo papa, em 1520.
Meio religioso para fim militar
No dia 21 de janeiro de 1530, o imperador Carlos 5º convocara uma Dieta imperial a reunir-se em abril seguinte, em Augsburg, no sul da Alemanha. Para dispor de uma frente unida contra os turcos nas suas operações militares, ele exigiu o fim do conflito entre protestantes e católicos.
Os príncipes e representantes das cidades livres do Império foram convidados a discutir as diferenças religiosas na futura Dieta, na esperança de superá-las e restaurar a unidade. Atendendo ao convite, o príncipe eleitor da Saxônia pediu aos seus teólogos em Wittenberg que preparassem um relato sobre as crenças e práticas nas igrejas da sua terra, que seria apresentado ao imperador.
Sob a coordenação de Philipp Melachton, foram reunidas as doutrinas compiladas nos documentos conhecidos como Artigos de Schwabach, de 1529, e Artigos de Torgau, de março de 1530.
Lutero, que não estava presente em Augsburg, foi consultado por correspondência, mas as emendas e revisões continuaram sendo feitas até a véspera da apresentação formal ao imperador, em 25 de junho de 1530. Assinada por sete príncipes e pelos representantes de duas cidades livres, a Confissão imediatamente foi reconhecida como uma declaração pública de fé.
De acordo com as instruções do imperador, os textos das confissões foram apresentados em alemão e latim. Diante da Dieta foi lido o texto alemão, que é, por isso, tido como mais oficial.
A Confissão representava um esforço para manter a Igreja unida e continha as principais teses da doutrina de Lutero, entre as quais as que dizem respeito à doutrina da justificação, ou da salvação. Mesmo que a Confissão tivesse sido redigida em estilo conciliador, evitando ataques e reivindicações, não foi aceita pela Igreja Católica e sua divulgação ficou proibida.
A rejeição da Confissão de Augsburg deu força à separação entre luteranos e católicos. Passaram-se quatro séculos de condenações recíprocas e guerras religiosas. O diálogo, suspenso em 1530, só recomeçou em 1967, após o Concílio Ecumênico Vaticano 2º.
Melanchton, o autor intelectual
Philipp Schwarzerd foi o compilador, não somente da Confissão, como também de outro documento muito importante, conhecido como Apologia da Confissão de Augsburg. Philipp nasceu em Bretten, Baden, em 1497. Seu tio-avô, o famoso humanista Reuchlin, exerceu grande influência sobre ele.
Devido à admiração pelo idioma grego, "helenizou" o sobrenome, adotando o nome de Melanchthon, conforme a tradução de "terra negra" para o grego. Foi grande amigo de Lutero e o seu mais fiel aliado na causa da Reforma. Se, de um lado, Lutero era profundo conhecedor da Palavra de Deus, Melanchthon foi um dos maiores conhecedores das línguas originais nas quais a Palavra de Deus havia sido escrita.
O reformador Martinho Lutero
Em 25 de junho de 1530, os príncipes que haviam aderido à Reforma foram convidados a explicar-se no Parlamento alemão. Na ocasião, Philipp Melanchton, amigo de Lutero, apresentou a proclamação da fé luterana.
Para melhor compreender a importância da Confissão de Augsburg, é necessário apresentar a situação histórica no contexto da Reforma da Igreja, impulsionada pelo estudioso Martinho Lutero, da Ordem dos Monges Agostinianos. Ele se aprofundou na teoria da religião a partir de 1510, quando retornou de uma viagem a Roma, decepcionado com a corrupção que constatara no alto clero.
Aprofundando seus estudos, concluiu que o homem só se pode salvar pela fé incondicional em Deus, não pelas obras praticadas ou pela indulgência comprada. A fim de arrecadar fundos para financiar a reconstrução da Basílica de São Pedro, o papa Leão 10 havia permitido o perdão dos pecados a todos que contribuíssem financeiramente com a Igreja.
Escandalizado com essa salvação comprada a dinheiro, Lutero afixou na porta da igreja de Wittenberg, no leste da Alemanha, um manifesto público (as 95 teses), em que protestou contra a atitude do papa e expôs os elementos de sua doutrina. Iniciava-se, desta maneira, uma longa discussão entre Lutero e as autoridades eclesiásticas, culminando com sua excomunhão pelo papa, em 1520.
Meio religioso para fim militar
No dia 21 de janeiro de 1530, o imperador Carlos 5º convocara uma Dieta imperial a reunir-se em abril seguinte, em Augsburg, no sul da Alemanha. Para dispor de uma frente unida contra os turcos nas suas operações militares, ele exigiu o fim do conflito entre protestantes e católicos.
Os príncipes e representantes das cidades livres do Império foram convidados a discutir as diferenças religiosas na futura Dieta, na esperança de superá-las e restaurar a unidade. Atendendo ao convite, o príncipe eleitor da Saxônia pediu aos seus teólogos em Wittenberg que preparassem um relato sobre as crenças e práticas nas igrejas da sua terra, que seria apresentado ao imperador.
Sob a coordenação de Philipp Melachton, foram reunidas as doutrinas compiladas nos documentos conhecidos como Artigos de Schwabach, de 1529, e Artigos de Torgau, de março de 1530.
Lutero, que não estava presente em Augsburg, foi consultado por correspondência, mas as emendas e revisões continuaram sendo feitas até a véspera da apresentação formal ao imperador, em 25 de junho de 1530. Assinada por sete príncipes e pelos representantes de duas cidades livres, a Confissão imediatamente foi reconhecida como uma declaração pública de fé.
De acordo com as instruções do imperador, os textos das confissões foram apresentados em alemão e latim. Diante da Dieta foi lido o texto alemão, que é, por isso, tido como mais oficial.
A Confissão representava um esforço para manter a Igreja unida e continha as principais teses da doutrina de Lutero, entre as quais as que dizem respeito à doutrina da justificação, ou da salvação. Mesmo que a Confissão tivesse sido redigida em estilo conciliador, evitando ataques e reivindicações, não foi aceita pela Igreja Católica e sua divulgação ficou proibida.
A rejeição da Confissão de Augsburg deu força à separação entre luteranos e católicos. Passaram-se quatro séculos de condenações recíprocas e guerras religiosas. O diálogo, suspenso em 1530, só recomeçou em 1967, após o Concílio Ecumênico Vaticano 2º.
Melanchton, o autor intelectual
Philipp Schwarzerd foi o compilador, não somente da Confissão, como também de outro documento muito importante, conhecido como Apologia da Confissão de Augsburg. Philipp nasceu em Bretten, Baden, em 1497. Seu tio-avô, o famoso humanista Reuchlin, exerceu grande influência sobre ele.
Devido à admiração pelo idioma grego, "helenizou" o sobrenome, adotando o nome de Melanchthon, conforme a tradução de "terra negra" para o grego. Foi grande amigo de Lutero e o seu mais fiel aliado na causa da Reforma. Se, de um lado, Lutero era profundo conhecedor da Palavra de Deus, Melanchthon foi um dos maiores conhecedores das línguas originais nas quais a Palavra de Deus havia sido escrita.
Pesquisa estuda religiosidade maranhense
Pesquisa estuda religiosidade maranhense
SÃO LUÍS - No início do século XX, 98% da população brasileira era católica. Hoje, o número caiu para 70%, com o crescimento do protestantismo. As religiões afros mantiveram-se sem grandes alterações. Estas são algumas das constatações feitas pelo pesquisador e diretor do Centro de Ciências Sociais (CCH) da UFMA, Lyndon de Araújo. Ele estuda as interfaces históricas da religiosidade maranhense nos séculos XIX e XX. Segundo o professor, o trabalho tem como objetivo aprofundar as apreciações e abordagens sobre religiosidade no Maranhão. "São privilegiadas as principais expressões religiosas como o catolicismo, protestantismo, cultos afros, kardecismo e as hegemônicas no campo religioso maranhense", ressalta.
Para o professor, a religião é uma visão de mundo, discurso e conjunto de valores. "A Sociologia e a Antropologia nos apresentam ferramentas analíticas. São utilizadas no trabalho fontes escritas, documentais, iconográficas e fontes da memória", explica.
O tema geral da pesquisa tem três eixos: as relações de dominação, o poder institucional e a influência dentro dos espaços religiosos; os saberes, no sentido em que as religiosidades constroem percepções do mundo; e as instituições que trabalham a linha do ensino religioso com as escolas.
Lyndon se baseou na linha de pensamento de Pierre Bourdieu, sociólogo francês que acredita que as religiões constituem-se em um espaço de poder e concorrem entre si com seus valores e doutrinas. "Interessa ao historiador interpretar e compreender essas relações de conflito, relações de proximidades, distanciamento, concorrência e negação entre as principais religiões. Nós partimos do pressuposto de que não há verdade religiosa. Predomina a análise sem diagnóstico para a produção ter credibilidade acadêmica e científica", conclui.
As análises são continuidade e aprofundamento das questões estudadas há vinte anos por Lyndon de Araújo. Desde 2005, ele coordena o grupo que vai finalizar a pesquisa em novembro de 2009. A equipe conta com 20 participantes entre mestrandos e graduandos dos cursos de História, Ciências Sociais, Educação Artística, Direito e Geografia.
As informações são da Universidade Federal do Maranhão
SÃO LUÍS - No início do século XX, 98% da população brasileira era católica. Hoje, o número caiu para 70%, com o crescimento do protestantismo. As religiões afros mantiveram-se sem grandes alterações. Estas são algumas das constatações feitas pelo pesquisador e diretor do Centro de Ciências Sociais (CCH) da UFMA, Lyndon de Araújo. Ele estuda as interfaces históricas da religiosidade maranhense nos séculos XIX e XX. Segundo o professor, o trabalho tem como objetivo aprofundar as apreciações e abordagens sobre religiosidade no Maranhão. "São privilegiadas as principais expressões religiosas como o catolicismo, protestantismo, cultos afros, kardecismo e as hegemônicas no campo religioso maranhense", ressalta.
Para o professor, a religião é uma visão de mundo, discurso e conjunto de valores. "A Sociologia e a Antropologia nos apresentam ferramentas analíticas. São utilizadas no trabalho fontes escritas, documentais, iconográficas e fontes da memória", explica.
O tema geral da pesquisa tem três eixos: as relações de dominação, o poder institucional e a influência dentro dos espaços religiosos; os saberes, no sentido em que as religiosidades constroem percepções do mundo; e as instituições que trabalham a linha do ensino religioso com as escolas.
Lyndon se baseou na linha de pensamento de Pierre Bourdieu, sociólogo francês que acredita que as religiões constituem-se em um espaço de poder e concorrem entre si com seus valores e doutrinas. "Interessa ao historiador interpretar e compreender essas relações de conflito, relações de proximidades, distanciamento, concorrência e negação entre as principais religiões. Nós partimos do pressuposto de que não há verdade religiosa. Predomina a análise sem diagnóstico para a produção ter credibilidade acadêmica e científica", conclui.
As análises são continuidade e aprofundamento das questões estudadas há vinte anos por Lyndon de Araújo. Desde 2005, ele coordena o grupo que vai finalizar a pesquisa em novembro de 2009. A equipe conta com 20 participantes entre mestrandos e graduandos dos cursos de História, Ciências Sociais, Educação Artística, Direito e Geografia.
As informações são da Universidade Federal do Maranhão
CONVERSAS NOTURNAS EM JERUSALÉM
CONVERSAS NOTURNAS EM JERUSALÉM
Anselmo Borges
padre e professor de Filosofia
Acaba de aparecer, com o título Jerusalemer Nachtgespräche ("Conversas Nocturnas em Jerusalém"), uma série de diálogos entre dois jesuítas, em Jerusalém, noite dentro: o padre G. Sporschill, austríaco, e o cardeal Carlo Martini, antigo arcebispo de Milão e um dos nomes mais famosos da Igreja, durante anos considerado papabilis (possível Papa), que aos 75 anos se retirou para Jerusalém: "Jerusalém é a minha pátria. Antes da pátria eterna."
"Houve um tempo em que sonhava com uma Igreja que segue o seu caminho na pobreza e na humildade, uma Igreja que não depende dos poderes deste mundo. Sonhei com o extermínio da desconfiança. Com um Igreja que dá espaço às pessoas que pensam mais longe. Com uma Igreja que anima sobretudo aqueles que se sentem pequenos e pecadores. Sonhei com uma Igreja jovem. Hoje já não tenho esses sonhos. Aos 75 anos, decidi-me por rezar pela Igreja. Olho para o futuro. Quando o Reino de Deus chegar, como será? Como será, depois da minha morte, o meu encontro com Cristo, o Ressuscitado?"
Significa esta confissão desânimo? De modo nenhum. É certo que o que lhe causa preocupação é "a falta de coragem". Aliás, a palavra "Mut" (coragem, ânimo) e, consequentemente, "animar", "ter coragem" são expressões constantes e recorrentes. "A Igreja deve ter a coragem de se reformar." "A Igreja precisa permanentemente de reformas." "Porque eu próprio sou tímido, digo a mim mesmo na dúvida: coragem!"
A situação da Igreja, sobretudo na Europa, "exige hoje decisões". E lá vem a questão da sexualidade e da comunhão dos divorciados recasados e da ordenação das mulheres e da lei do celibato. Questão essencial são os jovens, apresentando-se, neste domínio, um novo princípio pastoral: "Deixar-se ensinar pela juventude."
Critica a encíclica Humanae Vitae, de 1968, com a proibição da chamada "pílula contraceptiva". "O mais triste é que a encíclica é co-responsável pelo facto de muitos já não tomarem a sério a Igreja como parceira de diálogo e mestra." Confessa que a encíclica Humanae Vitae foi negativa. "Muitos afastaram-se da Igreja e a Igreja afastou-se de muitos. Foi um grande estrago." Mas, após quarenta anos, "poderíamos ter uma nova perspectiva". "Estou perfeitamente convicto de que a direcção da Igreja pode mostrar um caminho melhor do que o da encíclica." Procuramos "um novo caminho" para falar sobre a sexualidade, o casamento, a regulação da natalidade, a procriação medicamente assistida.
Quanto ao preservativo e atendendo à sida, ele próprio diz que acabou por tornar-se o "cardeal da camisinha", como lhe confessou a sorrir um padre do Brasil.
Sobre a juventude e a sexualidade, vai avisando: "Nestas questões profundamente humanas, não se trata de receitas, mas de caminhos." A direcção da Igreja fará melhor ouvir e "familiarizar-se com o diálogo".
Quanto à homossexualidade: "No meu círculo de conhecidos há casais homossexuais, pessoas muito respeitadas e sociais. Nunca ninguém me fez perguntas e também nunca me teria ocorrido condená-las."
É verdade que não poucas mulheres criticam justamente a Igreja porque se sentem discriminadas. Martini reconhece que "a nossa Igreja é um pouco tímida" e que o Novo Testamento trata melhor as mulheres do que a Igreja. A direcção de comunidades por mulheres é bíblica e não pode excluir-se o debate sobre a sua ordenação.
O celibato exige uma verdadeira vocação. Ora, "talvez nem todos os que são chamados ao sacerdócio tenham este carisma." Depois, hoje, com a falta de padres, são confiadas cada vez mais paróquias a um sacerdote ou então dioceses importam padres do exterior. Mas isto, a longo prazo, não é solução. De qualquer modo, é preciso "debater a possibilidade" de ordenar homens casados, de fé reconhecida e provados no trato com os outros.
A Igreja de Cristo é a favor do Homem, da justiça e do Deus vivo. Mas não tem o monopólio de Deus. "Não podes tornar Deus católico." Por isso, a Igreja dialoga com os crentes das outras religiões e igualmente com os não crentes, também para conhecer as suas razões.|
Anselmo Borges
padre e professor de Filosofia
Acaba de aparecer, com o título Jerusalemer Nachtgespräche ("Conversas Nocturnas em Jerusalém"), uma série de diálogos entre dois jesuítas, em Jerusalém, noite dentro: o padre G. Sporschill, austríaco, e o cardeal Carlo Martini, antigo arcebispo de Milão e um dos nomes mais famosos da Igreja, durante anos considerado papabilis (possível Papa), que aos 75 anos se retirou para Jerusalém: "Jerusalém é a minha pátria. Antes da pátria eterna."
"Houve um tempo em que sonhava com uma Igreja que segue o seu caminho na pobreza e na humildade, uma Igreja que não depende dos poderes deste mundo. Sonhei com o extermínio da desconfiança. Com um Igreja que dá espaço às pessoas que pensam mais longe. Com uma Igreja que anima sobretudo aqueles que se sentem pequenos e pecadores. Sonhei com uma Igreja jovem. Hoje já não tenho esses sonhos. Aos 75 anos, decidi-me por rezar pela Igreja. Olho para o futuro. Quando o Reino de Deus chegar, como será? Como será, depois da minha morte, o meu encontro com Cristo, o Ressuscitado?"
Significa esta confissão desânimo? De modo nenhum. É certo que o que lhe causa preocupação é "a falta de coragem". Aliás, a palavra "Mut" (coragem, ânimo) e, consequentemente, "animar", "ter coragem" são expressões constantes e recorrentes. "A Igreja deve ter a coragem de se reformar." "A Igreja precisa permanentemente de reformas." "Porque eu próprio sou tímido, digo a mim mesmo na dúvida: coragem!"
A situação da Igreja, sobretudo na Europa, "exige hoje decisões". E lá vem a questão da sexualidade e da comunhão dos divorciados recasados e da ordenação das mulheres e da lei do celibato. Questão essencial são os jovens, apresentando-se, neste domínio, um novo princípio pastoral: "Deixar-se ensinar pela juventude."
Critica a encíclica Humanae Vitae, de 1968, com a proibição da chamada "pílula contraceptiva". "O mais triste é que a encíclica é co-responsável pelo facto de muitos já não tomarem a sério a Igreja como parceira de diálogo e mestra." Confessa que a encíclica Humanae Vitae foi negativa. "Muitos afastaram-se da Igreja e a Igreja afastou-se de muitos. Foi um grande estrago." Mas, após quarenta anos, "poderíamos ter uma nova perspectiva". "Estou perfeitamente convicto de que a direcção da Igreja pode mostrar um caminho melhor do que o da encíclica." Procuramos "um novo caminho" para falar sobre a sexualidade, o casamento, a regulação da natalidade, a procriação medicamente assistida.
Quanto ao preservativo e atendendo à sida, ele próprio diz que acabou por tornar-se o "cardeal da camisinha", como lhe confessou a sorrir um padre do Brasil.
Sobre a juventude e a sexualidade, vai avisando: "Nestas questões profundamente humanas, não se trata de receitas, mas de caminhos." A direcção da Igreja fará melhor ouvir e "familiarizar-se com o diálogo".
Quanto à homossexualidade: "No meu círculo de conhecidos há casais homossexuais, pessoas muito respeitadas e sociais. Nunca ninguém me fez perguntas e também nunca me teria ocorrido condená-las."
É verdade que não poucas mulheres criticam justamente a Igreja porque se sentem discriminadas. Martini reconhece que "a nossa Igreja é um pouco tímida" e que o Novo Testamento trata melhor as mulheres do que a Igreja. A direcção de comunidades por mulheres é bíblica e não pode excluir-se o debate sobre a sua ordenação.
O celibato exige uma verdadeira vocação. Ora, "talvez nem todos os que são chamados ao sacerdócio tenham este carisma." Depois, hoje, com a falta de padres, são confiadas cada vez mais paróquias a um sacerdote ou então dioceses importam padres do exterior. Mas isto, a longo prazo, não é solução. De qualquer modo, é preciso "debater a possibilidade" de ordenar homens casados, de fé reconhecida e provados no trato com os outros.
A Igreja de Cristo é a favor do Homem, da justiça e do Deus vivo. Mas não tem o monopólio de Deus. "Não podes tornar Deus católico." Por isso, a Igreja dialoga com os crentes das outras religiões e igualmente com os não crentes, também para conhecer as suas razões.|
Entenda o lugar de Guimarães Rosa na literatura nacional
Entenda o lugar de Guimarães Rosa na literatura nacional
Em meados do século 19, um número considerável de brasileiros adotou sobrenomes indígenas como forma de reforçar a identidade nacional e marcar diferença em relação aos europeus. Nesse cenário, explica Walnice Nogueira Galvão, professora livre-docente de literatura na USP, surgiu o movimento literário do regionalismo.
Pelo menos duas gerações de escritores brasileiros se dedicaram a fazer "o mapeamento da paisagem e das condições sociais do sertão" e "o inventário dos tipos humanos que se espalhavam pela desconhecida vastidão do país", afirma a professora.
Quase que simultaneamente, surgiu no país uma outra linha literária, que nada tinha de documental nem de engajamento, na qual os escritores, "cada um à sua maneira", diz Walnice Galvão, "voltam as costas ao social e à militância, para embrenhar-se nas entranhas da subjetividade".
A professora da USP explica que "é nesse panorama literário, basicamente bipartido, que Guimarães Rosa vai fazer sua aparição, operando como que uma síntese das características definidoras de ambas as vertentes: algo assim como um regionalismo com introspecção, um espiritualismo em roupagens sertanejas".
1. O LUGAR DE GUIMARÃES ROSA NA LITERATURA BRASILEIRA
REGIONALISMO, REGIONALISMOS
O regionalismo2 foi uma manifestação literária que em parte se opunha ao que ocorria nas matrizes européias, por isso reivindicando a representação da realidade local, e em parte as prolongava, ao aceitar normas que de lá emanavam. Passou por várias metamorfoses, como se verá a seguir.
No início, ao aparecer como nativismo, finca raízes na descrição da especificidade da nova terra, dando ênfase àquilo que lhe é característico, para efeito de propaganda, como o fizeram os cronistas coloniais. Daí uma predominância do pitoresco, que se revela nas enumerações de animais e frutas estranhos, com nomes também estranhos.
O advento do romantismo, coincidindo com a independência política, só viria a acentuar tais traços. Se essa escola redescobre o folclore, pesquisando os contos e cantos do povo na Europa, vinha a calhar para os escritores nacionais a valorização da cultura popular no país. Sua principal personagem seria o índio, escolhido como emblema da nacionalidade para marcar a diferença com relação ao colonizador português. Número considerável de patriotas, nesses meados do século 19, trocou seus patronímicos castiços por nomes indígenas, numa verdadeira moda. Repetindo o movimento habitual, o índio das Américas adquiriu estatura de protagonista antes na França, com Chateaubriand, para só depois se tornar nosso primeiro herói literário, assinalando a modalidade nativa de romantismo, ou seja, o indianismo de José de Alencar e Gonçalves Dias.
O desenvolvimento das letras tendo por foco a Corte, posição que o Rio de Janeiro ocupou como capital do país durante dois séculos, até a transferência para Brasília em 1960, suscitaria reações localistas, tanto no sul quanto no norte do país. Tais reações acusam a literatura da Corte daquilo que hoje chamaríamos etnocentrismo, opinando que o Brasil autêntico fica no interior e não no litoral deslumbrado pela Europa, a quem macaqueia. E reivindicam uma expressão tanto própria quanto autônoma de sua peculiaridade.
Assim nasceu aquilo que se conhece como o primeiro regionalismo, subproduto do romantismo. Foi também chamado de sertanismo, porque trouxe o sertão para dentro da ficção, onde teria longa vida. Manifestando-se entretanto com contornos pouco precisos, pode-se dizer que sua vigência recobre bem meio século, pelo menos desde quando já ia avançado o romantismo, passando pelo naturalismo até atingir o limiar do modernismo.
Nesse amplo guarda-chuva cabem pioneiros como Bernardo Guimarães, Taunay e Franklin Távora. O próprio Alencar, de importância seminal em nossas letras, entre as muitas obras que escreveu procurando realizar sua ambição de cobrir o país no tempo e no espaço, é autor de vários livros regionalistas. Para todos, o interesse central estava no pitoresco, na cor local, nos tipos humanos das diferentes regiões e províncias.
Anos depois surgiria um segundo regionalismo, sob o influxo do naturalismo, em reação ao romantismo, rejeitando vários de seus achados e propondo outras sondagens. Destacam-se Inglês de Sousa, Oliveira Paiva, Rodolfo Teófilo, Afonso Arinos, Domingos Olímpio. A reação contra o romantismo precedente implicou em busca de descrição desapaixonada dos fatos, preocupação com os determinismos e com a ciência, frio diagnóstico, pessimismo e fatalismo. Generalização entretanto injusta para com alguns livros que, ao alcançar um nível mais alto de elaboração literária, escapam parcialmente ao bitolamento naturalista, como Dona Guidinha do Poço, de Oliveira Paiva, e Pelo Sertão, de Afonso Arinos.
Pode-se ainda afiliar a esse segundo regionalismo de recorte naturalista alguns tardios, já pré-modernistas, sobretudo paulistas, focalizando a cultura caipira, como Monteiro Lobato e Valdomiro Silveira. Contemporâneo deles é um gaúcho dedicado às histórias e às figuras de seus pagos, Simões Lopes Neto. A relevância de sua reduzida obra, embora com resultado diverso, é algo que partilha com Valdomiro Silveira, e reside prioritariamente na criação de uma "fala" própria em primeira pessoa e em sua atenção à mimese da oralidade.
A essa altura, entre a primeira e a segunda leva regionalista, já estavam completados, e foi tarefa levada a cabo com empenho e escrúpulo por pelo menos duas gerações de escritores, tanto o mapeamento da paisagem e das condições sociais, quanto o inventário dos tipos humanos que se espalhavam pela desconhecida vastidão do país: o caipira, o bandido, o jagunço, o caboclo, o cangaceiro, o vaqueiro, o beato, o tropeiro, o capanga, o garimpeiro, o retirante.
Não se pode minimizar na seqüência dos regionalismos o impacto da publicação de Os Sertões, de Euclides da Cunha, em 1902. Certamente filiado aos padrões estéticos do naturalismo, embora matizado de parnasianismo e até de romantismo, sua sombra pairou sobre a literatura brasileira com uma intensidade que excedeu de muito a seu tempo.
No entanto, o filão regionalista mostrava-se tão rico que ainda não se esgotara e voltaria com forças renovadas após o modernismo dos anos 20. Este, no seu afã de desprovincianizar-se e alçar-se ao patamar das vanguardas européias, apesar de todo o seu nacionalismo torcera o nariz para o regionalismo e o decretara de má qualidade estética, bem como inteiramente equivocado quanto aos propósitos de dar a conhecer o Brasil. O melhor exemplo é Macunaíma (1928), de Mário de Andrade, teórico e principal artista da escola, que esboça o panorama do Brasil em sua totalidade mas deliberadamente confunde as diferentes regiões e aquilo que as caracteriza, praticando o que chamava de "desgeograficação".
O REGIONALISMO DE 30 E O ROMANCE SOCIAL NORTE-AMERICANO
Se para o primeiro regionalismo a inspiração tinha provindo do romantismo e para o segundo do naturalismo, o terceiro, que se tornaria conhecido como "regionalismo de 30", 3 beberia em outras fontes.
No período entre as duas guerras mundiais, de 1918 a 1939, viveu-se intensa polarização política. Solicitados por crises sociais sem precedentes, ainda em pleno rescaldo daquela que foi a primeira guerra total, envolvendo o planeta por inteiro numa globalização armada até então inédita - e às voltas com uma escalada de conflitos que prenunciava a próxima guerra, mais cruel ainda -, intelectuais e artistas no mundo todo, bem como no Brasil, se arregimentavam à direita ou à esquerda. De preferência, à esquerda. Um período que assistiu à ascensão dos totalitarismos por toda parte - fascismo na Itália, Espanha e Portugal, nazismo na Alemanha, peronismo na Argentina, ditadura e Estado Novo de Getúlio Vargas no Brasil, para não falar no integralismo de Plínio Salgado - só podia mesmo convocar os intelectuais a uma maior participação na luta contra os regimes de exceção.
Como não podia deixar de ser, essa arregimentação deixou marcas nas artes e na literatura um pouco por toda parte. Uma das realizações mais interessantes dela, à esquerda, foi o romance social norte-americano.
Nas décadas de 20 e 30, exatamente nesse período entre guerras que estamos recortando, surge com pujança uma novidade literária, constituindo uma espécie de neonaturalismo em seu empenho de denúncia da injustiça, da iniqüidade, do preconceito sob todas as suas formas - de classe, de raça etc. Em sua preocupação social, seu mestre é o francês Émile Zola (1840-1902), principal ficcionista do naturalismo, com vasta obra que traça o painel dos males da sociedade francesa da belle époque. Com berço nos Estados Unidos, teve como pano de fundo a Grande Depressão, cujo pináculo foi o craque da Bolsa de Valores de Nova York em 1929. A crise só viria a ser estancada pela prosperidade trazida pelos investimentos industriais em armamentos e outros equipamentos bélicos, já preparando a Segunda Guerra Mundial. Os principais nomes da nova tendência são Theodore Dreiser, Upton Sinclair, Sherwood Anderson, Michael Gold, Erskine Caldwell, John Steinbeck, Sinclair Lewis, John dos Passos. E ela acabará atingindo pelo menos os inícios do jovem Hemingway, também ele jornalista, também de esquerda, também crítico da sociedade americana. Embora seja injusto deixar de lado o maior deles, William Faulkner, com o qual acontece o que sempre acontece com os muito grandes: não cabe muito bem nessa nem em qualquer classificação.
Os três primeiros surgiram ainda antes do período acima definido. Destacam-se como pioneiros, todos eles socialistas e acusadores impiedosos da sociedade norte-americana, principalmente pelo culto ao dinheiro acima de tudo, com seu poder de corrupção e degradação moral. Aliás, um bom número desses escritores neonaturalistas era jornalista de profissão e socialista por convicção. Como se pode verificar no que escreveram, a busca de uma prosa desataviada, bem próxima da escrita para periódico, caracteriza a todos eles - novamente, exceto Faulkner.
Hoje em dia não dá para imaginar a influência que exerceram, entre nós, em toda a América Latina e na Europa. E, principalmente, a escala em que eram lidos, pois se tornaram best-sellers em seu próprio país e pelo mundo afora. No Brasil foram muito divulgados por várias editoras, destacando-se entre elas a Globo, de Porto Alegre, que os publicou a todos.
Como vimos, os autores do romance social norte-americano são de esquerda e, se não revolucionários, ao menos reformistas. Praticando uma literatura empenhada, tiveram enorme divulgação e repercussão em seu tempo, em seu próprio país e além fronteiras, inclusive na exigente Europa. Faziam uma literatura mais fácil de ler do que aquela das vanguardas (por exemplo, James Joyce), nisso já pressagiando a indústria cultural. Esta optaria sempre em favor do mais fácil, do simplificado, relegando a alta literatura - aquela cuja forma é esteticamente informativa - a um pequeno círculo de leitores sofisticados, cada vez mais exíguos. Sintonizavam com pelo menos parte do público à época, na tomada de consciência quanto à miséria. Reivindicavam reformas que minorassem os sofrimentos dos pobres e oprimidos. Acusavam os ricos e poderosos das condições iníquas da sociedade. Mostravam-se mais despreocupados com a forma e mais preocupados com os conteúdos.
O impacto que causaram pode ser medido pelo número de prêmios Nobel que conquistaram. Sinclair Lewis (1930) foi o primeiro norte-americano a ser agraciado com esse galardão, que depois coube a Faulkner (1949), Hemingway (1954), Steinbeck (1962). Com os quais, se juntarmos em registro parcialmente diferente e para cima o notável dramaturgo Eugene O'Neill (1936) e em plano inteiramente diferente e para baixo a romancista popular Pearl S. Buck (1938), teremos uma boa avaliação do peso das letras dessa nacionalidade no período. Depois dessa constelação, a premiação americana minguará outra vez.
Foi a primeira vez que a cultura norte-americana suplantou a européia em nosso país. E nunca mais a Europa retomaria sua ascendência perdida.
Quanto aos nossos autores, hoje é quase dispensável apresentá-los, tal a hegemonia exercida durante longo tempo pelo regionalismo de 30, desde que se tornou a vertente dominante na prosa brasileira. O afã ao mesmo tempo cosmopolita e nacionalista do modernismo, que afinal se encenara todo no eixo São Paulo - Rio, somado a sua altíssima qualidade estética, fora incapaz de impedir um novo surto regionalista. Ao contrário do modernismo, que privilegiava a poesia, a voga em ascensão investe tudo no romance, gênero certamente mais popular, mais impermeável a vanguardismos e menos requintado. Com instrumentos mais aguçados que os regionalismos anteriores, tinha todo o ar, devido a sua simultaneidade, impressionante volume e ineditismo, de ser propriamente uma escola, e vinda dos estados do Nordeste. 4
Historiadores e críticos são concordes em considerar como marco inaugural A Bagaceira (1928), de José Américo de Almeida, da Paraíba. Ali já se notam certas coordenadas que se farão recorrentes, desde o entrecho que expõe um drama humano local, até a presença de coronéis, de retirantes, da seca, da paisagem característica e das relações sociais. Em rápida seqüência, estrearão e dominará com seus romances a cena literária por vários decênios, com apogeu nos anos 30 e 40, Rachel de Queiroz, do Ceará, José Lins do Rego, da Paraíba, Graciliano Ramos, de Alagoas, e Jorge Amado, da Bahia, afora uma verdadeira plêiade de autores menores.
Seria injusto, por não ser nordestino e pouco ter de rural, ao contrário erigindo romance após romance um painel da pequena burguesia urbana gaúcha, bem como uma saga da colonização do extremo sul arrancando do campo, deixar de citar Érico Veríssimo.
O fato é que essa safra de ficção ao rés-do-chão, aspirando ao documentário, constituiu um cânone ainda vigente em nossos dias, impondo a norma à literatura brasileira, impedindo por longos períodos que houvesse percepção estética de autores que não atuassem dentro de seus ditames.
E, porque coincidiu com a formação de um mercado editorial e de um público leitor, também explica em parte a persistência das ramificações do naturalismo como principal programa estético-literário entre nós.
A OUTRA FACE DA MOEDA: A "REAÇÃO ESPIRITUALISTA" 5
Entretanto, nem tudo era regionalismo no panorama literário brasileiro. Uma outra linha, certamente recessiva e abafada pelo estrondoso sucesso, inclusive de vendas, dos regionalistas, tenazmente produzia, mesmo que com menos estardalhaço. E viria, há seu tempo, a gestar pelo menos um escritor extraordinário na pessoa de Clarice Lispector, embora essa gestação implicasse num salto qualitativo e numa espécie de superação tanto da negligência com o burilamento formal quanto da fragilidade de estruturação.
Nessa outra face da moeda, o documento a que aspirava ao romance regionalista passa longe. Nada de documental nem de engajamento, tampouco. Esses escritores, cada um à sua maneira, voltam às costas ao social e à militância, para embrenhar-se nas entranhas da subjetividade.
Muito interessante é que suas afinidades eletivas provenham de outras paragens que não aquelas para as quais se voltava o romance regionalista: da França, sobretudo. A grande sombra fecundante que paira sobre a ficção introspectiva é o romance católico francês de entre guerras, prolongando-se pelos anos 40 e 50. Lidas, relidas, assimiladas e depuradas são as obras de romancistas como Georges Bernanos, François Mauriac, Julien Green, e a doutrinação de Jacques Maritain. Esse romance quase nunca é rural nem propriamente urbano, porém de matéria provinciana ou interiorana, de pequenas cidades; ou, mesmo quando rural, a discussão se entabula no plano dos problemas urbanos.
Compraz-se na decadência e na degradação moral de fim de raça. Comparecem incestos, aleijões psíquicos resultantes de endogamia e consangüinidade, patriarcalismo incontrastado com opressão de filhos e mulheres, estados mórbidos, crimes, taras e perversões, mostrando-se afim ao naturalismo.
Os romances dos discípulos desses autores, além de reivindicarem com ênfase uma espiritualidade que supunham perdida ou pelo menos extraviada no panorama artístico nacional, apregoavam o Mistério, assim com letra maiúscula. Suspensos entre o pecado e a graça, escrevendo à borda do inefável, sustentando que os problemas materiais - miséria, injustiça, opressão - nada significam quando comparados à salvação ou perdição da alma, esses escritores e seus escritos operam por dentro de uma introspecção levada ao limite.
Tudo se passa como se quisessem perquirir uma imensa problemática espiritual, encenando-se no íntimo de cada um, enquanto recuperavam a dimensão da subjetividade - mas uma subjetividade bem singular, vivendo o drama católico.
Em suas obras vamos nos deparar com os embates entre o Bem e o Mal, a escuridão da alma, a obsessão com a transcendência, o senso do enigma latente na existência, a onipresença do pecado em meio à demanda desesperada da perfeição, confrontada com a abolição dos limites. De um lado, o confinamento na problemática cristã resulta no ensimesmamento trazido por uma busca incansável do sobrenatural.
De outro, desemboca na angústia da cisão entre o apelo místico e o aprisionamento na vileza da carne. Tudo isso num clima de pesadelo, facultando os vários rótulos atribuídos a essa linha literária, como os de romance de atmosfera, ou intimista, ou introspectivo, ou de sondagem interior.
Seja como for, certamente encarna com vigor uma reação contra a particularização do regionalismo: esse romance é universalizante. Por isso, seus autores manifestam horror à cor local, ao pitoresco, à exuberância dos trópicos, ao típico, à imanência de um mundo sem Deus. Nisso, dessolidarizam-se dos regionalistas de 30 no que estes têm de ateus ou agnósticos, abstendo-se de tocar em assunto religioso, a não ser para zombar abertamente do caráter interesseiro do clero e da beatice dos fiéis, denunciando a cumplicidade da hierarquia da Igreja com os opressores.
É de se notar que, enquanto o modernismo se dá como um fenômeno primordialmente paulista, passando-se em São Paulo entre escritores paulistas, e o regionalismo de 30 é coisa de nordestinos, como vimos, já essa outra face da moeda do romance de entre guerras tem seu chão no Rio de Janeiro, seja entre os nascidos ali mesmo, como Octavio de Faria, ou perto, como Cornélio Pena em Petrópolis, migrados de Minas, como Lúcio Cardoso, ou da Bahia, como Adonias Filho.
Na capital do país, aproximam-se todos do grupo católico liderado por Tristão de Athayde, pseudônimo do influente crítico e teórico Alceu Amoroso Lima, que organizou o ideário e escreveu sobre o romance espiritualista, e pelo pensador católico Jackson de Figueiredo, criador, em 1922 - anos da Semana de Arte Moderna e da fundação do Partido Comunista -, do Centro Dom Vital, no Rio, de reavivamento católico.
Quando Jackson de Figueiredo morre em 1928, Tristão de Athayde coincidentemente se converte e assume a direção daquele Centro. Todos gravitavam na órbita da revista católica A Ordem. Esse caldo de cultura, muito influente à época, também produziu, além dos romancistas, importante poesia e ensaio. Os citados são apenas os autores de maior renome, havendo um número respeitável de escritores à época que se pautavam pelo mesmo ideário.
Em doses diversas, e variando conforme a personalidade artística de cada um percebe-se, todavia elementos comuns na obra de todos eles. Uma certa vivência exasperada da derrocada, meditação torturante da subjetividade, preocupação com a fatalidade, religiosidade assumida ou negada que eclode em obsessão com o pecado, uma busca da transcendência e até do sobrenatural na ficção.
A reação espiritualista no romance, a exemplo do regionalismo, tampouco se desprende de todo do naturalismo, no fatalismo com que abre espaço às forças atávicas e hereditárias, aos instintos, à irracionalidade. Contribuem para esse efeito à escavação introspectiva e o aprofundamento de certas técnicas literárias típicas do século 20, como o monólogo interior, o fluxo da consciência, e tudo o que desagregasse o discurso, que assim pretendia ser fiel e colado ao que se postulava como o verdadeiro funcionamento da psique.
Nem sempre é fácil distinguir com clareza uma e outra face da moeda, havendo de permeio um território de transição que muitos autores perlongaram, e em que alguns perderam o rumo. E, se Lúcio Cardoso começou pelo regionalismo, com Maleita, também Caetés e ainda mais Angústia, de Graciliano Ramos, assim como parte da obra de José Lins do Rego, por exemplo, têm um inegável ar de parentesco com esse romance de atmosfera e de indagação interior. E bem mais se pensarmos na busca de uma transcendência sem Deus.
É nesse panorama literário, basicamente bipartido, que Guimarães Rosa vai fazer sua aparição, operando como que uma síntese das características definidoras de ambas as vertentes: algo assim como um regionalismo com introspecção, um espiritualismo em roupagens sertanejas.
2 Antonio Candido, Formação da Literatura Brasileira. São Paulo: Martins, 1959. José
Aderaldo Castello, A Literatura Brasileira. São Paulo: Edusp, 1999. Lígia Chiappini
Moraes Leite, "Velha Praga? Regionalismo Literário Brasileiro". Em: Ana Pizarro
(org.), América Latina - Palavra, Literatura, Cultura. Campinas: Unicamp, 1994, v. II.
3 Antonio Candido, "A Revolução de 1930 e a Cultura". Em: A Educação Pela Noite
e Outros Ensaios. São Paulo: Ática, 1987.
4 Sérgio Miceli, Intelectuais e Classe Dirigente no Brasil (1920-1945). São Paulo: Difel,
1979.
5 Alceu Amoroso Lima, "A Reação Espiritualista". Em: Afrânio Coutinho (org.),
Literatura no Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1986, v. IV, 3. ed., revista e
atualizada.
*
"Guimarães Rosa"
Autor: Walnice Nogueira Galvão
Editora: Publifolha
Páginas: 80
Quanto: R$ 17,90
Em meados do século 19, um número considerável de brasileiros adotou sobrenomes indígenas como forma de reforçar a identidade nacional e marcar diferença em relação aos europeus. Nesse cenário, explica Walnice Nogueira Galvão, professora livre-docente de literatura na USP, surgiu o movimento literário do regionalismo.
Pelo menos duas gerações de escritores brasileiros se dedicaram a fazer "o mapeamento da paisagem e das condições sociais do sertão" e "o inventário dos tipos humanos que se espalhavam pela desconhecida vastidão do país", afirma a professora.
Quase que simultaneamente, surgiu no país uma outra linha literária, que nada tinha de documental nem de engajamento, na qual os escritores, "cada um à sua maneira", diz Walnice Galvão, "voltam as costas ao social e à militância, para embrenhar-se nas entranhas da subjetividade".
A professora da USP explica que "é nesse panorama literário, basicamente bipartido, que Guimarães Rosa vai fazer sua aparição, operando como que uma síntese das características definidoras de ambas as vertentes: algo assim como um regionalismo com introspecção, um espiritualismo em roupagens sertanejas".
1. O LUGAR DE GUIMARÃES ROSA NA LITERATURA BRASILEIRA
REGIONALISMO, REGIONALISMOS
O regionalismo2 foi uma manifestação literária que em parte se opunha ao que ocorria nas matrizes européias, por isso reivindicando a representação da realidade local, e em parte as prolongava, ao aceitar normas que de lá emanavam. Passou por várias metamorfoses, como se verá a seguir.
No início, ao aparecer como nativismo, finca raízes na descrição da especificidade da nova terra, dando ênfase àquilo que lhe é característico, para efeito de propaganda, como o fizeram os cronistas coloniais. Daí uma predominância do pitoresco, que se revela nas enumerações de animais e frutas estranhos, com nomes também estranhos.
O advento do romantismo, coincidindo com a independência política, só viria a acentuar tais traços. Se essa escola redescobre o folclore, pesquisando os contos e cantos do povo na Europa, vinha a calhar para os escritores nacionais a valorização da cultura popular no país. Sua principal personagem seria o índio, escolhido como emblema da nacionalidade para marcar a diferença com relação ao colonizador português. Número considerável de patriotas, nesses meados do século 19, trocou seus patronímicos castiços por nomes indígenas, numa verdadeira moda. Repetindo o movimento habitual, o índio das Américas adquiriu estatura de protagonista antes na França, com Chateaubriand, para só depois se tornar nosso primeiro herói literário, assinalando a modalidade nativa de romantismo, ou seja, o indianismo de José de Alencar e Gonçalves Dias.
O desenvolvimento das letras tendo por foco a Corte, posição que o Rio de Janeiro ocupou como capital do país durante dois séculos, até a transferência para Brasília em 1960, suscitaria reações localistas, tanto no sul quanto no norte do país. Tais reações acusam a literatura da Corte daquilo que hoje chamaríamos etnocentrismo, opinando que o Brasil autêntico fica no interior e não no litoral deslumbrado pela Europa, a quem macaqueia. E reivindicam uma expressão tanto própria quanto autônoma de sua peculiaridade.
Assim nasceu aquilo que se conhece como o primeiro regionalismo, subproduto do romantismo. Foi também chamado de sertanismo, porque trouxe o sertão para dentro da ficção, onde teria longa vida. Manifestando-se entretanto com contornos pouco precisos, pode-se dizer que sua vigência recobre bem meio século, pelo menos desde quando já ia avançado o romantismo, passando pelo naturalismo até atingir o limiar do modernismo.
Nesse amplo guarda-chuva cabem pioneiros como Bernardo Guimarães, Taunay e Franklin Távora. O próprio Alencar, de importância seminal em nossas letras, entre as muitas obras que escreveu procurando realizar sua ambição de cobrir o país no tempo e no espaço, é autor de vários livros regionalistas. Para todos, o interesse central estava no pitoresco, na cor local, nos tipos humanos das diferentes regiões e províncias.
Anos depois surgiria um segundo regionalismo, sob o influxo do naturalismo, em reação ao romantismo, rejeitando vários de seus achados e propondo outras sondagens. Destacam-se Inglês de Sousa, Oliveira Paiva, Rodolfo Teófilo, Afonso Arinos, Domingos Olímpio. A reação contra o romantismo precedente implicou em busca de descrição desapaixonada dos fatos, preocupação com os determinismos e com a ciência, frio diagnóstico, pessimismo e fatalismo. Generalização entretanto injusta para com alguns livros que, ao alcançar um nível mais alto de elaboração literária, escapam parcialmente ao bitolamento naturalista, como Dona Guidinha do Poço, de Oliveira Paiva, e Pelo Sertão, de Afonso Arinos.
Pode-se ainda afiliar a esse segundo regionalismo de recorte naturalista alguns tardios, já pré-modernistas, sobretudo paulistas, focalizando a cultura caipira, como Monteiro Lobato e Valdomiro Silveira. Contemporâneo deles é um gaúcho dedicado às histórias e às figuras de seus pagos, Simões Lopes Neto. A relevância de sua reduzida obra, embora com resultado diverso, é algo que partilha com Valdomiro Silveira, e reside prioritariamente na criação de uma "fala" própria em primeira pessoa e em sua atenção à mimese da oralidade.
A essa altura, entre a primeira e a segunda leva regionalista, já estavam completados, e foi tarefa levada a cabo com empenho e escrúpulo por pelo menos duas gerações de escritores, tanto o mapeamento da paisagem e das condições sociais, quanto o inventário dos tipos humanos que se espalhavam pela desconhecida vastidão do país: o caipira, o bandido, o jagunço, o caboclo, o cangaceiro, o vaqueiro, o beato, o tropeiro, o capanga, o garimpeiro, o retirante.
Não se pode minimizar na seqüência dos regionalismos o impacto da publicação de Os Sertões, de Euclides da Cunha, em 1902. Certamente filiado aos padrões estéticos do naturalismo, embora matizado de parnasianismo e até de romantismo, sua sombra pairou sobre a literatura brasileira com uma intensidade que excedeu de muito a seu tempo.
No entanto, o filão regionalista mostrava-se tão rico que ainda não se esgotara e voltaria com forças renovadas após o modernismo dos anos 20. Este, no seu afã de desprovincianizar-se e alçar-se ao patamar das vanguardas européias, apesar de todo o seu nacionalismo torcera o nariz para o regionalismo e o decretara de má qualidade estética, bem como inteiramente equivocado quanto aos propósitos de dar a conhecer o Brasil. O melhor exemplo é Macunaíma (1928), de Mário de Andrade, teórico e principal artista da escola, que esboça o panorama do Brasil em sua totalidade mas deliberadamente confunde as diferentes regiões e aquilo que as caracteriza, praticando o que chamava de "desgeograficação".
O REGIONALISMO DE 30 E O ROMANCE SOCIAL NORTE-AMERICANO
Se para o primeiro regionalismo a inspiração tinha provindo do romantismo e para o segundo do naturalismo, o terceiro, que se tornaria conhecido como "regionalismo de 30", 3 beberia em outras fontes.
No período entre as duas guerras mundiais, de 1918 a 1939, viveu-se intensa polarização política. Solicitados por crises sociais sem precedentes, ainda em pleno rescaldo daquela que foi a primeira guerra total, envolvendo o planeta por inteiro numa globalização armada até então inédita - e às voltas com uma escalada de conflitos que prenunciava a próxima guerra, mais cruel ainda -, intelectuais e artistas no mundo todo, bem como no Brasil, se arregimentavam à direita ou à esquerda. De preferência, à esquerda. Um período que assistiu à ascensão dos totalitarismos por toda parte - fascismo na Itália, Espanha e Portugal, nazismo na Alemanha, peronismo na Argentina, ditadura e Estado Novo de Getúlio Vargas no Brasil, para não falar no integralismo de Plínio Salgado - só podia mesmo convocar os intelectuais a uma maior participação na luta contra os regimes de exceção.
Como não podia deixar de ser, essa arregimentação deixou marcas nas artes e na literatura um pouco por toda parte. Uma das realizações mais interessantes dela, à esquerda, foi o romance social norte-americano.
Nas décadas de 20 e 30, exatamente nesse período entre guerras que estamos recortando, surge com pujança uma novidade literária, constituindo uma espécie de neonaturalismo em seu empenho de denúncia da injustiça, da iniqüidade, do preconceito sob todas as suas formas - de classe, de raça etc. Em sua preocupação social, seu mestre é o francês Émile Zola (1840-1902), principal ficcionista do naturalismo, com vasta obra que traça o painel dos males da sociedade francesa da belle époque. Com berço nos Estados Unidos, teve como pano de fundo a Grande Depressão, cujo pináculo foi o craque da Bolsa de Valores de Nova York em 1929. A crise só viria a ser estancada pela prosperidade trazida pelos investimentos industriais em armamentos e outros equipamentos bélicos, já preparando a Segunda Guerra Mundial. Os principais nomes da nova tendência são Theodore Dreiser, Upton Sinclair, Sherwood Anderson, Michael Gold, Erskine Caldwell, John Steinbeck, Sinclair Lewis, John dos Passos. E ela acabará atingindo pelo menos os inícios do jovem Hemingway, também ele jornalista, também de esquerda, também crítico da sociedade americana. Embora seja injusto deixar de lado o maior deles, William Faulkner, com o qual acontece o que sempre acontece com os muito grandes: não cabe muito bem nessa nem em qualquer classificação.
Os três primeiros surgiram ainda antes do período acima definido. Destacam-se como pioneiros, todos eles socialistas e acusadores impiedosos da sociedade norte-americana, principalmente pelo culto ao dinheiro acima de tudo, com seu poder de corrupção e degradação moral. Aliás, um bom número desses escritores neonaturalistas era jornalista de profissão e socialista por convicção. Como se pode verificar no que escreveram, a busca de uma prosa desataviada, bem próxima da escrita para periódico, caracteriza a todos eles - novamente, exceto Faulkner.
Hoje em dia não dá para imaginar a influência que exerceram, entre nós, em toda a América Latina e na Europa. E, principalmente, a escala em que eram lidos, pois se tornaram best-sellers em seu próprio país e pelo mundo afora. No Brasil foram muito divulgados por várias editoras, destacando-se entre elas a Globo, de Porto Alegre, que os publicou a todos.
Como vimos, os autores do romance social norte-americano são de esquerda e, se não revolucionários, ao menos reformistas. Praticando uma literatura empenhada, tiveram enorme divulgação e repercussão em seu tempo, em seu próprio país e além fronteiras, inclusive na exigente Europa. Faziam uma literatura mais fácil de ler do que aquela das vanguardas (por exemplo, James Joyce), nisso já pressagiando a indústria cultural. Esta optaria sempre em favor do mais fácil, do simplificado, relegando a alta literatura - aquela cuja forma é esteticamente informativa - a um pequeno círculo de leitores sofisticados, cada vez mais exíguos. Sintonizavam com pelo menos parte do público à época, na tomada de consciência quanto à miséria. Reivindicavam reformas que minorassem os sofrimentos dos pobres e oprimidos. Acusavam os ricos e poderosos das condições iníquas da sociedade. Mostravam-se mais despreocupados com a forma e mais preocupados com os conteúdos.
O impacto que causaram pode ser medido pelo número de prêmios Nobel que conquistaram. Sinclair Lewis (1930) foi o primeiro norte-americano a ser agraciado com esse galardão, que depois coube a Faulkner (1949), Hemingway (1954), Steinbeck (1962). Com os quais, se juntarmos em registro parcialmente diferente e para cima o notável dramaturgo Eugene O'Neill (1936) e em plano inteiramente diferente e para baixo a romancista popular Pearl S. Buck (1938), teremos uma boa avaliação do peso das letras dessa nacionalidade no período. Depois dessa constelação, a premiação americana minguará outra vez.
Foi a primeira vez que a cultura norte-americana suplantou a européia em nosso país. E nunca mais a Europa retomaria sua ascendência perdida.
Quanto aos nossos autores, hoje é quase dispensável apresentá-los, tal a hegemonia exercida durante longo tempo pelo regionalismo de 30, desde que se tornou a vertente dominante na prosa brasileira. O afã ao mesmo tempo cosmopolita e nacionalista do modernismo, que afinal se encenara todo no eixo São Paulo - Rio, somado a sua altíssima qualidade estética, fora incapaz de impedir um novo surto regionalista. Ao contrário do modernismo, que privilegiava a poesia, a voga em ascensão investe tudo no romance, gênero certamente mais popular, mais impermeável a vanguardismos e menos requintado. Com instrumentos mais aguçados que os regionalismos anteriores, tinha todo o ar, devido a sua simultaneidade, impressionante volume e ineditismo, de ser propriamente uma escola, e vinda dos estados do Nordeste. 4
Historiadores e críticos são concordes em considerar como marco inaugural A Bagaceira (1928), de José Américo de Almeida, da Paraíba. Ali já se notam certas coordenadas que se farão recorrentes, desde o entrecho que expõe um drama humano local, até a presença de coronéis, de retirantes, da seca, da paisagem característica e das relações sociais. Em rápida seqüência, estrearão e dominará com seus romances a cena literária por vários decênios, com apogeu nos anos 30 e 40, Rachel de Queiroz, do Ceará, José Lins do Rego, da Paraíba, Graciliano Ramos, de Alagoas, e Jorge Amado, da Bahia, afora uma verdadeira plêiade de autores menores.
Seria injusto, por não ser nordestino e pouco ter de rural, ao contrário erigindo romance após romance um painel da pequena burguesia urbana gaúcha, bem como uma saga da colonização do extremo sul arrancando do campo, deixar de citar Érico Veríssimo.
O fato é que essa safra de ficção ao rés-do-chão, aspirando ao documentário, constituiu um cânone ainda vigente em nossos dias, impondo a norma à literatura brasileira, impedindo por longos períodos que houvesse percepção estética de autores que não atuassem dentro de seus ditames.
E, porque coincidiu com a formação de um mercado editorial e de um público leitor, também explica em parte a persistência das ramificações do naturalismo como principal programa estético-literário entre nós.
A OUTRA FACE DA MOEDA: A "REAÇÃO ESPIRITUALISTA" 5
Entretanto, nem tudo era regionalismo no panorama literário brasileiro. Uma outra linha, certamente recessiva e abafada pelo estrondoso sucesso, inclusive de vendas, dos regionalistas, tenazmente produzia, mesmo que com menos estardalhaço. E viria, há seu tempo, a gestar pelo menos um escritor extraordinário na pessoa de Clarice Lispector, embora essa gestação implicasse num salto qualitativo e numa espécie de superação tanto da negligência com o burilamento formal quanto da fragilidade de estruturação.
Nessa outra face da moeda, o documento a que aspirava ao romance regionalista passa longe. Nada de documental nem de engajamento, tampouco. Esses escritores, cada um à sua maneira, voltam às costas ao social e à militância, para embrenhar-se nas entranhas da subjetividade.
Muito interessante é que suas afinidades eletivas provenham de outras paragens que não aquelas para as quais se voltava o romance regionalista: da França, sobretudo. A grande sombra fecundante que paira sobre a ficção introspectiva é o romance católico francês de entre guerras, prolongando-se pelos anos 40 e 50. Lidas, relidas, assimiladas e depuradas são as obras de romancistas como Georges Bernanos, François Mauriac, Julien Green, e a doutrinação de Jacques Maritain. Esse romance quase nunca é rural nem propriamente urbano, porém de matéria provinciana ou interiorana, de pequenas cidades; ou, mesmo quando rural, a discussão se entabula no plano dos problemas urbanos.
Compraz-se na decadência e na degradação moral de fim de raça. Comparecem incestos, aleijões psíquicos resultantes de endogamia e consangüinidade, patriarcalismo incontrastado com opressão de filhos e mulheres, estados mórbidos, crimes, taras e perversões, mostrando-se afim ao naturalismo.
Os romances dos discípulos desses autores, além de reivindicarem com ênfase uma espiritualidade que supunham perdida ou pelo menos extraviada no panorama artístico nacional, apregoavam o Mistério, assim com letra maiúscula. Suspensos entre o pecado e a graça, escrevendo à borda do inefável, sustentando que os problemas materiais - miséria, injustiça, opressão - nada significam quando comparados à salvação ou perdição da alma, esses escritores e seus escritos operam por dentro de uma introspecção levada ao limite.
Tudo se passa como se quisessem perquirir uma imensa problemática espiritual, encenando-se no íntimo de cada um, enquanto recuperavam a dimensão da subjetividade - mas uma subjetividade bem singular, vivendo o drama católico.
Em suas obras vamos nos deparar com os embates entre o Bem e o Mal, a escuridão da alma, a obsessão com a transcendência, o senso do enigma latente na existência, a onipresença do pecado em meio à demanda desesperada da perfeição, confrontada com a abolição dos limites. De um lado, o confinamento na problemática cristã resulta no ensimesmamento trazido por uma busca incansável do sobrenatural.
De outro, desemboca na angústia da cisão entre o apelo místico e o aprisionamento na vileza da carne. Tudo isso num clima de pesadelo, facultando os vários rótulos atribuídos a essa linha literária, como os de romance de atmosfera, ou intimista, ou introspectivo, ou de sondagem interior.
Seja como for, certamente encarna com vigor uma reação contra a particularização do regionalismo: esse romance é universalizante. Por isso, seus autores manifestam horror à cor local, ao pitoresco, à exuberância dos trópicos, ao típico, à imanência de um mundo sem Deus. Nisso, dessolidarizam-se dos regionalistas de 30 no que estes têm de ateus ou agnósticos, abstendo-se de tocar em assunto religioso, a não ser para zombar abertamente do caráter interesseiro do clero e da beatice dos fiéis, denunciando a cumplicidade da hierarquia da Igreja com os opressores.
É de se notar que, enquanto o modernismo se dá como um fenômeno primordialmente paulista, passando-se em São Paulo entre escritores paulistas, e o regionalismo de 30 é coisa de nordestinos, como vimos, já essa outra face da moeda do romance de entre guerras tem seu chão no Rio de Janeiro, seja entre os nascidos ali mesmo, como Octavio de Faria, ou perto, como Cornélio Pena em Petrópolis, migrados de Minas, como Lúcio Cardoso, ou da Bahia, como Adonias Filho.
Na capital do país, aproximam-se todos do grupo católico liderado por Tristão de Athayde, pseudônimo do influente crítico e teórico Alceu Amoroso Lima, que organizou o ideário e escreveu sobre o romance espiritualista, e pelo pensador católico Jackson de Figueiredo, criador, em 1922 - anos da Semana de Arte Moderna e da fundação do Partido Comunista -, do Centro Dom Vital, no Rio, de reavivamento católico.
Quando Jackson de Figueiredo morre em 1928, Tristão de Athayde coincidentemente se converte e assume a direção daquele Centro. Todos gravitavam na órbita da revista católica A Ordem. Esse caldo de cultura, muito influente à época, também produziu, além dos romancistas, importante poesia e ensaio. Os citados são apenas os autores de maior renome, havendo um número respeitável de escritores à época que se pautavam pelo mesmo ideário.
Em doses diversas, e variando conforme a personalidade artística de cada um percebe-se, todavia elementos comuns na obra de todos eles. Uma certa vivência exasperada da derrocada, meditação torturante da subjetividade, preocupação com a fatalidade, religiosidade assumida ou negada que eclode em obsessão com o pecado, uma busca da transcendência e até do sobrenatural na ficção.
A reação espiritualista no romance, a exemplo do regionalismo, tampouco se desprende de todo do naturalismo, no fatalismo com que abre espaço às forças atávicas e hereditárias, aos instintos, à irracionalidade. Contribuem para esse efeito à escavação introspectiva e o aprofundamento de certas técnicas literárias típicas do século 20, como o monólogo interior, o fluxo da consciência, e tudo o que desagregasse o discurso, que assim pretendia ser fiel e colado ao que se postulava como o verdadeiro funcionamento da psique.
Nem sempre é fácil distinguir com clareza uma e outra face da moeda, havendo de permeio um território de transição que muitos autores perlongaram, e em que alguns perderam o rumo. E, se Lúcio Cardoso começou pelo regionalismo, com Maleita, também Caetés e ainda mais Angústia, de Graciliano Ramos, assim como parte da obra de José Lins do Rego, por exemplo, têm um inegável ar de parentesco com esse romance de atmosfera e de indagação interior. E bem mais se pensarmos na busca de uma transcendência sem Deus.
É nesse panorama literário, basicamente bipartido, que Guimarães Rosa vai fazer sua aparição, operando como que uma síntese das características definidoras de ambas as vertentes: algo assim como um regionalismo com introspecção, um espiritualismo em roupagens sertanejas.
2 Antonio Candido, Formação da Literatura Brasileira. São Paulo: Martins, 1959. José
Aderaldo Castello, A Literatura Brasileira. São Paulo: Edusp, 1999. Lígia Chiappini
Moraes Leite, "Velha Praga? Regionalismo Literário Brasileiro". Em: Ana Pizarro
(org.), América Latina - Palavra, Literatura, Cultura. Campinas: Unicamp, 1994, v. II.
3 Antonio Candido, "A Revolução de 1930 e a Cultura". Em: A Educação Pela Noite
e Outros Ensaios. São Paulo: Ática, 1987.
4 Sérgio Miceli, Intelectuais e Classe Dirigente no Brasil (1920-1945). São Paulo: Difel,
1979.
5 Alceu Amoroso Lima, "A Reação Espiritualista". Em: Afrânio Coutinho (org.),
Literatura no Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1986, v. IV, 3. ed., revista e
atualizada.
*
"Guimarães Rosa"
Autor: Walnice Nogueira Galvão
Editora: Publifolha
Páginas: 80
Quanto: R$ 17,90
sexta-feira, 27 de junho de 2008
50 anos da conquista da primeira Copa do Mundo pelo Brasil
Como sabes todo bom brasileiro tem um pouco de técnico de futebol, é paixão nacional. Não importa o que temos de importante vamos para frente da TV assistir a seleção canarinho brilhar em campos europeus ou asiáticos. Mulheres que pouco entende dão seus palpites de jogadas equivocadas de qualquer dos lados. Crianças largam os brinquedos e de pedir coisas para a mãe sabendo que não serão atendidos neste momento tão solene e respeito pelos nossos compatriotas longe de casa disputando a Copa do Mundo. Cada jogador empresta sua chuteira em suas jogadas fenomenais para cada um de nós simples torcedor que vestimos a camisa canarinho sinalizando que estamos ao seu lado disputando cada centímetro do campo e jogada para não sofremos contra ataques fulminantes em velocidade determinada em direção a nossa meta.
A festa já esta rolando. Os homens já providenciaram o churrasco e cervejas e a famosa batida de vários sabores, como limão, maracujá, côco, e outros sabores. A participação é total em nossa casa com os amigos. A emoção é muito forte de acordo com as jogadas chegando arrancar lagrimas de nós simples mortais de carne e osso. Os que lá estão são os deuses e venerado por toda nossa população. É o Brasil em dia de festa.
Por falar em festa estamos comemorando 50 anos da primeira conquista da Copa do Mundo de 1958.
Veja o editorial de hoje abaixo.
Abraços do amigo emocionado em falar desta terra maravilhosa. Deste lado do Atlântico Sul.
Walter.
De vira-latas a heróis em seis inesquecíveis partidas de futebol
Na semana em que se comemoram os 50 anos da conquista da primeira Copa do Mundo pelo Brasil, não poderia haver programa mais apropriado do que assistir ao documentário do jornalista e (agora) cineasta José Carlos Asbeg. Mesmo não sendo um fã ardoroso do esporte, fiz questão de marcar presença (numa sessão com pouco público, diga-se de passagem): eu não seria louco de perder um filme que tem no elenco artistas como Garrincha, Didi, Pelé e Vavá (só para citar alguns) e que celebra o nascimento do futebol-arte, filho daquela que é considerada, quase unanimemente, a melhor seleção brasileira de todos os tempos.
"1958..." mostra como foi desatado o nó-na-garganta dos torcedores e jogadores daquela época. Depois de estar presente nas duas finais mundiais anteriores e sair como vice, o Brasil partia para a Suécia desacreditado, desconfiado, temeroso. Era o complexo de vira-latas, definido por Nelson Rodrigues como o sentimento de inferioridade que tomava conta do brasileiro quando entrava em contato com a força e a cultura dos países desenvolvidos. A expectativa era de que, mais uma vez, a seleção fosse amarelar na hora de decidir. O que se viu, no entanto, foi um time valente e criativo, com uma vontade ferrenha de trazer para casa o título inédito de melhor do mundo.
E aquele ano mostrava-se bem significativo: Juscelino Kubitschek era o presidente do crescimento e do progresso; a Brasília de Niemeyer e Lúcio Costa estava em construção; a música brasileira transformava-se com a cadência suave da Bossa Nova; e as bases do Cinema Novo - que ganharia o mundo em pouco tempo - já agitavam as idéias dos nossos cineastas. Tudo apontava para a verdadeira descoberta do Brasil. Mas seriam os pés dos brasileiros - com sua magia ao tocar uma bola - os primeiros a revelar aos quatro cantos a existência de uma grande nação verde-amarela ao sul do Equador.
Para falar do que significou erguer a Taça Jules Rimet em 29 de junho de 1958, o filme começa com as imagens da conquista (atenção para a abertura, com a câmera passeando por um painel cheio de autógrafos e recortes de jornais, que exaltam o baile que os jogadores-artistas deram nos seus adversários). Depois, recua no tempo, voltando a 1950, quando o Uruguai derrotou a seleção brasileira em pleno Maracanã, libertando o fantasma que assustaria o Brasil pelos próximos oito anos. Narrando toda a história, do descrédito ao triunfo, estão os protagonistas do espetáculo (claro!). São os depoimentos de Nilton Santos, Dino Sani, Mazzola, Zagallo, Zito, Moacir e Djalma Santos, entre outros, que conduzem o filme de Asbeg, ao som de uma trilha eclética que mistura valsa de Strauss com marchinha brasileira e pontua os muitos sentimentos provocados pelas lembranças emocionantes que vão surgindo ao longo dos seus 90 minutos de duração. E por falar em emoção, a cena em slow motion da caminhada do 'príncipe' Didi, do fundo de rede até o centro do gramado, com a bola debaixo do braço, após a Suécia ter inaugurado o marcador em Estocolmo, é espetacular: sua atitude serena consegue traduzir perfeitamente o peso da responsabilidade e a busca do equilíbrio que faria o time virar o placar.
Não bastassem todos os detalhes descritos por quem participou ativamente do enredo daquele mundial, o diretor (como bom jornalista) quis ouvir a versão dos derrotados e viajou para o exterior a fim de entrevistar jogadores de todos os times que o Brasil enfrentara: Áustria, Inglaterra, União Soviética, País de Gales, França e Suécia. E se você pensa que os depoimentos foram só ovação, está enganado. Há a queixa de um francês sobre o lance que tirou o zagueiro Robert Jonquet do jogo pela semifinal e deixou a França com um jogador a menos, uma vez que a substituição não era permitida. Outro bom momento - e, dessa vez, engraçado - é quando um jogador soviético conta sua reação após a derrota por 2x0: arremessou a chuteira contra o armário do vestuário, dizendo "Não jogo mais. O que jogamos não é futebol. Futebol é o que eles jogam". Isso tudo por causa dos dribles desconcertantes do genial Mané Garrincha, que ignorou a marcação dos russos e executou jogadas brilhantes que entraram para os anais do futebol e não saem da memória de quem as viu (ou está vendo agora).
Revezando imagens das partidas e dos entrevistados (também foram ouvidos jornalistas e dirigentes de então), Asbeg constrói um filme didático, em que o público acompanha os detalhes de cada jogo, na sequência em que eles aconteceram mesmo. E isso não é defeito - que fique claro - pois até ajuda o cinéfilo que não é apaixonado por futebol a compreender a grandiosidade do que ocorreu naquela copa do mundo. Na verdade, bem mais do que recuperar uma história de chutes e gols, "1958..." conta uma epopéia de transformações. Afinal, não se pode esquecer que aqueles craques partiram do Brasil como "vira-latas" e regressaram como heróis.
Em tempo: muito tem-se falado sobre a ausência de depoimentos de Pelé no longa de estréia de José Carlos Asbeg. Se a questão foi de agenda ou de cachê, não importa. As imagens do garoto de 17 anos demonstram muito bem o talento que o mundo passaria a conferir e idolatrar a partir dali. E falam por si.
1958 - O ANO EM QUE O MUNDO DESCOBRIU O BRASIL (2008)
Direção: José Carlos Asbeg
Edição: Arthur Frazão
Música: Paulo Baiano
A festa já esta rolando. Os homens já providenciaram o churrasco e cervejas e a famosa batida de vários sabores, como limão, maracujá, côco, e outros sabores. A participação é total em nossa casa com os amigos. A emoção é muito forte de acordo com as jogadas chegando arrancar lagrimas de nós simples mortais de carne e osso. Os que lá estão são os deuses e venerado por toda nossa população. É o Brasil em dia de festa.
Por falar em festa estamos comemorando 50 anos da primeira conquista da Copa do Mundo de 1958.
Veja o editorial de hoje abaixo.
Abraços do amigo emocionado em falar desta terra maravilhosa. Deste lado do Atlântico Sul.
Walter.
De vira-latas a heróis em seis inesquecíveis partidas de futebol
Na semana em que se comemoram os 50 anos da conquista da primeira Copa do Mundo pelo Brasil, não poderia haver programa mais apropriado do que assistir ao documentário do jornalista e (agora) cineasta José Carlos Asbeg. Mesmo não sendo um fã ardoroso do esporte, fiz questão de marcar presença (numa sessão com pouco público, diga-se de passagem): eu não seria louco de perder um filme que tem no elenco artistas como Garrincha, Didi, Pelé e Vavá (só para citar alguns) e que celebra o nascimento do futebol-arte, filho daquela que é considerada, quase unanimemente, a melhor seleção brasileira de todos os tempos.
"1958..." mostra como foi desatado o nó-na-garganta dos torcedores e jogadores daquela época. Depois de estar presente nas duas finais mundiais anteriores e sair como vice, o Brasil partia para a Suécia desacreditado, desconfiado, temeroso. Era o complexo de vira-latas, definido por Nelson Rodrigues como o sentimento de inferioridade que tomava conta do brasileiro quando entrava em contato com a força e a cultura dos países desenvolvidos. A expectativa era de que, mais uma vez, a seleção fosse amarelar na hora de decidir. O que se viu, no entanto, foi um time valente e criativo, com uma vontade ferrenha de trazer para casa o título inédito de melhor do mundo.
E aquele ano mostrava-se bem significativo: Juscelino Kubitschek era o presidente do crescimento e do progresso; a Brasília de Niemeyer e Lúcio Costa estava em construção; a música brasileira transformava-se com a cadência suave da Bossa Nova; e as bases do Cinema Novo - que ganharia o mundo em pouco tempo - já agitavam as idéias dos nossos cineastas. Tudo apontava para a verdadeira descoberta do Brasil. Mas seriam os pés dos brasileiros - com sua magia ao tocar uma bola - os primeiros a revelar aos quatro cantos a existência de uma grande nação verde-amarela ao sul do Equador.
Para falar do que significou erguer a Taça Jules Rimet em 29 de junho de 1958, o filme começa com as imagens da conquista (atenção para a abertura, com a câmera passeando por um painel cheio de autógrafos e recortes de jornais, que exaltam o baile que os jogadores-artistas deram nos seus adversários). Depois, recua no tempo, voltando a 1950, quando o Uruguai derrotou a seleção brasileira em pleno Maracanã, libertando o fantasma que assustaria o Brasil pelos próximos oito anos. Narrando toda a história, do descrédito ao triunfo, estão os protagonistas do espetáculo (claro!). São os depoimentos de Nilton Santos, Dino Sani, Mazzola, Zagallo, Zito, Moacir e Djalma Santos, entre outros, que conduzem o filme de Asbeg, ao som de uma trilha eclética que mistura valsa de Strauss com marchinha brasileira e pontua os muitos sentimentos provocados pelas lembranças emocionantes que vão surgindo ao longo dos seus 90 minutos de duração. E por falar em emoção, a cena em slow motion da caminhada do 'príncipe' Didi, do fundo de rede até o centro do gramado, com a bola debaixo do braço, após a Suécia ter inaugurado o marcador em Estocolmo, é espetacular: sua atitude serena consegue traduzir perfeitamente o peso da responsabilidade e a busca do equilíbrio que faria o time virar o placar.
Não bastassem todos os detalhes descritos por quem participou ativamente do enredo daquele mundial, o diretor (como bom jornalista) quis ouvir a versão dos derrotados e viajou para o exterior a fim de entrevistar jogadores de todos os times que o Brasil enfrentara: Áustria, Inglaterra, União Soviética, País de Gales, França e Suécia. E se você pensa que os depoimentos foram só ovação, está enganado. Há a queixa de um francês sobre o lance que tirou o zagueiro Robert Jonquet do jogo pela semifinal e deixou a França com um jogador a menos, uma vez que a substituição não era permitida. Outro bom momento - e, dessa vez, engraçado - é quando um jogador soviético conta sua reação após a derrota por 2x0: arremessou a chuteira contra o armário do vestuário, dizendo "Não jogo mais. O que jogamos não é futebol. Futebol é o que eles jogam". Isso tudo por causa dos dribles desconcertantes do genial Mané Garrincha, que ignorou a marcação dos russos e executou jogadas brilhantes que entraram para os anais do futebol e não saem da memória de quem as viu (ou está vendo agora).
Revezando imagens das partidas e dos entrevistados (também foram ouvidos jornalistas e dirigentes de então), Asbeg constrói um filme didático, em que o público acompanha os detalhes de cada jogo, na sequência em que eles aconteceram mesmo. E isso não é defeito - que fique claro - pois até ajuda o cinéfilo que não é apaixonado por futebol a compreender a grandiosidade do que ocorreu naquela copa do mundo. Na verdade, bem mais do que recuperar uma história de chutes e gols, "1958..." conta uma epopéia de transformações. Afinal, não se pode esquecer que aqueles craques partiram do Brasil como "vira-latas" e regressaram como heróis.
Em tempo: muito tem-se falado sobre a ausência de depoimentos de Pelé no longa de estréia de José Carlos Asbeg. Se a questão foi de agenda ou de cachê, não importa. As imagens do garoto de 17 anos demonstram muito bem o talento que o mundo passaria a conferir e idolatrar a partir dali. E falam por si.
1958 - O ANO EM QUE O MUNDO DESCOBRIU O BRASIL (2008)
Direção: José Carlos Asbeg
Edição: Arthur Frazão
Música: Paulo Baiano
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